Meu nome é Alex Vieira e tentarei escolher minhas palavras com muito cuidado. Já disse o meu nome, isso é “o quem”. O “onde”, poderia ser facilmente descrito como uma escola da periferia de Salvador, Bahia, mas há uma grande diferença entre estar em uma escola idealizada da periferia e transformar uma escola em um ambiente real de ensino e aprendizagem. O “o quê”, explico. A 7 anos planejei e executei um plano audacioso para dar início a uma mudança de direção nas aulas de Física no contexto do ensino das ciências. Isso foi o “quando”. Quanto ao “porquê”, além da óbvia motivação profissional, temos um notável “mar de falta de significação” que inundou as aulas e salas de ciências.

Desse modo, fico apenas com o “como”. E nesse ponto, como nos relata os diversos estudos acadêmicos, estão os obstáculos. Após o Brasil ter passado por problemas no contexto da energia elétrica, fui questionado por um aluno sobre a relação entre a água e a eletricidade. Nesse processo, o plano era, como já dito, audacioso, pois postulava que alunos da periferia, com um contato restrito as tecnologias de informação, pois estávamos em 2005, pudessem propor modelos de fornecimento de energia elétrica em consonância com os conceitos de energia renovável e não renovável e para tal se utilizariam de maquetes e da publicação dos seus trabalhos em blogs.

Os obstáculos? 90% não sabiam o que eram os blogs, 70% não possuíam e-mails e a maioria desconheciam a os conceitos que interligavam o currículo e a contextualização do que se falava nas mídias em relação ao tema. Agora vem o “como”. Através de um trabalho onde as habilidades e competências dos alunos foram desenvolvidas através da colaboração que buscou-se potencializar o ensino e a aprendizagem através das TIC’s. O projeto teve um caráter interdisciplinar e, ao final, fomos presenteados com debates e exposições dos alunos que, além de aprender, ensinaram a comunidade escolar o que são as fontes de energia. Por outro lado, foi semeada a ideia para que outros professores pudessem replicar o modelo da atividade em outros contextos sociais.

De Salvador a São Paulo, de São Paulo a Buenos Aires, muitos professores puderam debater esse trabalho. Ao final, ficou a certeza que obstáculos devem ser transpassados e que o ideal reside no real que podemos fazer na nossa práxis pedagógica e nas mudanças que podemos proporcionar nas vidas dos educandos que agora podem navegar mais seguros em um mar de significados e aprendizagem.

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.