Em agosto de 2011, iniciei a realização de um antigo sonho: o mestrado. Há quase 16 anos em sala de aula, sempre tive o desejo de me aperfeiçoar para que minhas aulas fossem mais produtivas. Então, procurei conciliar trabalho e estudo. O corpus da minha dissertação foi fruto da pesquisa realizada no Centro de Pesquisa Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas, composto de 24 cartas de leitores infanto-juvenis a Pedro Bandeira das décadas de 1980 e 90, do qual selecionei duas cartas para o trabalho que desenvolvi com o 7º anos – A e B – do Ensino Fundamental no mês de agosto de 2013. As missivas foram selecionadas, pois nelas as remetentes descreviam ao autor experiências leitoras sobre o livro A marca de uma lágrima, detalhando características das personagens e acreditei que tais relatos poderiam despertar em meus alunos o desejo em ler obras literárias e produzir textos.
Então, elaborei uma sequência de atividades que envolveram as cartas e fragmentos deste livro de Pedro Bandeira. A primeira atividade consistiu em um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre o gênero carta, à medida que iniciei atividade fiquei muito surpresa, pois constatei que – em plena era virtual – vários alunos, já haviam enviado ou recebido uma carta. O próximo passo seria a apresentação das cartas das leitoras infanto-juvenis e a leitura silenciosa das mesmas, a fim de possibilitar aos alunos uma situação de leitura com independência. E houve um bombardeio de perguntas e comentários sobre a origem das cartas, o que revelou o envolvimento imediato dos alunos pela atividade. Para terceira atividade, foi proposta a leitura de trechos do livro A marca de uma lágrima, pela qual verifiquei os procedimentos que os alunos utilizaram para atribuir sentido ao texto. Quando percebi que os alunos estavam totalmente envolvidos, propus outra sequência de atividades que envolviam produções textuais, nas quais os alunos teriam que criar personagens para escreverem, como por exemplo, escolher uma das remetentes e responder a carta como se fossem o autor. Os resultados das sequências de atividades foram surpreendentes, visto que suscitaram o desejo, imediato e unânime, nos alunos de lerem o livro. Em relação às produções textuais, os alunos se sentiram motivados a produzirem e foram muito criativos, pois compreenderam as propostas e planejaram os textos. Juliana Zanco Leme Da Silva Emef “Pref. Waldomiro Calmazini" Mogi Gauçu – SP