Meu avo,meu pai, uma menininha, minha profissão fez a diferença!
 

Imagino aquele menino correndo pelos campos, com a alegria de criança. Tanto sacrifícios no dia a dia da lavoura e nos quilômetros percorridos para chegar à escola recompensados pelos momentos de família, ao redor da mesa, nos ensinamentos da religião ou até mesmo no jogo de osso, típico da região. Este menino revelou-se um grande chefe de família. Estudou pouco, foi um autodidata. As palavras de seu pai lhe acompanhavam: “Respeito e honestidade fazem um verdadeiro homem”. Passou para as filhas amor e valores que aprendera. Seu esforço não foi em vão, as filhas graduaram-se. A segunda escolheu a Pedagogia, iniciando sua formação com crianças e lembra-se da primeira aula, a vinte e seis anos atrás.

Um dia especial e falava em voz alta e excelente dicção. Com o poder que lhe conferiram de professora, ditava palavras, para uma turminha de primeira série, alfabetização, quando uma menininha, que poderia ser chamada de guriazinha, pelo local que morava, se retorcia na cadeira, nervosa. A palavra ditada era SABONETE, uma palavra com dificuldades ortográficas simples, porém não parecia nada comum para a menininha, com sardinhas nas bochechas avermelhadas, por caminhar quilômetros, pelo sol escaldante, para chegar à escola, que adorava aprender a escrever. A pedagoga estava por ditar outra palavra, quando lembrou seu pai e refletiu. Respeito pelo outro! Como ensinar se não considerar aquele SER em formação? Chegou bem perto da menininha, sem constrangê-la, perguntou-lhe se havia dúvida. A pequenina olhou com aquelas duas baguinhas castanhas e um sorriso enorme, falou: “Fessorá”, eu posso escrever sabão?

A dúvida pairou no ar e a professora perguntou: Por quê? A pequena criaturinha, novamente olhou, com aquele narizinho arrebitado, arzinho carinhosamente infantil e revelou: Não “Fessorá”, é que eu não sei o que é! Lá em casa só usamos é sabão, feito pela vovó, mas sei que é muito gostoso de cheirar! A partir daquele dia eu, a pedagoga, pedi a parceria para várias pessoas e consegui trazer objetos que as crianças não conheciam, descobrindo que aliar ensino com vivência é a melhor forma de aprender! Muitos anos se passaram e reporto-me as palavras do meu avô, por consequência do meu pai e daquela menininha que me fez ver que educar é respeitar o próximo e muito mais do que teoria, é envolvimento de quem ensina e necessidade e prazer de quem aprende! Portanto, agradeço ao meu pai por me incentivar na profissão que escolhi. Ser PROFESSORA! Sempre!

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