A mídia apregoa e discute supostamente a ética, o termo está sempre na boca de todos, mas vivemos em um país que não sabe o que significa ética e confundi o conceito com moral. Temáticas distintas e distantes, que se misturam na cabeça das pessoas. Como professor, lidando com o jovem, sempre considerei meu dever ajudar o aluno discernir estas duas esferas. A oportunidade surgiu na Unimonte, onde não apenas me tornei professor titular da cadeira de Ética, mas também encontrei uma instituição de fato ética e aberta a construção de um ambiente de senso critico apurado, fornecendo autonomia ao professor para trabalhar, sem limitação na liberdade de expressão e inovação didática e pedagógica. Trabalhando com alunos de diversos cursos nas áreas de humanas, exatas e saúde; iniciei um amplo debate teórico. Foi neste ponto que percebi que a ética não pode ficar apenas na esfera teórica.

O professor não pode ser mero coadjuvante do processo educacional, necessita ser exemplo inspirador. Surgiu o dilema: como ilustrar a ética? A luz no fim do túnel chegou através de um exemplo que observei na minha infância. Em férias escolares no litoral paulista, lembrei como meu pai recebeu um mendigo que pedia um prato de comida à porta da casa de veraneio. Primeiro ele ofereceu aguardente, a popular cachaça. O pedinte recusou e disse que estava de fato com fome. Acontece que estava justamente na hora do almoço, toda a família estava reunida à mesa, quando meu pai foi atender a porta. Ele não teve dúvidas, disse ao mendigo: “Se está com fome… vai comer com minha família”. Colocou o senhor mal trapilho e que cheirava nada bem, sentado ao seu lado, e ele comeu conosco, mesmo sob protesto de outros familiares que se sentiram incomodados.

Somente ao me tornar professor compreendi que meu pai teve uma atitude ética, pois o que se deseja a si mesmo… devemos desejar a qualquer outro. Enquanto aqueles que condenaram a atitude do meu pai eram puramente guiados pela moral. Relato sempre e repetidamente este exemplo aos meus alunos, tentando seguir o exemplo do meu pai, um simples metalúrgico de São Bernardo do Campo, na relação professor-aluno, assim todos entendem na prática o que é ética. Sendo a falta de ética o grande problema de nosso país. A experiência tem rendido frutos, pois meus alunos fazem parte da geração que tem senso critico mais apurado, que vivenciam a ética e pensam em melhorar o país não para eles próprios, mas para seus filhos e netos.

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