Meu nome é Daniela, sou professora de Arte. Filha de servente de pedreiro e de dona de casa, cresci em um lar simples com 4 irmãos. Desde pequena desenhava bem e isso era notado pela professora. A cena que me recordo e relato aos meus alunos era a falta de material que havia e a falta de dinheiro que me fez, certa vez, durante um concurso de desenho sobre a semana da saúde bucal, cortar um pedaço de uma cartolina de um trabalho exposto na escola para fazer o meu desenho: um dente escovando o dente, bem colorido, o dente sorria; quando entreguei o desenho à professora ouvi os risos dos alunos com suas cartolinas. Mas não importava, fiz o melhor e ganhei. O prêmio: uma sacola de higiene. Um luxo para aquela simples garota. As dificuldades não me impediam de correr atrás, mas a timidez sim. Casei aos 19 anos, tive uma filha, Nicole, aos 20 e aos 26 decidi correr atrás de meu sonho: ser professora de Arte. Tudo perfeito. Não. Meu esposo não apoiava; minha filha fez faculdade comigo, meu salário só dava prá pagar a mensalidade, então fazia brigadeiros para vender. Consegui. Nova etapa: lecionar, realizar um sonho, que desmoronou por alguns instantes quando chorei em sala de aula ao ver alunos brincando de serem traficantes. Mas percorrer o caminho certo exige esforço e neste caminho encontrei alunos que, como aquela pequena garota tímida que fui, tinha uma estrela, e já não é mais hora de errar. Como professora eu não podia me permitir errar e não observar que sempre vão existir estes alunos. Este ano tive o prazer de vivenciar cada momento de aprendizagem dos meus alunos através do relato de minha vida e sem que uma aluna soubesse, acredito que até hoje ela não sabe o porquê desta escolha, vi em seus olhos a timidez e em suas mãos a perfeição. Fiz sua inscrição em um concurso de desenho com a certeza de que com ela seria diferente. E foi. Primeiro lugar. Na premiação vi a timidez invadir seu olhar, mas segurei suas mãos e não deixei aquele sentimento impedir sua conquista. Pude ver a minha vida passando pela minha frente. Tudo que eu não tive a oportunidade de fazer sendo recompensado naquela homenagem, naquela vitória, naquele caminho que por mais difícil que seja é o certo. Vi o despertar de uma artista que não acreditava que era possível e que aprendeu o seu valor. Vi a minha experiência de vida sendo retomada para que eu pudesse transformá-la, trazendo esperança e motivando pessoas a seguirem o caminho certo. Daniela Cavallaro EE Jose Nantala Badue BP-SP

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