Desde que aprendi a falar a palavra Escola, me apaixonei por ela, mais encantada ainda quando minha irmã mais velha começou a estudar. Naquela época, para ter acesso à escola pública tinha que ter 7 anos completos, tive que esperar 12 meses para entrar no meu mundo encantado.Enquanto isso, eu a perseguia em suas lições de casa, assim, comecei a ler e escrever com as maravilhosas leituras da Cartilha da minha irmã.
Até que chegou minha vez. Que dia maravilhoso! Meu uniforme, minha conga vermelha, tudo era perfeito! Vocês devem estar se perguntando: "o que isso tem a ver com a minha profissão"? Tudo! Pois me apaixonei por minha sala de aula, minha escola, meus coleguinhas, estava encantada! Eu queria ser uma professora igual a minha, a tia Diana. O jeito como ela escrevia no quadro, a forma como ela lidava com as nossas diferenças, tudo nela me enchia de vontade de, um dia, estar em uma sala de aula, e fazer exatamente a mesma coisa. E, assim eu o fazia, chegava em casa e ensinava aos meus irmãos tudo o que eu havia aprendido na escola, do jeito que a professora Diana me ensinava.
Um dia, meu pai comprou uma geladeira, e ela veio dentro de uma caixa enorme. Nossa casa tinha um porão, eu pedi metade da caixa para o meu pai e com ela improvisei um "quadro-negro", aliás, um quadro reciclável de papelão. Era muito divertido! O que tinha no meu caderno, eu escrevia no meu quadro. A partir daí, meu destino na Educação já estava traçado.
Aos 17 anos, comecei a dar aula, nem havia concluído o Ensino Fundamental, nós mudávamos muito, inclusive de Estado, meu pai recebia o meu salário, para mim, o importante era estar em sala de aula, mesmo que fosse uma escola de palha, sem paredes e no meio da mata, a única lateral fechada era onde o quadro ficava. Isso mesmo, a escola era apenas um barraco, mas, meu sonho acabara de se realizar.
Quando chovia eu procurava proteger meus 10 alunos, até o temporal passar. Fiquei por 2 anos nesta escola, fui para a cidade trabalhar de empregada doméstica e terminar meus estudos, para quem sabe, prestar um Concurso Público. Dois anos mais tarde, eu estava lavando roupa, quando ouvi pelo rádio que havia inscrição no Concurso para professores Classe Única, eu havia terminado a antiga 8ª série, me inscrevi nele imediatamente. Hoje 19 anos depois de Educação, tenho 2 pós-graduações, luto por um Mestrado. Trabalho com projetos que visam a real necessidade dos meus alunos, que retribuem com tanto carinho e, alguns me chamam de "Mãe".