Estava eu, na secretaria da escola providenciando material para os professores, quando vejo chegar uma jovem de meia idade muito franzina e duas crianças. O menor estava sendo matriculado no 1º ano e o outro no 4º ano do ensino fundamental. O aluno do 4º ano chamou minha atenção por sua vivacidade. Seu olhar era de embelezamento pela escola e ao mesmo tempo muito assustado. Aproximei e baixinho começamos a conversar; menino de jeito moleque, inocente e conversador. Perguntei a ele: — Qual é o seu nome? Ele mais que depressa, com o sotaque do nosso lindo estado do Sergipe, respondeu: — O meu nome é Rivan. Sou de uma cidade bem longe e pequena. Queria saber se havia achado a escola bonita, se queria começar a estudar e fazer novos amigos.
Respondeu todo faceiro: — Nossa é muito linda, minha escola não era assim não. Quero estudar e conhecer os meus novos amigos. Estava tão feliz! Muito a vontade ele disse: — É aqui minha sala de aula e que professora linda! Chega o momento da capacitação em serviço com a professora do aluno Rivan. A professora falou: — Marilisa o aluno que recebi do Sergipe é prestativo, contador de estórias e encantador, porém, já tem 12 anos ainda não sabe ler e apresenta muita dificuldade com a escrita. Formamos uma equipe infalível: supervisão, professora regente, professora do Apoio e a professora alfabetizadora. Decidimos que daquela reunião em diante iriamos transformar a realidade do menino Rivan.
Reunimos pela primeira vez para analisar e verificar os avanços do Rivan. Foi incrível, estava dando resultado, ele começava a fazer relação fonema grafema. Observei que ele tinha conhecimentos e vivências que seriam extremamente enriquecedoras para os amigos. Com a matemática não nos preocupávamos, pois era danado de bom e pegava tudo muito fácil. Quando menos esperávamos o aluno começou a ler, entender o que lia e a escrever pequenos textos, em fim, era a descoberta da autonomia, acreditar em si mesmo e da felicidade. Ler e escrever são mágicos. Durante todos esses anos fui sempre muito dedicada e comprometida com a aprendizagem dos meninos e jamais pensei em desistir de nenhum deles. Hoje estou realizada como ha tempos não me sentia e convicta de que escolhi o que amo fazer; ensinar aprender ensinar.