A Lei 10.793/03 incluiu a Educação Física como sendo obrigatória inclusive no ensino noturno, deixando a prática facultativa em casos específicos. Como fazer com que os alunos desenvolvam competências e habilidades e construam novas aprendizagens através das aulas de Educação Física na EJA, se a lei limita sua prática? Esse foi um entrave, contudo, um grande desafio, pois considerando a aplicação da lei no ensino noturno, a maioria estaria dispensada das aulas. O que fazer? Os alunos na sua maioria são trabalhadores que dividem a atenção e disposição entre os estudos, o trabalho e muitas vezes a família. Este projeto justifica-se não só para atender as necessidades legais (inclusão da Educação Física na estrutura curricular), mas também, construir uma proposta pedagógica adequada às características dos alunos, garantindo a eles um espaço de apropriação de saberes e construção de conhecimentos, estimulando-os para adoção de um estilo de vida mais ativo.
Os alunos jovens e adultos caracterizam-se como um grupo heterogêneo que diferem em muitos aspectos das crianças, e isso deve ser considerado quando da elaboração do currículo, da seleção de conteúdos e da metodologia das aulas. Propus uma mudança de paradigma que se fundamenta não por alcançar metas de aprendizagem a partir de modelos motores existentes, mas sim, um olhar sobre a “experiência” que se traduz numa visão fenomenológica sobre o “movimentar”. O objetivo foi construir uma prática que valorize e respeite as “experiências” do aluno e sobre ela, reconstruir seus significados sobre a cultura corporal de movimentos. Como são realizadas as aulas de Educação Física no Colégio Santo Inácio – curso noturno?
O curso noturno é gratuito e destinado a população de baixa renda. A referência foi estimular a participação do aluno acreditando que esta é uma oportunidade real a partir das suas “experiências corporais” para sentir e perceber o seu corpo, desenvolver sua corporeidade, além de cuidados com sua saúde e qualidade de vida. Para avaliá-lo foram consideradas todas as aprendizagens construídas durante o processo. Com o desenvolvimento deste projeto, foi possível ver IRENES, FRANCISCOS, MARIAS, SEVERINOS e tantos outros, usufruindo criticamente dos conteúdos da cultura corporal de movimentos, construindo suas “identidades corporais”, sendo felizes, melhorando sua autoestima, seu rendimento escolar, suas relações sociais, possibilitando também aos alunos a adoção de um estilo de vida mais ativo.