Em uma atividade de ATPC nos foi dada a tarefa de discutirmos em grupo qual plano de ação assumir para amenizar as dificuldades de leitura e escrita detectadas na avaliação diagnostica no inicio do ano letivo de 2013. O tema escolhido foi a seca no nordeste envolvendo as disciplinas de língua portuguesa, ciências, geografia e arte. Na minha disciplina, arte o objetivo geral foi desenvolver o hábito da leitura através das pesquisas relacionadas e a socialização das mesmas em sala de aula. Os objetivos específicos foram trabalhados de forma diferenciada em cada série considerando as manifestações dos alunos. No 7º ano D metade da sala escolheu a linguagem da dança e criaram uma coreografia para a musica Suplica Cearense. A outra metade escolheu uma poesia de cordel que representaram no dia da apresentação.
Os alunos do 7º ano G escolheram a linguagem do teatro de fantoches para mostrar a biografia de Luiz Gonzaga e a interpretação da música Asa Branca. No 7º ano E escolheram criar um rap sobre a seca. Os alunos do 7º F escolheram a linguagem do teatro para dramatizar a miséria, a falta de água e as péssimas condições de vida do povo nordestino. Outro grupo da mesma sala apresentou a biografia do artista Candido Portinari e todos criaram uma releitura desta obra. Deixei esta turma para o final pois foi nesta sala que minha emoção aflorou e só faltei ir às lágrimas. Qual não foi minha surpresa ao entrar na sala e ver a euforia dos meus alunos para mostrar o que tinham preparado e, nem era o dia da apresentação.
Eles pesquisaram tudo: Cenário, roupas, montaram as trouxas e as amarraram em um pedaço de tronco de arvore que encontraram no pátio da escola, levaram folhas secas para a sala e colocaram no local da sala de aula onde aconteceria a cena, uma das alunas era loira, porém para dar mais realidade a cena ela levou até maquiagem para escurecer a pele, as falas tinha entonação e o sotaque do povo nordestino. Acabei meu turno na escola e fui refletindo pelo caminho, orgulhosa dos meus alunos e agradeci a Deus por me propiciar este momento tão especial na vida destas crianças e principalmente por ser o mediador do conhecimento que adquiriram na proposta desenvolvida. São momentos como estes que nos motivam e nos mostram que vale a pena ainda ser educador. “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” "Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente" Paulo Freire.