Olho para meus alunos do “Terceirão”, e percebo que nossa caminhada “juntos” está findando. Não posso adiar a despedida, mas programei o bimestre das nossas vidas, “nossas”, pois o professor tem esse leve defeito de se realizar com o aluno. Iniciei com os conceitos de moral e ética de Viviane Mosé, seguindo com Leonardo Boff. Fizemos dinâmicas em sala, com elementos da meditação budista, discutimos e criamos filmes em duplas sobre assuntos polêmicos e atuais dentro da bioética como, aborto, experiência com animais, clonagem, eutanásia, transplante de órgãos entre outros. Individualmente, os estudantes escreveram artigos, sobre moral e ética estudados em sala. E como última atividade os alunos deveriam levar para a cidade de Jaraguá do Sul, município sede da escola, através de uma Intervenção, modalidade está das ates visuais, os temas e conceitos apreendidos em sala.
E foi assim que tudo aconteceu. O dia em que a filosofia saiu da sala de aula, e foi parar num hospital infantil e durante uma tarde inteira, alunos dividiram ali, angústias, dores e alegrias, e foi parar também num lar para idosos, e em entrevista direta com os mesmos, fez da moral estudada em sala mais viva e compreensiva, e foi parar no parque da cidade, num domingo de manhã, entregando balões brancos e chamando as famílias para conversar sobre a moralidade do nosso país, e foi pra praça, em quatro trabalhos distintos, falando sobre o maltrato aos animais, vestidos como maltrapilhos, entregando imagens dos animais usados em experiências e pedindo socorro, falando sobre a reciclagem, uma aluna vestida de mamãe Noel, entrega brinquedos produzidos por ela com garrafas pet, abrem-se discussões aqui sobre a relação moral e consumo, e olha que teve pais devolvendo os brinquedos, pois “ninguém dá nada de graça”, teve doação de abraços grátis, e muita emoção de pessoas que não se sentiam acarinhadas a muitos anos, e teve também um grupo de alunos ouvindo quem quisesse falar, e um anônimo falou, tanto que os conceitos existenciais de alguns foi abalado e assim o questionamento se fez, se transformando em filosofar.
Teve também trabalhos na escola, como rodear a escola com balões, uma metáfora para tirar a escola, o sistema educacional do seu eixo. Nestas atividades, mexemos com a sociedade, incomodamos professores e direção, deslocamos a família, e transformamos os conceitos em conhecimento prático, foram 200 alunos envolvidos, 17 trabalhos em diversos locais da cidade, e uma professora realizada.