− Quem tá lendo a gente?

Estávamos às vésperas da publicação do 4º número do boletim informativo. Durante três meses do ano de 2012 havíamos nos debruçado a rever a estrutura de gêneros da esfera jornalística: notícia, entrevista e propaganda trabalhados nas séries anteriores; e a nos atrevermos a escrever outros: carta ao leitor e artigo de opinião, previsto para as 8ª séries do Ensino Fundamental. Mas aquela 8ªC… 

− Já tivemos quantos acessos? − Uma página no face fora aberta para a publicação e divulgação dos exemplares do “EU CURTO”.

− Nunca escrevi tanto!− A turma estava se dedicando “para caramba”. Prática pouco comum em escola pública, escreviam, enviavam e reescreviam seus textos por meio de uma outra página no face.

− Será que o que escrevemos é de agrado dos colegas? – Escrever para a professora ler é uma coisa, mas escrever para um monte de gente dá um friozinho na barriga… 

− Claro que sim! Elaboramos a pauta com muito cuidado.Tem agenda, tem dicas. Tem até reclamação da sala de informática que quase nunca é usada!!! E aquela do Grêmio!

− Tem gente que “curtiu” o nosso “EU CURTO”      https://www.facebook.com/BoletimEuCurto, mas não sabemos se os exemplares dos boletins que foram fixados nas paredes das salas e corredores estão sendo lidos.

− É…nesse não tem “curtir”. – Como queriam matar a curiosidade, alguém teve a ideia de, às escondidas, observar quem parava para ler aquele papel colorido na parede que a cada semana era trocado. 

−Ih!!! O daquela sala sumiu! Na certa, alguém achou muito legal e levou para casa! – Era necessário manter o ânimo. Ânimo que estava se esvaindo por não avistarem qualquer gesto que denunciasse a existência de um “leitor de parede”.

O sinal para o retorno à sala de aula já havia tocado. O número de pessoas no corredor já estava reduzido. Nada, nenhum gesto, nenhuma olhadinha fora dada para aquela bela diagramação. Esmorecidos, os jovens caminharam para a sala…

− Qual é mesmo o número da sala que devemos ir? – Esquecidos de seus destinos, tentaram se localizar no tempo e no espaço.

Na busca do tempo presente avistaram a poucos metros dali duas garotas, talvez cursantes da 6ª série, paradas com olhos fixos na parede. Uma tinha um caderno aberto e caneta nas mãos. A outra, tinha o dedo sobre o exemplar do “EU CURTO” em busca sabe se lá do que. Talvez de uma data ou de um nome.

− Será que ela está anotando o endereço de nossa página no face?

− (…)

− Gente, qual será a pauta do próximo número?

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