A gente sempre acreditou que o aprendizado acontece na troca de saberes, mas como fazer uma troca se tornar uma vivência coletiva realmente transformadora? Esse era o nosso desafio para montarmos o projeto de série do 8º ano em 2013, pensando nisso elaboramos um projeto envolvendo vários componentes curriculares e os alunos de duas escolas de contextos bem distintos, mas com fronteiras bem próximas. Os alunos da nossa escola, Lourenço Castanho, tem 13 anos e vivem numa cidade grande como São Paulo, os alunos da outra escola, Maria Antonia Chules Princesa, moram no Vale do Ribeira e são quilombolas, mas como aproximá-los? Primeiro uma reunião entre os professores, traçamos objetivos e as etapas principais, então os alunos começaram a trocar cartas, isso mesmo, nada de emails ou redes sociais, cartas escritas e decoradas por eles, investigando, contando, perguntando, criando vínculos, uma curiosidade que só aumentou. De posse em cadernos de investigação e malas arrumadas, fomos até a escola quilombola, quatro dias de vivências e experimentações, os alunos se conheceram, foram ao PETAR ( Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) , nadaram no rio, conversaram no quilombo, dançaram, pintaram, plantaram banana, riram, produziram artesanato, romperam as fronteiras e foram só crianças. De volta a SP, a missão de elaborar um foto livro mostrando quem são aquelas pessoas quilombolas, o que elas fazem, como são parte da nossa história brasileira. No final disso tudo, nada mais justo que uma viagem dos alunos quilombolas a São Paulo, uma nova troca de saberes, uma nova experiência, uma fronteira a menos. Difícil explicar tudo o que aconteceu nesse ano, tudo muito intenso, muito sincero, como disse uma aluna " eu nunca vou esquecer essa lição ".
“Por que conhecer o outro nos leva a conhecer melhor o mundo e a nós mesmos?”
Um projeto envolvendo alunos do Ensino Fundamental II de uma escola da rede particular de SP e outra da rede estadual na região do Alto Ribeira
Autor
Luiz Fernando Correia de OIiveira
Paulista, 33 anos, biólogo, mas fui estudar o bicho Homem, fiz mestrado em educação e sou professor de ciências no ensino fundamental II.