Agora frequento uma sala de professores


 

Agora frequento uma sala de professores!

Sim, meus caros. Eis que, aos quase 28, comecei a lecionar. E agora, há tanto pra aprender de novo, de novo. E eu gosto. Gosto de novos olhares – dos colegas e das crianças.

Longe de mim defender aqui que "vai tudo muito bem, obrigada". Estaria mentindo se dissesse que não me assusto, mas estaria também mentindo se dissesse que não me reconheço naquela menina no meio da sala, que fala um pouco demais, mas faz toda a lição muito direitinho. Será que foi sempre assim? Será que foi sempre assim e vendo do ângulo de quem está de frente ao quadro tudo parece diferente?

Há muito sobre o que pensar: pra que serve a escola? Até que ponto ela informa, reforma, deforma? Tenho agora um efetivo papel social? E como me tornarei maior do que uma divulgadora de gramática e ortografia? É possível que pelo exemplo de quem sou, eu contribua para que outros sejam melhores cidadãos? O que eu lhes diria hoje: aprendam a andar de bicicleta e não se tornem escravos das quatro rodas; ouçam músicas além das rádios populares, conheçam os sucessos de 20 e 30 anos atrás; leiam muito, mas não acreditem em tudo; não ponham silicone antes dos 50 e pensem muito se quiserem colocar depois; não copiem astros do futebol; decidam-se por uma profissão que os desafie sempre e que lhes traga satisfação, além de dinheiro; valorizem os que te apoiam e te criticam, quando necessário; aprendam Inglês; conheçam São Paulo, o Brasil, a América do Sul, e quanto mais puder do mundo; esgotem-se em passeios além dos shoppings centers: há tanto parque, e cinema, e teatro, e espetáculos musicais, e mais; assistam aos filmes franceses, argentinos e espanhóis; conversem com pessoas mais velhas; aprendam a defender-se sozinhos, defendam o que pensam, pensem.

Talvez eu não tenha tanto tempo ou tanta voz pra fazê-los entender que a vida já começou. Mas tomara que meu tom de voz, meu sorriso, minha letra, a roupa que visto e a vontade que tenho, faça com que eles me deem uma chance de fazer parte das suas vidas. No meu caso, não há mais escolhas: eles já fazem parte da minha jornada.

E que seja. A escola como lugar de encontro. De uns com os outros, de uns com algum conhecimento, e de outros com alguma perdição. E pra mim, que seja também assim. Um encontro. Um pouco comigo mesma, até.

Declaro aqui, no entanto, meu sincero anseio por não me deixar derrotar, nem pelo cansaço, nem pelo negativismo, nem pela burocracia. Se eu cambalear, por favor, me avisem que é hora de parar. Há sempre um outro caminho a seguir…

E já aviso: é preciso coragem.

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