Estimular a leitura e a circulação de livros por meio de “bibliotecas livres” e móveis é algo cada vez mais popular em todo o mundo. Este tipo de iniciativa conta com livros que podem ser retirados ou doados sem o cumprimento de nenhuma burocracia – não é preciso apresentar nenhum tipo de documento, e não são estipulados prazos de entrega.

O projeto Little Free Library, por exemplo, que começou nos Estados Unidos em 2009, conta hoje com pequenas bibliotecas em vários continentes. E a Biblioteca Estante Livre, aqui no Brasil, surge nesse contexto.

Implantada pela primeira vez em abril de 2014 no Espírito Santo, o projeto se destaca. Seus organizadores querem estimular a leitura e a circulação de livros em lugares onde o acesso a bons acervos ainda não é comum.

A primeira cidade em que a ideia foi concretizada foi Burarama, situada a 179km de Vitória, no Espírito Santo. “É uma zona rural, tem cerca de 2 mil moradores, com 2 escolas e 2 bibliotecas – cada uma de uma escola”, conta Vitor Lopes, um dos idealizadores do projeto. “Lá, não chega revista, não chega jornal, e chegam poucos livros”. A cidade foi escolhida como a primeira a receber a Estante Livre, após a realização de um longo estudo por parte da equipe, formada por integrantes da produtora Lab.Muy – Arte y Cultura Digital. Além do estudo, um trabalho bastante intenso para a integração da população local com a novidade foi feito antes da instalação da biblioteca. “Não queremos ser um projeto impositivo, que chega e põe uma estante de livros para ficar ali para sempre e aí vai embora, deixa a comunidade se virar”, explica Vitor. Por isso, antes da chegada oficial da biblioteca, foram feitas inúmeras visitas à Burarama. “Conversamos com professores, alunos, pedagogos, diretor da escola, moradores, membros da associação de moradores e também pessoas ligadas à igreja”, relembra. O contato direto com a população ajudou a equipe a tomar diversas decisões, a respeito, por exemplo, da conscientização das escolas e dos alunos, de como seriam as oficinas que foram ministradas mais tarde e até dos tipos de livros que estariam presentes na estante.

Outro fator que diferencia a Biblioteca Estante Livre de outras iniciativas semelhantes foi o que chegou junto dela à cidade de Burarama: as oficinas. Em parceria com as escolas, membros da Lab.Muy ministraram, até agora, duas delas: uma que ensinou e estimulou jovens a registrarem histórias de moradores da cidade através da tecnologia, e a outra que mostrou a crianças de 6 a 12 anos a presença da poesia no dia-a-dia, cujas aulas terminaram com a produção de um pequeno livro para cada aluno.

Essas iniciativas, junto com a atenção dada à população antes e durante o período de instalação da Estante Livre, conseguiram fazer dela um quase que “mini centro cultural” da cidade. Em pouco menos de um mês, são perceptíveis as mudanças que ela trouxe ao cotidiano de Burarama. Antes, o jornal que um morador traz todo dia de uma cidade vizinha ficava no balcão da padaria, para que todo mundo pudesse ler. Agora, ele fica lá dentro da estante, junto, aliás, com os livros que os alunos da oficina de poesia produziram. E as escolas, além das parcerias que levaram às oficinas, já estão organizando aulas ao ar livre com os livros novos. Além disso, em qualquer dia comum você pode encontrar gente reunida ao redor da biblioteca, lendo, trocando ideias, discutindo. “Aconteceu até de as bordadeiras montarem uma oficina na praça, para bordarem trechos de livros…”, afirma Vitor.

E a influência não para por aí. O estímulo à leitura chegou até naqueles que não sabem ler. Desde a instalação da estante, crianças e até adultos analfabetos passam tempo folheando livros na praça. “Como a comunidade se voltou para esse equipamento, já tem gente até indo atrás de se matricular nos cursos da prefeitura para alfabetização de jovens e adultos…”. O exemplo chega até mesmo a bebês, que, ao verem todos ao redor com um livro na mão, querem segurar um também. O estímulo se mostra efetivo, e, diante disso, a equipe do Lab.Muy já está estudando a instalação de bibliotecas semelhantes em outras cidades do interior. Você pode conhecer um pouco mais o trabalho deles aqui www.bibliotecaestantelivre.com.br.

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