Em agosto de 1993, fui contratada para trabalhar em um colégio particular. Na época eu não tinha muita experiência, mas como sempre tive a certeza de ter nascido Educadora, sonho, vontade e disposição não voltavam. Para minha surpresa a sala era mista crianças de 4 e 5 anos, não posso mentir senti um frio na boca do estômago, mas como boa virginiana encarei como um desafio. Enfim começa as aulas e ao entrar me deparo com muitos olhinhos cheios de expectativas e curiosidades todos voltados para mim, jamais me esquecerei desta cena.
Foi muito mágica a sintonia que tive com aquelas crianças desde o primeiro momento, as coisas iam fluindo de forma muito harmoniosa, mas hoje sei que fiz coisas horríveis com elas coitadinhas, como copiar algumas vezes palavras desconexas, soltas ao vento, fazer uma página toda das " famílias silábicas" , enfim mas sei também que plantei nelas grandes sementinhas: amor ao próximo, respeito, civismo, curiosidade, alegria, e tantas outras. Mas a personagem desta história sempre esteve ali sentadinha em sua carteira, participando, aprendendo, me dando carinho, enfim uma aluna extremamente carinhosa, a ponto de estendermos nossa relação além das paredes escolares.
Seus pais me convidavam para seus aniversários, mesmos nós anos subsequentes nós quais eu não mais era sua professora e assim o tempo foi passando. Alguns anos depois seu irmão veio para o colégio e a relação voltou a se fortalecer, Mariana já estava crescida, mas continuava meiga e gentil sempre me chamando de Prô Alê.
Anos se passaram, eu me tornei coordenadora, mudei de segmento, de unidade e um belo dia recebo de uma das coordenadoras da educação Infantil um convite para conhecer a nova auxiliar de classe e como sempre fiz fui com muito prazer, e para minha imensa alegria, prazer, emoção lá estava Mariana Freitas Bozzo minha pequenina, agora colega de trabalho, a emoção tomou conta de mim um mix de alegria, orgulho, peso da idade kkk, trabalhamos alguns anos juntos é sempre que ela podia nas reuniões pedagógicas, reuniões de pais, aos seus alunos ela dizia esta pessoa que aqui está foi quem me ensinou o que hoje sei , minhas primeiras letras foram direcionadas por ela e sua postura, seu amor pelos alunos e pela educação me fez escolher a pedagogia. O que sempre me levava as lágrimas e me dava e continua me dando a certeza de que vale sim a pena SER EDUCADORA, não importando salário, reconhecimento governamental, quando temos um reconhecimento deste.