Ler e escrever, direito do aluno, dever de todos: relato de uma experiência Era meu segundo ano lecionando em escolas da rede pública de São Paulo, e naquele pegou uma turma de 4° ano do Ensino Fundamental. Enquanto realizava o primeiro mapeamento da classe fui percebendo que uma grande porcentagem dos alunos ainda não sabia ler nem escrever.

 Uma das primeiras ações realizadas foi uma reunião com os pais, que ocorreu logo no início das aulas onde foi feita a apresentação da minha proposta pedagógica. Contando com o apoio da família, dei início ao meu plano de ação e o primeiro passo foi elaborar agrupamentos produtivos e fazer o mapeamento de onde as duplas iriam se sentar no decorrer das aulas. As duplas mesclavam alunos que já tinhas as competências de leitura e escrita mais desenvolvidas com outros que ainda não se encontravam plenamente alfabetizados, amparando-se na ideia de que um poderia contribuir com o aprendizado do outro. Para garantir que as duplas funcionassem, coube a mim acompanhar bem de perto o entrosamento dos alunos. Se as competências de leitura e escrita deles começavam a melhorar, era um sinal de que a dupla funcionava.

Caso contrário, buscava reorganizar as duplas. Na evidência de algum desconforto, por parte de qualquer estudante, modificava os agrupamentos, isso porque tinha como um dos objetivos do trabalho pedagógico: o respeito os interesses de cada estudante, fortalecendo o prazer em estar na escola. Criei também uma rotina que contemplou atendimentos individuais, que ocorriam diariamente e, aos poucos, os alunos começaram a notar que aquele momento era importante para tirar dúvidas, conversar com o professor sobre as dificuldades e, principalmente, aprender. As intervenções feitas nos atendimentos individuais que eram necessárias para a construção da alfabetização de cada aluno foram registradas num caderno que mantinha e que servia de subsídio para a melhoria da minha prática, pois por meio dele era possível refletir sobre quais as medidas mais apropriadas para auxiliar no avanço dos alunos.

A prática realizada foi executada de tal maneira que ao final do ano todos os alunos estavam alfabetizados. No final do ano letivo, foi uma choradeira só, os alunos não queriam deixar aquela escola e se ressentiam de mudar de professor, porém não me preocupava, pois de fato acreditava que tinha cumprido o meu papel enquanto educador e que os alunos estavam prontos para ingressar no 5º ano, continuando seus estudos com mais qualidade.

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