A escola em que leciono planejou um projeto sobre Sustentabilidade, para ser desenvolvido por todos os docentes. Optei por usar a cartilha “Consumismo Infantil: na Contramão da sustentabilidade” para fomentar uma discussão. Ora, o impacto do consumismo na sustentabilidade implica economia; começamos por aí. Economizando papel. Montei um grupo fechado dentro do Facebook, intitulado “Dentro da estrela azulada”, no qual incluí todos os alunos. Já há algum tempo faz parte do meu cotidiano adicionar os alunos no FB, pois assim podemos fortalecer laços, conhecê-los melhor e mostrarmos que nossa relação, de convívio e trocas diários, é de amizade.

Era também uma oportunidade de fazê-los se expressarem num meio e numa linguagem que efetivamente fazem parte de seu dia a dia. Todos os trabalhos seriam postados nesse grupo, bem como as instruções, textos de apoio, sugestões, links, etc. Todo o projeto foi desenvolvido sem o uso de papel, no período de um mês (leituras, confecção das postagens e reescritas, curtidas, prêmio). O projeto foi aplicado em três salas de aula simultaneamente: dois 9ºs anos e um 8º. Os alunos de cada sala foram divididos em subgrupos temáticos para fazerem suas postagens, escolhendo o tipo de linguagem e de texto que quisessem. Havia um prazo para a tarefa e, findo o prazo, o grupo seria aberto para quem quisesse curtir e comentar as postagens – a mais curtida ganharia chocolates orgânicos, já que também estávamos discutindo esse conceito.

Resultados surpreendentes: os alunos postaram muito mais do que o combinado; interagiam e se divertiam em uma competição lúdica; comentavam as postagens e respondiam a enquetes; desenvolveram gêneros textuais os mais diversos. Resultados ainda mais surpreendentes: alunos com grandes dificuldades com a escrita da língua conseguiram se expressar, participando ativamente. Pareceu-me que ali, no FB, espaço em que circulam com descontração, “recuperaram” sua liberdade de expressão, desenvolvendo suas capacidades linguísticas. Aberto o grupo, os alunos convidaram amigos e parentes: estavam ali os pais, comentando os trabalhos dos filhos.

Os professores e os membros da gestão também comentaram e curtiram as postagens; toda a comunidade foi envolvida. Como mediadora, opinei sobre as postagens, para a reescrita dos alunos, que se sentiram valorizados pela comunidade, e todos nos sentimos mais próximos, discutindo algo de interesse comum: um mundo melhor.

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