Meu nome é Nely Maria Pereira Andrade, professora do 1º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Deolinda Tavares Lamego, no município de Ipatinga, em Minas Gerais. A experiência que apresento marcou positivamente como aprendizado para os meus alunos e também como mudança de postura em mim, enquanto professora alfabetizadora. Ao introduzir o tema folclore, me senti incomodada em expor o assunto simplesmente como um resgate do passado, visto que o folclore trata-se de experiências culturais rica em aprendizado e não apenas a aquisição de conhecimento de fatos passados.
Confesso que pensei em realizar um projeto, porém não acreditei que as crianças seriam capazes de opinar e participar ativamente do processo. Pra mim não bastaria desenvolver um projeto que partisse das minhas próprias ideias até porque o mesmo se limitaria a uma série de sequências didáticas e não a um projeto. Introduzi o assunto colhendo informações prévias que eles possuíam acerca do assunto e comentei com eles que o meu pai acredita ter visto rastros de Saci – Pererê e não admite a ideia que o mesmo se limita a uma lenda. Um dos alunos se levantou curioso e me fez a pergunta: “ Tia, será que os personagens do folclore aparecem mesmo até hoje, só que nem todo mundo vê”? A pergunta contagiou a turma e me encantou a ideia de responder ao questionamento de forma criativa, por meio de um projeto intitulado: “Os personagens do folclore em minha cidade”. A primeira aparição foi a do Saci – Pererê. Cheguei à escola mais cedo, baguncei a sala, fiz pegadas e deixei um cachimbo jogado no chão.
Os demais personagens foram aparecendo em locais conhecidos em nossa cidade. O lobisomem foi visto no Parque Ipanema e estava estudando as plantas, o fato saiu no jornal e as crianças tiveram acesso. O Curupira apareceu na prefeitura municipal e conversou com a prefeita acerca dos cuidados ambientais, A Mula – sem – cabeça apareceu em uma churrascaria e assou a carne para “alguns” animais. O Negrinho do Pastoreio recebeu um convite para dar uma entrevista na sala. O Boto e a Iara apareceram na Lagoa Silvana e nos ensinaram maneiras práticas de se resolver problemas, A Loira do Banheiro apareceu na sala de todas as turmas da escola e com ela aprendemos que há motivos reais e irreais para sentir medo. A experiência marcou a minha trajetória profissional e afirmo que a turma adquiriu a visão do folclore como cultura popular.