Micronarrativas com Hugo Cabret Sou professora de Literatura, Redação e Gramática na E.E. Ermano Marchetti, em São Paulo. Meu ponto de partida para as aulas é quase sempre uma leitura, e esse ano escolhi um dos mais belos livros que já li: A invenção de Hugo Cabret. Trata-se de um livro muito utilizado por professores do Ensino Fundamental, mas tão rico que eu tinha muita vontade de realizar um trabalho com os meus alunos do Ensino Médio.

Em 2013 aceitei o desafio de dar aulas para quatro turmas de terceiros anos que praticamente não estudaram Língua Portuguesa nos dois anos anteriores, por inúmeros motivos. Além da defasagem na disciplina muitos eram apáticos em sala, mas como todos os adolescentes tinham total desenvoltura com o mundo virtual. Pensei bastante sobre o que eu poderia fazer e descobri uma infinidade de elementos em comum entre o livro, a adaptação para o cinema e as micronarrativas, pois eu havia participado de um evento no início do ano, no qual assisti a uma palestra do autor do livro de microcontos Cem toques cravados (Edson Rossato). As micronarrativas (ou microcontos) são perfeitas para redes sociais e eu adoro trabalhar com tecnologia. Aguardava apenas a hora certa para pôr em prática as ideias que fervilhavam na minha cabeça. Levei os livros para a sala (descobri 40 exemplares na biblioteca da escola!) e começamos com uma leitura dirigida. Caprichei na entonação e na dramatização e ressaltei que as ilustrações também faziam parte do texto.

Na segunda parte do projeto, tivemos uma sessão de cinema, com direito à pipoca e refrigerante. Enquanto isso, os alunos já estavam preparando uma pesquisa em casa, baseada num roteiro entregue a eles. Em seguida, utilizando o datashow, apresentei as micronarrativas. Finalmente, os alunos puderam pôr a mão na massa na oficina de microcontos. Eles podiam usar celular, tablet, notebook, e teriam que escrever cem caracteres com espaços, ou seja, cem toques cravados, registrando uma cena que no livro havia sido contada por palavras ou por desenhos, os storyboards, e no filme, por imagem e som. Desde o início do projeto senti os alunos motivados, mas quando os pequenos textos começaram a ser escritos, vi o quanto os alunos tinham ido além do que eu inicialmente havia planejado. Não reproduziram algo pronto; criaram e exercitaram a imaginação, trabalharam concisão, recriaram suas histórias a partir do ponto de vista deles. Tudo graças ao bom e velho prazer da leitura.

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