As “pérolas da Escola Pública” Não é difícil encontrar “notícias” intituladas como “Pérolas do Enem”, que retratam a maneira equivocada (que se torna cômica) com a qual os estudantes respondem algumas questões no Enem ou nos vestibulares. Essas respostas, que circulam pela internet e já foram lidas em programas humorísticos renomados da TV aberta, ganham destaque porque fazem rir, mas, infelizmente reforçam os preconceitos e o descrédito com relação à educação na escola pública e aos estudantes que a frequentam. Uma atividade, que destacava a importância do autoconhecimento para uma vida feliz, realizada nas aulas de Filosofia, serviu para mostrar outra pérola importante, mas, por vezes, esquecida: os estudantes também são seres humanos e têm sonhos e sentimentos.
Os estudantes completaram algumas frases, adaptadas a partir da sugestão de um livro de dinâmicas. Ao ler as primeiras folhas de respostas, logo me deparei com uma em especial: O gesto de perdoar alguém é… “perceber que a pessoa que errou é mais importante que o erro que ela cometeu”. Esta foi apenas uma, das várias pérolas encontradas nas respostas que completavam as frases sugeridas aos estudantes. Outras respostas que também fizeram pensar: O gesto de perdoar alguém é… “conhecer os defeitos de uma pessoa e, mesmo assim, não desistir dela”; “colocar-se no lugar da pessoa e perceber que você poderia estar naquela situação”; Amar é… “deixar alguém livre”; “esquecer-se de si mesmo e lembrar mais dos outros”. O mundo será melhor quando… “decidirmos torná-lo melhor”; A pobreza no Brasil tem sua raiz… “na indiferença”; “na corrupção”.
Os erros de ortografia ao completar as frases e a caligrafia, nem sempre de fácil compreensão, poderiam ser transformados nas “pérolas do Ensino Médio”. Porém, ao invés de servirem para fazer dos estudantes objeto de riso, estas dificuldades não conseguem esconder uma verdade: os professores têm à sua frente, não um grupo de adolescentes e jovens insensíveis, egoístas ou transgressores, mas um grupo de seres humanos que têm sentimentos, desejos, sonhos, e que, se houver empenho por parte dos professores, apoio da família e investimento público, podem construir uma cidade e (por que não?) um mundo melhor! Como resultados, além da mudança de olhar com relação aos estudantes, escrevi um artigo que foi publicado em dois jornais e lido por vários alunos e professores. Claudionei Cella Pauli Escola Estadual Visconde de Itaúna São Paulo – S