Uma das experiências que marcaram a minha vida profissional, foi em novembro de 2012, quando estava aplicando o conteúdo de matemática e explicava sobre o sistema monetário. Levei para a sala de aula cédulas verdadeiras para que as crianças pudessem manuseá-las e algumas nunca haviam visto uma cédula de cinquenta reais. Fizemos atividades sobre as cédulas de todos os valores; ensinei como escrevia por extenso e a pronúncia no singular e plural. Expliquei que cada cédula possui a figura de um animal brasileiro que está ameaçado de extinção. Fizemos uma “mini feira” na sala de aula em que as crianças poderiam simular que iriam fazer compras, utilizando dinheiro fictício, aprendendo de uma forma dinâmica a comprar produtos, vender, adquirir noções sobre o valor de cada alimento e conferir o troco. Numa destas atividades eu pedi para que os alunos desenhassem o que eles comprariam com cada cédula. Após todos terminarem seus desenhos, pude ver como o aspecto social em que a criança está inserida, influencia também no seu imaginário, no lúdico.

Observei que os alunos que não passavam nenhum tipo de necessidade financeira desenharam doces, brinquedos caros (helicóptero de controle remoto) e vestidos de festa, como, por exemplo, a filha do encarregado da fazenda. Já os alunos que trabalhavam ajudando os pais na roça, plantando limão, inhame, aipim ou arrumando as caixas de legumes que os pais vendiam para o CEASA, desenharam caixas de morango, de maçã e de uva, queijo e bolo, que eram alimentos que não costumavam ter em casa. Porém o que me marcou naquela aula foi o desenho de um aluno que passava muitas necessidades em casa, sua mãe fazia faxinas para sustentar a casa e três filhos. O aluno não desenhou balas, nem sorvete, nem chocolate. O aluno não quis desenhar brinquedos caros e nem roupas de festa. O aluno não quis desenhar queijo, bolo ou biscoitos, pois não era costume do seu dia-dia… O aluno desenhou para a cédula de R$50,00 três sacos de 5 kg de arroz; para a cédula de R$20,00 quatro latas de óleo; para a cédula de R$10,00 ilustrou 3 kg de feijão, e para a cédula de R$5,00 desenhou macarrão. Itens da “cesta básica” que refletem a realidade da sua casa. Disse para ele que poderia comprar qualquer coisa com o valor daquele dinheiro, o que desejasse, o que a sua imaginação quisesse. Motivei-o a desenhar alguma coisa que sonhava em ganhar, porém o aluno me respondeu: “_ É só isso que eu quero mesmo, tia.” Vanessa Lima Sanches, E.M. Boa Sorte – C.M.-RJ

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