Todo início de ano é aquele sofrimento para os professores das escolas públicas, pois todos nós ficamos apreensivos em receber as novas turmas, esse ano não foi diferente. Estava eu lá fazendo minhas consultas sobre as turmas entre colegas “essa turma como é? E aquela? E aquela outra? São falantes? Trabalham, tem dificuldades?”

E coisas desse tipo e ai minha coordenadora pediu que eu ficasse com duas turmas de 7º Ano que eram muitos bons e precisavam de uma professora de geografia para reforçar o conhecimento que ficou defasado do ano anterior devido á alta rotatividade de professores dessa disciplina. Qual foi minha surpresa quando cheguei e vi aquelas carinhas que mais pareciam uma tropa de elite pronta para detonar qualquer tipo de professor e aula. Aos poucos fui colocando minha forma de trabalho e disciplina, mas mesmo assim lá estava eu lutando contra um aluno que aparentemente não gostava de aprender e parecia ir à escola só para atrapalhar a aprendizagem dos outros, era o João.

Passei dois bimestres lutando contra ele em sala de aula, pois ele nunca estava com o material em ordem necessário, só notas baixas em todo tipo de avaliação, tudo que começava não terminava, falava alto, cortava as explicações para fazer observações fora do contexto ou piadas. Num dia daqueles que a paciência está no limite e não sei da onde vem aquela inspiração, eu abaixei na altura dos olhos do João e disse à ele com calma e firmeza na voz “ João ou você para, senta e trabalha ou vou procurar sua mãe e vou pedir á ela que autorize perante ao juiz que você passe duas semanas na minha casa e nós vamos estudar todas as noites, e você vai virar o “nerd” da turma, certo?”

Ele imediatamente me respondeu “pode deixar professora vou fazer tudinho, não quero ir morar com a senhora, eu não gosto de estudar”, que vontade de rir, mas me segurei e continuei meu teatro, desse dia em diante caderno e apostila estão em ordem. João faz tudo, as anotações, grifa o texto durante as leituras, pinta os mapas e realiza as tarefas de casa e virou meu amigão que vem me receber na com o sorriso mais lindo que já vi. O querer levá-lo pra casa pra ele funcionou como “eu gosto de você e quero que você aprenda porque você é inteligente e é capaz!” João tirou 5,50 na prova, quase morreu de alegria, pois estava habituado ao 2,0. Presta atenção nas aulas, faz perguntas coerentes e participa das aulas, 20 anos de trabalho pra entender que um olhar e o importar-se pode mudar uma vida.

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