Na minha atuação como professora de História da rede municipal de São Paulo, tive como preocupação preparar aulas que incentivassem os alunos a aprenderem de forma significativa. Com base nas narrativas contadas pelo meu pai, fiz questionamentos sobre as referências culturais, sociais e familiares dos alunos. Dessa maneira, aconteceu um envolvimento espontâneo dos mesmos na produção de transcrições da linguagem escrita, oral e visual e de imagens. No ano de 2011, comecei a recontar as histórias contadas pelo meu pai na 5ª séries (nos 6ºs anos) na Escola Municipal de Ensino Fundamental CEU Paraisópolis. Em 2012, na EMEF Airton Arantes Ribeiro e, Atualmente, na EMEF Casarão. Foi notável o interesse dos alunos, pois histórias que pareciam simples se tornaram instrumentos pedagógicos muito ricos. Notei que elas envolveram as crianças, pois incentivaram o trabalho com a imaginação.

Por meio dessas histórias, comecei a abordar diferentes temáticas, tais como, cultura popular, resistência, respeito, autoritarismo, medo, esperteza e outras. Portanto, sem deixar os conteúdos obrigatórios de lado, a aprendizagem por meio das narrativas orais vai além do proposto, pois há um despertar de valores importantes que muitos alunos levarão para toda a vida. Muitos momentos marcaram essa trajetória. Os alunos demostraram interesses e manifestaram seus conhecimentos de diferentes formas. As crianças refletiram sobre o sentido de explorar os contextos das histórias, recontaram as histórias contadas por mim, buscaram outras por meio dos familiares ou nos livros da sala de leitura e desenharam, recriaram ou dramatizaram essas novas histórias. Alguns alunos criaram poemas e histórias vividas ou imaginadas. Entre eles, me chamou atenção um garoto de doze anos , chamado Natanael de Jesus Sousa, da EMEF Airton Arantes Ribeiro.

Toda vez que eu entrava na sala de aula ele criava uma história. Costumava brincar com ele: “Parece que você tem um motorzinho na cabeça!”. Quando propus a ideia de organizar as suas histórias em livros, muitos de seus colegas se propuseram a ajudar na organização (capa, título, ilustrações etc.). Por esses motivos, considero importante repassar as histórias contadas pelo meu pai para que outras pessoas possam conhecê-las e atribuir novos significados a elas. Pois existem muitas formas de expressar sobre a realidade vivida. Essas histórias possuem uma linguagem dinâmica e por meio delas também é possível à reflexão sobre muitas realidades e tempos.

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