Trabalhei com projetos na turma de alfabetização e considerando que tanto as descobertas de Piaget como as de Emília Ferreiro, levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento – daí a palavra construtivismo. A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola – e da alfabetização em particular – do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno. Baseada nesses princípios fiz um projeto sobre sapos, assunto esse que foi escolhido pelos alunos, após uma rodinha de conversa em sala, esse projeto consistia em primeiramente fazer uma prévia do que já sabiam sobre o assunto, para depois partir à campo. Saímos então para ver como tudo acontecia concretamente, aproveitando o lugar onde estava situada a escola e as casas dos alunos, próximas a escola e valorizando o conhecimento que já traziam consigo.
Fomos a um riacho, onde os alunos puderam observar os ovos e alguns girinos. Coletamos girinos em um saco plástico e levamos para a escola, colocamos num aquário, com água, pedras e alguns musgos, para ficar próximo de seu habitat natural.Dessa forma os alunos faziam relatos frequentes sobre o desenvolvimento dos girinos, até o dia que para grande surpresa dos alunos, um dos girinos virou sapo, logicamente que o devolvemos a natureza. Essa experiencia vivida pelos alunos os estimulou a escrever e participar das atividades com afinco e dedicação. Propiciou também uma participação das famílias com pesquisas sobre o assunto, curiosidades, conhecimento popular. Cada aluno pode contribuir com conhecimentos adquiridos pelos seus, através de histórias, contos, cantigas e crenças. Envolver os alunos num projeto, faz com que se sitam parte dele, e isso os estimula a ir além, a desafiar-se sem medo de errar.
E a diversidade de assuntos possíveis de exploração é bastante ampla, pois um assunto puxa o outro. O que foi possível avaliar em termos de aprendizagem, foi um maior desempenho e interesse dos alunos em descobrir mais sobre o assunto e poder ser parte ativa desse conhecimento e aprendizado, pois as palavras que escreviam faziam sentido, eram parte de um contexto no qual haviam experienciado. Isso foi estimulante e percebeu-se uma certa desinibição dos alunos no momento da escrita. Foi uma experiencia muito positiva e a partir desse, foram realizados outros projetos no decorrer do ano, resultando num alta porcentagem de crianças alfabetizadas na turma.