Não sou muito bom em contar histórias, mas vamos lá: as aulas que marcam a nossa vida são sempre aquelas que desafiam a nossa capacidade de superar limites ou lidar com o desconhecido. Já passaram vários professores que são exemplo de força e motivação. Mas, hoje, quero compartilhar um episódio da minha época de ensino fundamental:
Quando ela surgiu na sala de aula, todos estavam muito agitados, conversando, aproveitando a ‘aula vaga’. Ela era muito bonita e divertida. Uma mulher negra, sorridente e com uma voz forte. ‘Bom dia, futuros pintores, cantores, artistas!’, disse ela. A gente tomou um susto. E ela continuou: ‘Meu nome é Alice e eu sou professora de artes’. Esse foi o começo de uma grande aventura. Durante aquele semestre, a Tia Alice, como gostava de ser chamada, conquistou o carinho e a confiança da turma. E, para fechar com chave de ouro aquele ano, fomos desafiados a produzir obras de arte para nossa primeira feira de conhecimentos. Aqui começa a minha jornada… Escolhido como líder de um grupo, fiquei responsável por criar algo diferente e que fosse reciclado. Lembrei-me dos meus gibis e levei a ideia de fazermos uma revista em quadrinhos reciclada que ensinasse as crianças sobre o assunto. O ‘projeto’ foi aprovado e nasceu o ‘Gibi do Piteco’, um homem das cavernas (personagem da Turma da Mônica) falando sobre preservação do planeta. O mais legal disso tudo foi que eu não sabia que as pessoas iriam gostar dos meus desenhos, muito menos de um gibi feito com cartolina e lápis de cera. Tiramos um “A” e o nosso gibi ecológico foi um dos mais elogiados da feira.
A professora gostou tanto que após elogiar o texto, a ideia de conscientizar os pequenos ecologicamente e o material que usamos para compor o gibi, ela acabou ficando com ele. Sou auxiliar técnico na NET há três anos e, paralelamente, desenvolvo um projeto social, a Escape – Escola de skate, Cidadania e Arte de Pernambuco, que acontece na quadra de esportes da Escola Professor Jordão Emerenciano, onde estudei boa parte da minha vida e local dessa experiência que eu relatei. Aliás, ajudamos adolescentes e jovens a experimentarem uma transformação social. Unindo o skate a educação, cultura, arte e cidadania; fazendo do nosso espaço lazer na comunidade ser o lugar dos nossos sonhos… E tudo isso graças a pessoas como a Tia Alice, que nos ajudou a descobrir os nossos talentos.
Grato pela oportunidade de me desafiar a contar e de poder relembrar algo tão precioso.