E assim, entre uma ladeira e outra eles vão chegando. Alvoroçados, esbaforidos, barulhentos, alegres e coloridos. É o Pedro, a Larissa e mais 100 outras crianças e adolescentes. Enquanto esperam na quadra, fazem dribles com a latinha amassada de refrigerante. Outros brincam de pega-pega, esconde-esconde e os maiores simplesmente conversam entusiasmadamente. Logo os educadores chegam e dividem-nos em 3 grupos distintos, os quais farão parte das oficinas: música(percussão), esportes e educar na cultura digital. Esta última é a minha, pois uso a tecnologia para auxiliá-los nas matérias de português e matemática através de sites educativos, portais, jogos de raciocínio e até caderno virtual feito em editor de texto e armazenado em nuvem. Confesso que não é um grupo fácil de lidar, pois são crianças que vivem numa situação social muito vulnerável: a grande maioria mora em habitações precárias, alguns quase nem tem o comer, e também tem o agravante da desestruturação familiar. Talvez essas crianças estivessem em algum semáforo tentando ganhar uns trocados, mas elas estão lá, no Programa Educando para a Cidadania.
Porém, em meu coração, eu apelidei carinhosamente como: desativando homens bombas, pois tentamos fazer com que esses meninos e meninas não sejam nocivos a sociedade. Fazemos intervenções diversas com eles e com suas famílias procurando conduzi-los a um futuro melhor. Estou no Centro Social Carisma (http://www.centrosocialcarisma.org) desde 2011 e foi nesse ano que um dos meus alunos, o Jeferson postou esse comentário no meu blog. “Que pena que eu nem joguei prof° me ajuda ai néh eu fui suspenso mais eu nem bagunço na sua aula porque Você é muito legal” Jefferson era um adolescente que dava um pouco de trabalho aos educadores e em algumas situações foi punido com suspensão. No ano de 2012, o Jeferson saiu do programa Educando para a Cidadania, pois estava crescendo e começou a participar de outro programa, também oferecido pelo Centro Social Carisma que era o “Mercado de Trabalho”. Novamente ele foi meu aluno e pude auxiliá-lo com o pacote Office. Uma oportunidade de emprego apareceu e ele foi admitido como menor aprendiz. Teve um bom desempenho e foi efetivado. Dia desses encontrei-o e ele me disse todo orgulhoso: – Professora, agora eu também trabalho só com computadores, e são da Apple. A história do Jefferson é apenas uma de várias histórias que temos para contar de homens bombas que foram desativados.