Descobrir que uma atividade desenvolvida numa sala de aula pode determinar a escolha profissional de alguém é inspirador, nos faz enxergar o poder que cada professor tem nas mãos. Este ano durante uma das minhas aulas de redação, uma aluna me disse que sua irmã fazia Comunicação Social, mais precisamente, Jornalismo, por causa de uma revista feita durante a aula de PD. E a professora em questão era eu. Então, forcei a memória e me lembrei da tal revista. Eu tinha quatorze turmas para trabalhar PD (Parte Diversificada), e como sou formada em Letras, optei por trabalhar produção textual, enfocando obras literárias que poderiam ser cobradas no vestibular. Era uma aula semanal de cinquenta minutos, então, eu tinha que fazer milagres para não perder tempo e atingir meus objetivos propostos. Pois bem, em cada série foi trabalhado uma obra específica, mas não era simplesmente ler o texto para fazer uma prova, os alunos tinham que criar a partir do texto original. Alguns alunos encenaram o texto, no caso do terceiro ano, a obra selecionada foi “Vestido de noiva”, do grande Nelson Rodrigues.

Vestido de noiva é um texto teatral, por isso a maioria optou por encenar a obra. Mas, como eu sei que nem todos gostam ou têm habilidade para interpretar, sugeri a criação de uma revista. E a Nayane, atual estudante de jornalismo, optou pela revista. No começo, como sempre, ouvi reclamações:- É difícil! O texto é complexo! Todavia, o trabalho foi feito. Defini que a revista deveria ser intitulada “Vestido de noiva” e ter textos autorais produzidos pelos alunos. Fizeram entrevistas, pesquisas estatísticas para descobrir o número de casamentos e “descasamentos” na comunidade em que a escola estava inserida. Produziram textos falando sobre o triângulo: amor, traição e vingança, elementos tão peculiares nos textos de Nelson Rodrigues. Fizeram enquetes entre as próprias adolescentes para descobrir se idealizavam ou não o casamento. Só sei que a partir do mundo fictício criado pelo dramaturgo pernambucano, surgiram encenações, painéis e a revista. Quando Nayane me entregou a revista produzida disse que faria jornalismo, porque descobriu que tinha talento para escrever. Pense na emoção que senti naquele momento. E o trabalho estava primoroso! E recentemente a reencontrei uma rede social e me disse que está concluindo o curso de Jornalismo, e que até hoje guarda aquela revista que serviu de estímulo para o "surgimento da jornalista".

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.