Uma aula da disciplina de técnicas domésticas foi transformada em oficinas de arte, educação e sustentabilidade.
Em 1987, quando tinha 13 anos de idade, na escola que eu estudava tinha a disciplina de técnicas domésticas. Foi onde aprendi a fazer diversos trabalhos artesanais e de todos os trabalhos o que mais me apaixonei foi o de fazer um suporte para folhagens com sisal e macramê. Adorei o cheiro da fibra e do contato com a fibra vegetal. Era muito trabalhoso, tinha que abrir a corda que era comprada na ferragem para trabalhar. Depois aprendi a fazer um painel que daí então me apeguei mais ainda com a proposta de desenvolver painéis artísticos que me serviam de terapia e mais tarde veio a ser meu hobby onde realizei diversas exposições de arte.
Em 1995, eu trabalhava no mercado tradicional e cheguei ao cargo de Gerente de Desenvolvimento de Mercado em uma empresa de médio porte no ramo de informática, foi ali que o stress pegou quando os donos deram um golpe no mercado e desapareceram. Dali fui para área de marketing e no paralelo às minhas atividades administrativas sempre fazia minhas exposições e tinha bons resultados. Depois de tanta pesquisa de mercado percebi que o Brasil estava com sérios problemas e que as pessoas de baixa renda estavam perdidas economicamente, pois eu sempre tinha emprego e também sempre tinha bons resultados de vendas em minhas exposições enquanto pessoas se queixavam de desemprego e falta de dinheiro.
A paixão pela fibra me levou a pesquisar os recursos naturais que eu utilizava, pois eu não queria mais desmanchar a corda, mas sim ter acesso a planta de onde se extraia a fibra, foi quando descobri o trabalho escravo e a exploração do trabalho infantil no mercado do sisal na Bahia e na Paraíba. Quando veio a internet percebi que estava cercada de agave por todos os lados. O agave é uma planta muito utilizada na ornamentação de Porto Alegre e poucos sabiam de seus recursos até eu começar a realizar oficinas pelos quatro cantos da cidade.
Em 2006 solicitei a parceria com a Secretaria do Meio Ambiente no fornecimento da poda das suas folhas para oficinas de arte, artesanato e geração de renda realizadas através das Secretarias de Cultura e Educação. Hoje sou oficineira de artes plásticas, eco-educadora e Griô de Tradição Oral com oficinas realizadas em diversas escolas estaduais e municipais e em diversas comunidades da periferia. Ensino a extrair a fibra da folha utilizando apenas um garfo e uma colher e a transformá-la em diversos objetos artísticos e artesanais colaborando também com o controle de uma espécie exótica e invasora.