Ler extrapola a mera decodificação mecânica de grafemas e fonemas, pressupõe a interpretação, a compreensão e a interação entre leitor-texto. Dessa forma, lecionar numa turma de alfabetização exige que o docente compreenda a função social inerente à sua profissão, sobretudo, ao considerar o papel da escola na atualidade no que tange ao acesso dos bens culturais às classes populares, que compõe a maior parte da clientela da escola pública brasileira. Nesse sentido, estimular o protagonismo discente é extremamente relevante, a fim de propiciar aprendizagens significativas, pautando-se nesta premissa, a partir da leitura do livro “A verdadeira história dos três porquinhos”, minha turma de 3º ano das séries iniciais, coletivamente, adaptou o enredo para a realização de uma peça teatral.

De posse do texto escrito, o grande dilema era como escolher os atores para interpretarem os personagens. Considerando a importância de fomentar a formação para a cidadania desde a infância, foi proposta uma eleição democrática com este fim. Assim, os alunos se candidataram aos papéis, para tanto, cada um estudou o texto, então fizemos um processo seletivo. A grande maioria das crianças leu com fluência o texto produzido, interpretando com desenvoltura o papel ao qual se candidatou. A eleição foi difícil, pois todos os candidatos se saíram muito bem, mas os alunos, exercendo seu direito de voto, elegeram os intérpretes de cada personagem. A partir daí, durante quinze dias, os alunos ensaiaram sob supervisão da professora. Inicialmente eles tiveram certa dificuldade, sobretudo de se posicionarem diante de uma plateia, ficando de costas e falando em tom de voz baixo, por isso, gravamos um ensaio e assistimos na televisão, o que os ajudou a se darem conta de alguns pré-requisitos para uma boa encenação. A peça foi apresentada na Feira de Conhecimentos realizada na escola em meados de agosto, na qual foram expostas diversas experiências pedagógicas à comunidade escolar.

Os alunos desempenharam seus papéis com muita segurança, evidenciando graciosidade e grande desenvoltura ao interpretar. A apresentação do teatro foi um momento gratificante para mim, enquanto educadora, pois meus pequenos alunos apresentaram a peça teatral, sem qualquer intervenção de minha parte, de forma espontânea e autônoma, participando do processo de construção desta proposta, percebendo-se enquanto sujeitos ativos no processo ensino-aprendizagem.

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