Situação de agressão verbal de um jovem, adolescente, em escola da rede pública estadual em área de risco. Tinha acabado de me apresentar na escola para assumir as aulas de Geografia no ensino fundamental em uma região periférica de Cariacica/ES. O período letivo estava no início do segundo trimestre do ano, por volta do mês de maio de 2003. Em três meses de aula, haviam se passado cerca de 6 professores, que deixaram a vaga, por diversas razões, seja pela localização geográfica da escola, em área de risco, seja pelo perfil dos alunos, muito agitados, impossibilitando qualquer planejamento de aula ir à frente. Com uma semana de trabalho, uma situação inesperada, um aluno, de cerca de 17 anos, ainda na turma da quinta série matutina, destoando dos demais alunos em tamanho e idade, de repente, depois do recreio, chega na porta da aula sala em que eu estava e começa a me agredir verbalmente fazendo ameaças afirmando que foi por minha causa que ele foi chamado a atenção pela direção da escola. O que gerou uma situação desconfortante naquele momento para todos os presentes.

Diante do problema, o qual eu não sabia as razões daquelas agressões e ameaças, do tipo "te pego lá fora". Eu sabia que precisa tomar alguma atitude, na hora a reação foi somente ficar calado, pois aconteceu muito de repente e de maneira inespeda, e manifesta publicamente, causando uma situação de constrangimento pessoal. O encaminhamento diante da situação teve que ser quase que imediato, não podia passar daquele turno, com risco do ocorrido se agravar e tomar proporções fora de meus limites de controle. Sou morador de bairro nas imediações da escola, cerca de alguns quilômetros, e conhecia um pouco a realidade da região, assim como o perfil do público que estava trabalhando, e com uma semana de trabalho não podia perder aquela oportunidade de emprego. Deveria saber o que fazer. O expediente encerrou, e chegou a hora da saída. Ao invés de ficar com medo, e apavorar-se ao sair da escola, aguardei a maior parte dos alunos irem embora, e tive a confiança de conduzir a situação mediante diálogo. Depois de muito diálogo mediando a situação de conflito criada, o aluno acabou virando meu amigo, e fiquei na escola o ano letivo inteiro, e não tive mais problemas com o referido aluno. O maior aprendizado que poderia acontecer, aprender a dialogar, superar medo e insegurança, e entender que através do diálogo, e simplesmente por ouvir o aluno, tudo foi resolvido, e boa convivência nasceu.

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