O ano é 2003. O colégio é o Alaor em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro. Eu, professor de Física, cansado do conteudismo vazio, sem sentido, aceitei o convite do prof. Sidney para dar continuidade a um seu projeto de iniciação científica, com aulas de Física experimental para alunos do 6º e 8º ano. Durante um ano e meio trabalhei seguindo o planejamento elaborado por Sidney. Depois disso, no final de 2004, apresentei a ele o meu próprio plano de curso, incluindo o 7º ano. Uma vez aceitos meus pedidos, parti para a elaboração de um planejamento que contemplasse não só as Ciências Físicas e Químicas, como era anteriormente, mas procurei contemplar a Filosofia, a Sociologia e a História. Hoje, por insistência dos próprios alunos e a pedido de alguns pais de alunos, também o 9º ano participa dos encontros no laboratório.

Durante nossos encontros – que eu teimo até hoje em não chamar de aula – os alunos são levados a conversar com essas ciências através de experimentos e aplicações no cotidiano. Apesar de tudo bem planejado, a dinâmica da aula é sempre livre. Se estivermos desenvolvendo um trabalho com lentes e um aluno de 12 anos pergunta como seus óculos conseguem fazer com que ele enxergue melhor, esse então passa a ser o tema do encontro. O recreio é o momento que tenho para dar um jeito no laboratório. Mas eu nunca estou sozinho. Aqueles que se encantam mais com as ciências ficam ali me fazendo um sem número de perguntas. Isso me deixa muito feliz, sobretudo por saber que caminhamos para uma sociedade robotizada onde apenas aqueles que forem criativos e sadiamente curiosos terão uma função digna. Para além de decorar fórmulas e resolver problemas abstratos, temos criado um espaço para a resolução de situações vividas no próprio colégio – como no caso em que sofremos uma inundação em uma das unidades com as chuvas de verão. Através de um trabalho desenvolvido com os alunos do 8º ano, chegamos a uma solução para que isso não se repetisse e a levamos aos proprietários do colégio que as colocaram em prática.

Nesses dez anos, algumas turmas que recebi no 6º ano já concluíram o Ensino Médio. É com muita satisfação que ouço não poucos alunos e alguns professores dizendo o quanto nossos encontros ajudam na compreensão dos fenômenos físicos e em suas implicações históricas e sociais, estudadas em séries mais adiantadas.

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