Iniciei a carreira numa escola bem distante do bairro onde cresci. Tempos depois retornei para lá. Foi com muita satisfação, afinal naquela escola descobri o universo das letras. Que alegria ser professora na escola onde eu havia estudado! E todas as minhas ações a partir de então tinham um único objetivo: Formar cidadãos críticos que se percebessem como elementos fundamentais para construção de novas possibilidades para aquela comunidade, já tão desmerecida pelo restante da cidade. O bairro carregava em seu histórico as mazelas de sua gente pobre, festeira, crianças levadas e briguentas, homens que se rendiam ao consumo do álcool e das lavadeiras que, desciam até as pedras do Rio Preto para alvejar as roupas das famílias ricas do lugar. Então, em 1998, cheguei a universidade. Formei-me pedagoga em 2001. Deixei de ser professora na “escolinha” para assumir a função de coordenadora pedagógica. Mas, ainda carregava comigo o sonho de que aquela comunidade conhecesse e reconhecesse o seu valor como embrião cultural do município.

Junto com as professoras da escola montamos o projeto “Resgate histórico da Comunidade Santa Fé”. Saímos com as turmas de 4º e 5º ano a entrevistar os antigos moradores e a historiadora Jani de Oliveira Limongi, que nos mostrou a riqueza de nosso passado. Realizamos um Chá da Tarde com todas as diretoras que passaram pela escola. Percebemos aí, que a escola já havia deixado de ser frágil e assumira um espaço robusto dentro da comunidade. Simultaneamente, fizemos uma pesquisa de quais seriam as maiores necessidades da comunidade. Descobriu-se que em 1º lugar era o transporte público, em 2º uma área de lazer e em 3º um acesso mais fácil ao centro da cidade. Nas salas de aulas essas informações foram tratadas nos gráficos e tabelas a partir das informações recolhidas. Todos os textos das entrevistas foram organizados pelos alunos que, também assistiram ao vídeo do Chá da tarde. Foi organizada uma linha do tempo com acervo fotográfico dos moradores. Todo o material produzido foi exposto para a comunidade na culminância do projeto, dia 15 de dezembro de 2006, na Calçada da Cultura, que é reconhecida como espaço alternativo de cultura pela Unesco. Ao representante do poder público entregamos uma carta com todas as reivindicações da comunidade. Míriam Cristina Lopes Cavalcante, Escola Municipal Aurino da Costa Carvalho, São José do Vale do Rio Preto, RJ.

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