Neste ano letivo me deparei com uma situação que nunca tinha ocorrido comigo. Ao receber minha turma de quarto ano, descobri através de uma colega, que tinha um aluno “especial”. Fiquei muito apreensiva, pois segundo ela, ele não estava alfabetizado. Minha escola tem apenas o SOE. Fui conversar com essa profissional, recebi a pasta do aluno e descobri que ele conhecia a numeração até 50; só fazia cálculos de adição e subtração com uso de material concreto; estava silábico-alfabético; não lia textos sozinho e os interpretava com desenhos. Nos laudos médicos constava um quadro de síndrome de La Tourette (que o afastou da escola no segundo semestre do ano anterior), Distonia e Fenilcetonúria. No relatório da psicopedagoga, constava defasagem cognitiva e escolar e as hipóteses diagnósticas de: suspeita de déficit de atenção e dislexia e problemas emocionais. Fui pesquisar sobre esses sintomas para poder auxiliá-lo e compreender atitudes que ele apresentava em sala.
Chamei a mãe do menino e sugeri que ele frequentasse uma Sala de Recursos no turno inverso. A mãe foi um pouco resistente. Ela me forneceu o contato da psicopedagoga do filho. A profissional foi bem clara ao me dizer que o trabalho com o menino deveria ser diferenciado. Todo o dia planejava atividades diferentes para ele, enquanto a turma realizava tarefas conforme os conteúdos da série. O aluno passou a frequentar a Sala de Recursos e continuou seu atendimento semanal com a psicopedagoga. Aos poucos fomos evoluindo. Final de julho recebi o resultado do exame WISC III, solicitado pela psicopedagoga constando QI 57. Prossegui no trabalho e hoje o aluno demonstra grande interesse pelos estudos e realiza parte das atividades diferenciadas, pois muitas já são iguais ao restante da turma. Suas avaliações ainda são diferentes, pois seu nível de compreensão intelectual é diferente, mas apresenta bom domínio da escrita, da interpretação, do raciocínio matemático e dos cálculos, apesar de não dominar a divisão. Tudo isso está sendo possível graças ao apoio incansável da mãe; da professora da Sala de Recursos, que retoma as atividades da escola; da psicopedagoga, que não mede esforços para orientar meu trabalho e também por causa da minha intervenção diária. Mas isso não teria acontecido sem o esforço incansável do próprio aluno. Por isso, posso dizer que a inclusão é difícil sim, precisa de mais formação e preparo para os professores, mas com a união dos esforços, é possível alcançar bons resultados.