Em uma sala de aula o professor alunos com personalidades muito diferentes, uns muito extrovertidos, outro muito tímidos. Os tímidos só participam da aula quando chamados, caso contrário ficam no seu canto… Talvez torcendo para não serem notados. Uma das minhas alunas no Colégio Pedro II era uma dessas flores raras que precisam do sopro da primavera para desabrochar. Marcelly sentava sempre no fundo da sala, notadamente com baixa autoestima e o semblante sério de quem está atento a tudo – ou se defendendo de tudo. Nunca havia ouvido sua voz – nem na chamada ela respondia, ela apenas levantava o braço. Comecei aos poucos a puxar conversa com ela e perguntei sobre seus sonhos – ela não tinha sonhos.

Fizemos então um trabalho de campo ao Quilombo São José, localizado no interior do estado do Rio de Janeiro. Aos alunos foi solicitado que, além das anotações e gravações para a posterior confecção do relatório, filmassem e fotografassem as coisas que eles acreditassem ser importantes a partir das discussões realizadas em sala de aula como preparação para o trabalho de campo. Após a entrega dos relatórios recolhemos as melhores imagens já pré-selecionadas pelos grupos e fizemos uma nova seleção de imagens para que fossem utilizadas em um documentário sobre o nosso trabalho de campo. Poucos alunos aceitaram esse desafio, mas entre eles estava a Marcelly, a qual convidei pessoalmente.

Nas primeiras reuniões ela falou pouco, mas observou muito. Leu os textos, foi ganhando espaço nas discussões e um determinado momento falou para o grupo: Eu quero dar um depoimento no filme. Foi um momento especial, percebi que valeu a pena ter acreditado no seu potencial. Em seu depoimento ficou claro como ela se preparou para todo o processo, fez uma crítica forte e bem embasada ao Quilombo, surpreendendo a muitos. Ela continuou no grupo que deu origem ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Audiovisuais em Geografia – NEPAG, onde ela é uma das mais participativas alunas. Aos poucos foi virando uma grande parceira de trabalho, fazendo oficinas em outras instituições, escrevendo roteiros e entrevistando pessoas para nossos outros projetos. Tudo isso começou em 2011, e hoje tenho certeza que Marcelly não só superou sua baixa autoestima, como demonstra uma capacidade de liderança positiva na comunidade escolar que vêm impressionando. O sopro da primavera desabrochou a linda negra flor, que agora já tem um sonho: ser diretora de Cinema Infantil voltados para criança carentes. nepag.com.br

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