Convencer os alunos da importância de fazer a tarefa de casa não é uma missão fácil. Além de realizar atividades diversificadas durante as aulas, rever o assunto em casa contribui muito para o aprendizado, além de favorecer a interação entre pais e filhos. Após tentativas frustradas de pedir para que fizessem as tarefas de casa, surgiu a ideia de unir o útil ao agradável, já que também precisava resolver a questão das bolinhas de papel que voavam pela sala. Convidei-os, então, a participar do Jogo dos Deveres, com o objetivo de melhorar o seu desempenho escolar.
Como era um “jogo”, a maioria se empolgou e começamos a construir as regras (e aprender sobre verbos também). Para iniciar, era necessário dividir as turmas em duas equipes. Neste momento, os alu
nos elaboraram diversas propostas para tal ação e realizamos uma votação. Ganhou a que propunha que dois alunos escolhessem um colega por vez e formassem suas equipes. A base do jogo consiste em realizar os deveres de casa e responder as questões quando sorteado em sala. Se resposta estiver correta, o aluno marca um ponto para sua equipe e tem o direito de arremessar uma bola de papel no cesto de lixo. (Nós confeccionamos uma bela bola de papel unindo aquelas que circulavam pela sala nos momentos indevidos). Acertando o cesto, marcaria mais um ponto.
Caso a resposta esteja errada, o aluno perde o direito de arremessar a bola, o que é um motivo de frustração para eles. Se o aluno sorteado não tiver feito os deveres, passará sua vez para a outra equipe. Para evitar essas situações, os alunos passaram a ajudar mais uns aos outros durante as aulas para que os colegas conseguissem realizar as atividades em casa, além de cobrar daqueles que não faziam. Cada edição do jogo tem a duração de um bimestre escolar, sendo contados os pontos alcançados em cada aula pelas equipes. Além das regras, também definimos em conjunto qual seria a premiação. Após várias alternativas analisadas pelos alunos (enfatizei a importância de defender as ideias com bons argumentos), decidimos pela confraternização: a equipe com menor pontuação ofereceu um singelo coquetel à equipe vencedora.
A vitória maior, na verdade, foi minha, que consegui diminuir o número de alunos que não faziam tarefas e incentivar a participação mais efetiva nas aulas de Português. Consequentemente houve melhoria no desempenho escolar. Viva a bolinha de papel! Prof. Gilmara Franco Ferreira da Cruz EMEF Anna Töwe Nagel Jaraguá do Sul, SC.