A dona de uma escola de educação infantil, que já me conhecia por dar aulas para os seus filhos, me procurou sabendo dos meus dotes com crianças e me fez uma proposta meio que em forma de pedido, cobrir a ausência de um professor por poucas aulas. Ainda que meio constrangido, aceitei. Chegou o dia da minha aula alguns dos alunos já me conheciam, cidade pequena professor da única piscina comercial da cidade. Assim que comecei minha aula os alunos dispersaram, um para cada lado fazendo atividades diversas de acordo com a vontade de cada um. O que fazer agora? Cai na real e lembrei que aquela escola usava o método construtivista eu tinha esquecido esse detalhe, seus alunos eram diferenciados em diversos aspectos distintos, e acostumados a serem tratados de forma diferenciada. Pensei de novo, o que fazer?
Tentei unir todos, fazer atividade individual, conversar com eles, nada funcionou a bagunça foi generalizada, na hora pensei que se eu me exaltasse perderia a turma no primeiro dia sem nem sequer conseguir dar a referida aula, certamente seria uma vergonha para mim, fora de que a repercussão na cidade seria quase que difamatória. O que fazer? Dormi e acordei pensando, quando de repente olhei para o lado e comecei a abrir o armário o baú a dispensa atrás de alguma luz. Eis que enxerguei a solução. Feliz e contente coloquei em uma sacola e fiz questão de passar na escola, mesmo não sendo o dia da minha aula, mostrei a sacola aos alunos e disse que teria uma surpresa para a próxima aula, assim agucei a curiosidade de todos, criando uma expectativa a mais para a minha aula. No dia seguinte apesar de não ser ainda o dia da minha aula voltei à escola para criar novo suspense em relação a minha próxima aula. No dia da aula estava eu firme e forte livre leve e solto.
Os alunos apreensivos aguardavam a tal novidade por mim tão anunciada, fiz adivinhação pra chamar ainda mais a atenção, só então puxei de dentro do saco uma peteca, daquelas oficiais feitas com camara de pneu e utilizadas em partidas semi-oficiais. Em seguida fiz uma tempestade de ideias para que os alunos me ajudassem a escolher como usaríamos a peteca, e na sequencia fiz atividades que usavam a peteca para socializar e estimular a criatividade de todos e finalizei com um simples jogo de peteca. Usei a criatividade para atrair a atenção, a peteca virou mero acessório, todos se tornaram rapidamente meus amigos e a partir dai as aulas ficaram tranquilas.