Propiciar aos alunos a vivencia com práticas sociais reais de leitura e produção de texto são grandes desafios que mobilizam teóricos, especialistas, visionários, professores e aficionados militantes da alfabetização. Desafios, quando estão relacionados com a superação da fragmentação das atividades de ensino em sala de aula, nos comprime, nos excita, nos conduz, nos faz progredir até o ponto em que nos sentimos “senhores das intervenções didáticas” então, nos damos à fantasia de inspecionar todos os cantos, recantos e encantos do próprio fazer docente. Sem ignorar a relevância que tem a alfabetização nas séries iniciais, me sentia um pirata saqueando dos pequenos o prazer em aprender e os sentenciando a “destramelarem” as janelas e visualizarem atividades escolares. Estava decretado: era preciso rever minha concepção sobre alfabetização, uma certeza que me abraçava, embaraçava-me e me colocava a espreitar os porquês de se aprender a ler e a escrever e o modo singular como as crianças, pequenas artesãs, tecem as delicadas tramas do nosso sistema de escrita.
Na busca por um novo caminho planejei um enredo batizado por Alfabetização e Comunicação Visual, um trabalho de escrita de 70 placas com informações sobre frutas e legumes vendidos em um hortifrúti do bairro, cujo objetivo foi garantir os direitos de aprendizagem dos alunos no que se refere ao processo de alfabetização na perspectiva do letramento, criando um contexto para que os alunos pudessem avançar na compreensão do sistema de escrita e compreender o processo de composição de um texto. Ao unir o propósito didático com o social foi possível conduzir um trabalho onde os alunos foram protagonistas: visitaram o hortifrúti, anotaram os alimentos, pesquisaram sobre o valor nutricional, decidiram no coletivo o que seria escrito em cada placa, escreveram com letras móveis, lápis, computador, revisaram as escritas no coletivo, digitaram as informações, revisaram novamente, levaram as placas para colocar nas barracas do hortifrúti. Em pouco mais de 60 dias os 23 alunos estavam alfabetizados, um resultado impactante por se tratar de alunos com 6 anos de idade e no inicio do ano letivo de 2013. Assim, os conhecimentos produzidos na escola foram inseridos na comunidade e as crianças puderam aprender de uma maneira mais significativa, conquistando algo que pirata nenhum consegue se apropriar: a consciência da importância da leitura e da escrita na sociedade. Elisangela