Professor: por que a cidade tem tantos problemas? Ao invés de responder aos alunos “os porquês” desses problemas, sugeri a eles que os pensassem de forma diferente, imaginando quais problemas enfrentaremos daqui cinquenta anos? A resolução seguiu o seguinte roteiro: primeiramente pedi que desenhassem numa folha do caderno uma cidade qualquer e colocassem (em forma de desenho) dez infraestruturas, como: escola, cemitério, lixão, rodovia, ruas, avenidas, igreja, etc. e as dispusessem de forma aleatória a folha. Feito isso expliquei a burocracia existente na abertura de uma rua por exemplo, que uma vez aberta, fechá-la não é tarefa fácil, assim como retirar uma escola de um lugar e etc. E finalizei minhas explicações sugerindo que colocassem mais dez infraestruturas (no mesmo desenho) de forma que as anteriores não saíssem do lugar (pois a burocracia impediria), elas, no máximo, poderiam sofrer alterações, caso do lixão que virou aterroo, casas que viraram prédios absorvendo maior número de moradores, etc.isso foi uma briga, pois “faltou espaço” e eles perceberam que não planejar uma cidade tem essas implicações.
Entendido os conceitos de cidade planejada e espontânea, expliquei como confeccionar maquetes urbanas com caixinhas de remédios, papel toalha, cola branca, fita adesiva e tinta guache, materiais de fácil acesso aos alunos pelo baixo custo, onde caixinhas passaram a ser prédios e casas, que agora, poderiam ser pensadas de forma planejada para que no futuro não viessem a dar problemas. Quais problemas teremos daqui cinquenta anos? Como poderemos antecipar esse problema? Assim os objetivos estavam colocados: despertar no aluno o pensamento crítico e criativo de forma que sua ação venha contribuir positivamente para o espaço que ele mesmo transforma; desenvolver a percepção espacial e logística que envolve a estrutura urbana no conjunto das ações políticas e sociais da cidade; estabelecer com o aluno um contrato em que ele seja o ator principal e não um mero espectador das mudanças do espaço. As maquetes mostraram a preocupação com a emissão de poluentes, transporte coletivo de massa, e as alternativas energéticas foram preocupações latentes nos trabalhos, assim como mudanças de paradigmas sobre o lixo, a obtenção de recursos por meio deste e principalmente, o despertar da vontade de ser político na cidade, que definitivamente comoveu demais. Autor: Marcus Antonio Matozo. Col.E. Prof. Julio Szymanski-Araucaria-PR