Era início de uma caminhada para exercer uma função que eu sou fã e sempre sonhava em ser professor. O ano era 2006 e na minha cidade tinha a função de diretor de turismo. Não era muito o meu ofício, o meu desejo era mesmo ensinar. E um certo dia digitei uma carta para a secretária de educação do município para pelo menos trocar meu cargo de diretor para professor. Não fui contemplado, pois, o quadro estava cheio e não tinha mais vaga. Fazia faculdade de história. Fazia licenciatura em História. Sem vagas para ensinar fui a um certo domingo para a cadeia pública municipal para evangelizar juntamente com alguns fiéis católicos e um certo momento de oração pedi para os presos que estavam dentro das suas celas para lermos junto uma oração, apenas dois conseguiram ler.
Então perguntei se a oração não estava legal, porém, um deles respondeu: Não sabemos ler e nem escrever!. Foi aí, que veio uma mensagem no meu coração: ENSINÁ-LOS. E perguntei a um deles se eu poderia ensiná-los a escrever e a ler e um deles desejava isto. Um policial não gostou da ideia. Dizendo que eles não tinham futuro, eram assassinos e ladrões e não tinha segurança suficiente para mim. Mas ao olhar para cada presidiário, sentir a "fé" de ensinar e conviver o meu sonho de ser professor e ter minha primeira turma. Uma turma de detentos. Nada importava encarei o desafio com muita empolgação. Ao sair para rua comentava para alguns amigos, com muita felicidade que eu iria ensinar e acharam engraçado e tenebrosos quando eu falei que era na cadeia.
No momento não importava dinheiro mas o amor. Alguns amigos doaram cadernos, livros, etc. Foi emocionante. No primeiro dia, numa quinta a tarde, subia a ladeira feliz e orgulhoso. Quando chego a delegacia, o guarda mal humorado perguntou: Tem certeza? E falei: Tenho! Ele abriu a porta do pátio, ao chegar não vou negar um pouco nervoso quando ele abriu a chave geral e eles começaram a sair das celas para o pátio, onde ficaram os presos e eu. O guarda fechou a porta geral. E fiquei sozinho com eles. Na mente: será que eles vão me fazer de refém? NÃO, pelo contrário um detento disse: Professor? Posso varrer o pátio? E sentir uma emoção profunda, foi a primeira vez que me chamaram de professor. Eles confeccionaram cadeiras com garrafas peti. E cada vez que eles aprendiam uma letra nova e uma conta de matemática vibravam! Emoção foi quando um detento pediu para escrever seu nome e quando ele leu seu processo pela primeira vez. Acabava ali um analfabeto.