O que faz toda a diferença. Aprendizagem a meu ver é sensorial. Nossa memória é seletiva, não conseguimos planejar exatamente os momentos que gostaríamos de relembrar durante a vida, mas sem sombras de dúvida permanecem em nós, os sofridos e os amados, com seus cheiros, sabores e cores. Minha melhor história de ensino aprendizagem aconteceu na formatura de duas turmas de terceiro ano do ensino médio. Alunos que acompanhei desde a quinta série do ensino fundamental.
Sempre acreditei na afetividade e criatividade como algo extremamente importante no processo de ensino aprendizagem, e assim planejei sempre minhas aulas. Diversificando o conteúdo, muitas vezes pausando a aula para trazer à tona algum assunto que fervilhava na sala. E, no momento da formatura percebi que tudo aquilo que acreditei tornou-se real quando um carro daqueles que fazem homenagem adentrou no pátio da escola e eu só escutava o “Vai chorar, vai chorar!” Na leitura de um texto muito bem escrito pelos alunos, falaram sobre mim e sobre minha forma de ensinar. Falaram da minha roupa, do meu cabelo e dos meus óculos, os quais mudavam de acordo com o meu humor.
Nunca havia reparado nisso. Como são observadores, não é? Como a postura de um professor é importante. Perceberam, provavelmente no decorrer dos anos, o quanto eu queria que fossem felizes na vida. Na transparência das broncas, talvez. E agradeceram por muitas vezes falar-lhes sobre as questões do coração, encaixando, palavra deles, sexualidade nas aulas. Importar-se é primordial. Quando se olha nos olhos dos alunos e se dispõe a escutá-los, aprende-se e ensina-se muito. Muitas vezes chorei com eles, sorri e brinquei. E isso foi tão marcante que falaram sobre o tanto que tinham para dizer, mas que o tanto permanecesse guardado no que as palavras não podiam traduzir. Como a voz, a presença, o riso e as lágrimas. Muitas vezes acreditamos na relação distante, no olhar duro e semblante sério como sinônimo de autoridade. É uma pena, pois o melhor da história vem agora, quando me agradeceram pela amizade, profissionalismo e convívio. Pelo modo simples de ensinar, sem palavras difíceis, agressividade ou impaciência, mas com diálogo e compreensão. E, segundo os autores do texto, isso faz toda a diferença!