OFICINA DE FANZINE: criador e criatura Há muito tempo ouço que o problema da educação é o desinteresse dos alunos. Como percebo que esse discurso se fortalece ano após ano e que os alunos, mesmo que de maneira implícita, são culpabilizados pelo fracasso escolar, em especial no âmbito da leitura e da escrita, resolvi apostar na redescoberta do desejo e do prazer em estudar. Comprei uma briga com o ciclo de transferência de responsabilidades em que a escola responsabiliza o professor; o professor culpa a família e o próprio aluno e o aluno, o aluno? O aluno se cala e se conforma com as notas, os dados e os índices que não raro mostram que eles “não gostam” de estudar, principalmente de ler e escrever. No início do segundo semestre deste ano, tive a ideia de criar uma ação que pudesse inspirar nos alunos, mas não só neles, o interesse pela leitura e escrita, e pelo ato de estudar, de maneira geral. Trata-se do projeto “OFICINA DE FANZINE: criador e criatura”, que tem como meta envolver o maior número possível de alunos do período noturno na produção de fanzines e o maior número possível de professores na avaliação. Como há um número significativo de aulas-vagas na escola, um dos objetivos principais do projeto foi o de direcionar os alunos para aproveitarem este tempo ocioso na produção dos fanzines. Alunos do período noturno estudando em plena aula-vaga? Isso é possível? O espantoso dessa história, é que o comportamento dos alunos contrariava justamente o discurso citado no início deste texto. Eles demonstraram interesse, mas não só. Além de interessados, eles estavam alegres. Sim, eles estavam alegres em buscar conteúdos para a produção de seus fanzines; estavam alegres em ler e escrever e ficavam ansiosos para me mostrarem o que estavam fazendo, e mais ainda para que eu fizesse a revisão dos textos. Não houve um aluno seque que não demonstrou emoção ao ter seu fanzine finalizado nas mãos. E quando viam o reconhecimento na fala de alguém, sentiam-se mais que alegres, sentiam-se vivos! Penso que além do aprendizado nas mais diversas áreas e em específico da leitura e da escrita, o maior ganho destes alunos, e meu também, foi a redescoberta da alegria em estudar! Após a entrega dos fanzines para a avaliação, alguns alunos criaram um blog para a publicação virtual. O blog já está no ar e neste momento estamos na fase da digitalização dos fanzines.

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