É comum em nosso cotidiano os debates e polêmicas em torno do negro e sua participação na formação da identidade nacional brasileira. Porém, na maioria das vezes, visões estereotipadas dominam as discussões em meio a uma sociedade que se baseia em informações transmitidas pelos meios de comunicação e geridas pelo senso comum. Todo momento é propício para se refletir sobre o assunto, porém o ano de 2013 abre um espaço ainda maior para o debate acerca da situação do afrodescendente na História do Brasil, em virtude da comemoração dos 125 anos da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, e 10 anos da Lei 10.639, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira”. Diagnosticou-se em uma turma de 6° Ano do Ens. Fund., a necessidade de desenvolver uma atividade que esclarecesse alguns pontos com relação ao processo de escravidão no Brasil e a contribuição do negro para a sociedade brasileira. Assim como grande parte da sociedade, os alunos traziam consigo uma visão ultrapassada sobre a relação da África com o Brasil, a escravidão e o pós-abolição.

Não conseguiam entender que a forma como o negro é visto nos dias atuais é reflexo de um passado onde o mesmo foi considerado inferior. Os alunos entendiam a vida dos escravos apenas como uma sequência de trabalho e castigo, eles não tinham conhecimentos que lhes permitiam identificar a África como um continente diverso e rico e não reconheciam a luta pela abolição da escravidão como um processo lento e gradual. Além disso, não identificavam dentro da sua comunidade a presença de heranças deixadas pelos negros escravos. Sendo assim, o projeto permitiu apresentar aos alunos as novas tendências historiográficas em torno da escravidão, levando-os a identificar os escravos como sujeitos de sua própria história a partir do reconhecimento da contribuição deixada pela escravidão dentro da comunidade local.

Para isso, era preciso que os alunos conhecessem o processo abolicionista, as pessoas que lutaram em prol deste movimento, entendessem que sempre houve abolicionistas e que identificassem a rica diversidade africana e a relação desse continente com a nação brasileira. Para tanto, buscou-se destacar o papel representado pelos afrodescendentes no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição desse contingente na formação social, econômica e política do Brasil e da comunidade local, em específico.

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