Uma criança rejeitado pela família atotiva e pela sociedade que so queria ser amado e enquanto ninguem demostrava reconhecer seu valor, tentava chamar atenção com atitudes e ações como que gritando: Eu existo, estou vivo, me enxerguem por favor!!
Em uma bela tarde de domingo ensolarado, distante alguns quilômetros da escola, uma senhora chega tensa e preocupada em minha casa e se apresenta como a mãe de um menino que a partir da segunda-feira seria meu aluno de segunda série primária.
Começou relatar todo “terror” que o menino espalhava nas salas de aula onde já havia estudado. A mãe começa a relatar que seu filho não conhecia limites, que mexia com todos, batia, gritava, subia nas carteiras pisando no material dos alunos… continuava a mãe constrangida: Eu não sei mais o que fazer e gostaria muito que meu filho estudasse, aprendesse, então vim aqui te alertar para que a senhora se prepare bem para amanhã professora, pois a partir de amanhã ele será seu aluno. Preocupada, já fiquei imaginando o que fazer, como proceder… Segunda feira chega e lá vou eu cortando caminhos pelo meio dos pastos, sentindo o sol quente das 10 horas da manhã arder na pele, ( meu período de aula era intermediário, das 11h 00m as 14h 30m) e chego na escola.
Por onde ia passando os alunos iam se juntando a mim e juntos caminhávamos conversando até à escola. Avistei aquele menino bonito, um pouco gordinho, moreno claro que olhou para mim e deu um leve sorriso tímido, resolvi esperar sua atitude, já pensando em uma estratégia de defesa. Comecei pedindo que fizessem um desenho sobre sua vida. Na hora do intervalo todos saíram para brincar, ele ficou na sala. Me aproximei, pedi que interpretasse seu desenho. lentamente a vontade começou interpretar em voz baixa.
Percebi uma criança doce e carente. Esses são meus pais adotivos, dizia ele. e essa é minha mãe – (uma figura sem rosto. Minha mãe faleceu na hora do meu parto. Percebi sua expressão de dor e um pedido de amor. Senti que eu poderia ajudá-lo e senti um carinho especial por ele.
Passei a elogiar suas lições e disse a ele que seria meu ajudante. Terminava sua tarefa e ajudava os amiguinho com dificuldades,passou a ser solidário ele foi se abrindo, conquistando o carinho e amizade dos coleguinhas,passou a se sentir útil, foi procurando estudar mais e mais para aprender direitinho e ajudar sem arrogância nem soberba. Em menos de três meses o aluno Magno passou a ser o melhor aluno, o mais prestativo e amigo entre todas as crianças. fazia questão de socializar o que aprendia com os amiguinhos que passaram a tê-lo como referência. Meu nome é Alice Alves da Silva, o fato ocorreu no município de Tapira-PR, na escola escola Rural Tiradentes em 1983.