Eram dias que antecediam o oito de março do ano de 2004, Dia Internacional da Mulher e eram feitos preparativos para homenagear as mulheres da comunidade escolar com muito carinho e grande ênfase. Nossas estudantes eram jovens e adultas, mães, trabalhadoras que ao retornarem para a escola, de onde foram excluídas precocemente na infância ou adolescência, colocavam nos estudos seus sonhos de dias melhores. Discussões e debates sobre a valorização da mulher ocorriam, além da preparação de músicas, poemas, textos… No entanto, meu desejo era construir algo diferente, utilizando outra linguagem, a linguagem corporal, a dança. Uma homenagem diferente à beleza que cada mulher carrega em si. Reuni um grupo de estudantes e após realizar a proposta da apresentação, que foi aceita com empolgação, escolhemos a canção para compor a fala do corpo. Assim, além do dito pelas palavras e cantado na melodia forram utilizados os sons dos gestos, a fala do movimento.

Os corpos dos estudantes da EJA se declararam pela dança, através de uma coreografia simples, mas uma forma de comunicação dos sentimentos e da emoção. A coreografia transmitiu em movimentos corporais a mensagem: “Você é linda demais!” Eram alguns da miríade de gestos possíveis que retratavam parte da história da vida gravada nos corpos, muitas vezes emudecidos, daqueles estudantes da EJA. Iniciou-se assim, a pedido dos estudantes o Projeto Let’s Dance – Expressão Corporal Aliada a Dança , com dois encontros semanais e que se efetivou por oito anos numa escola pública da periferia, contribuindo para a formação holística dos jovens e adultos que são sujeitos detentores de um direito constitucionalmente estabelecido de educação de qualidade ao longo da vida, buscando favorecer o desenvolvimento da corporeidade. Integrado ao Projeto Político Pedagógico da escola o projeto contemplou o apontado nos Parâmetros Curriculares Nacionais quanto a utilização da linguagem corporal, além das demais. A dicotomia corpo-mente, está muitas vezes presente nos currículos, que aponta para as raízes do pensamento segmentador e discriminante, desconsidera as subjetividades, as emoções e sentimentos dos sujeitos. Mas na contramão do dito pensamento, o Projeto Let’s Dance cumpriu seus objetivos e dentre eles possibilitou vivências em espaços culturais da cidade, possibilitou estudos de épocas da nossa história usando a dança como expressão da nossa cultura

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.