Eu sou o samba: tambores sagrados e profanos O presente relato foi desenvolvido com alunos do quinto ano do ensino fundamental I em novembro de 2013, em uma escola municipal da periferia de uma cidade metropolitana de Curitiba. O tema surgiu da observação de comentários preconceituosos dos alunos a respeito da cultura afro, principalmente em relação as religiões. Em busca de uma ampliação do olhar discente e também de promover reflexões sobre os conceitos dos alunos sobre o tema é que surgiu a ideia de desenvolver este projeto para conhecer os aspectos sagrados e profanos do uso do tambor no samba. Estas atividades foram desenvolvidas nas disciplinas de Arte e Ensino Religioso, em uma aula com duração de uma hora e meia. Em uma conversa inicial, foram resgatadas as origens do samba: na África, com o batuque e a umbigada e no Brasil, ao incorporar os chocalhos indígenas e a viola dos portugueses.
Eu também fiz um esclarecimento sobre o caráter sagrado dos tambores que eram utilizados tanto nos rituais de Candomblé e batuque como nas rodas de samba, que inclusive aconteciam nos mesmos espaços dos morros: os terreiros, e como estas reuniões festivas serviam para unir ainda mais os negros e consolidar sua cultura em uma sociedade com características brancas europeias e cristãs, era um espaço de resistência. Em seguida, houve uma experimentação de alguns instrumentos musicais que são da bandinha rítmica da escola: o pandeiro, o tambor, o ganzá e o reco-reco. Os alunos puderam tocar um pouco de cada um dos instrumentos. Após este momento ouvimos a música: “Voz do morro”, de Zé Ketti, interpretada por Diogo Nogueira.
Os alunos dançaram, e alguns reconheceram a música que fez parte da trilha sonora de uma novela global. O mais emocionante foi ouvir eles cantarem: ”Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo sim senhor, quero mostrar ao mundo que tenho valor, que eu sou o rei dos terreiros…”A grande maioria dos alunos desta turma não tem o hábito de cantar e não acompanha as músicas que eu coloco em sala, mas desta vez um grande grupo cantou e sambou ao som da magia do samba.. Depois desta apreciação musical, conversamos sobre a importância do Dia da Consciência Negra para a reflexão do papel do negro na sociedade brasileira e também para provocar uma análise sobre as contribuições da cultura afro na construção do povo brasileiro. Foi uma aula muito significativa e que vai marcar .Professora Silvana Maria de Lara, Escola Irmã Dulce, São José dos Pi