Conteúdos

Física moderna

O leitor na narrativa contemporânea
Diego Velázquez
 

Objetivos

• Estudar conceitos de física moderna e pensar seus efeitos em nossa vida cotidiana.

• Conhecer a narrativa breve de Julio Cortázar e investigar as possibilidades do narrador na ficção;
• Estudar a obra de Diego Velázquez e realizar obras visuais que possam incluir o espectador em seu campo de visão.
 

1ª Etapa: Antes do Filme

O curta não exige grande preparação anterior à exibição. O mais importante seria exibi-lo em um momento em que os alunos estejam preparados para assimilar a sua proposta inovadora. De qualquer forma, devido a sua curta duração, é possível reproduzi-lo mais de uma vez, caso haja necessidade. Assim seria possível observar detalhes e acompanhar melhor o raciocínio proposto pela obra.

 

2ª Etapa: Debate

No debate posterior à exibição, os professores podem perguntar aos alunos qual era, afinal, a grande descoberta que o personagem tinha feito. A partir dessa pergunta e da tentativa de respondê-la, podem repassar os argumentos principais do curta e ir esclarecendo as dúvidas dos alunos. Quais diferenças ele propõe entre a ciência e a arte? Quais os aspectos principais da teoria quântica e da relatividade? Qual a chave do quadro de Velázquez?

 

O objetivo da atividade com o filme seria chegar à conclusão da importância do observador, tanto na arte como na ciência (em especial nas teorias modernas e contemporâneas). Seria interessante que os alunos notem como o diretor joga com essa ideia mostrando o reflexo do observador no quadro e sua distração quanto aparece a moça ao invés de elaborar a teoria oralmente, ou seja, a ciência nunca está isenta da perspectiva do observador, e este termina interferindo no resultado da experiência. Para esse debate, é possível rever a obra quantas vezes forem necessárias.

3ª Etapa: Física: Teoria Quântica da Gravidade?

O curta trata da incompatibilidade entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica, que funcionam simultaneamente nos níveis micro e macro, mas são teoricamente incompatíveis. E, ainda, um grande sonho da ciência moderna, o de unir essas duas teorias. O professor de Física pode aproveitar as questões levantadas pelo curta-metragem para introduzir os alunos em conceitos de Física Moderna.  Para ajudar na explicação dessas ideias, tão abstratas e misteriosas, sugerimos a exibição do documentário citado em “Para saber mais”.

 

Devido à dificuldade de elaborar em aula experiências sobre essas teorias, o professor pode pedir aos alunos que, em grupos, investiguem as consequências dessa teoria no mundo real. Quais elementos da tecnologia contemporânea devem sua descoberta à mecânica quântica? Quais são as expectativas futuras nesse campo? A partir dessa pesquisa, e daquilo que mais lhes chamou a atenção, os grupos podem, com auxílio do professor, escrever narrativas de ficção científica que explorem as possibilidades hipotéticas da mecânica quântica.

 

4ª Etapa: Literatura – Cortázar e o leitor em perigo

Ao longo da história da narrativa, um dos grandes aspectos explorados pelos escritores é a questão do ponto de vista. Que diferenças implicam um narrador onisciente, em primeira pessoa, personagem ou observador. O escritor argentino Julio Cortázar desenvolveu um modelo de conto em que a narração faz um movimento circular, e o narrador (ainda que pareça um mero observador) termina se transformando naquilo que observa. No conto “Axolotl” o narrador observa um peixe em um aquário até que termina transformando-se no próprio peixe. Em “A continuação dos parques”, o leitor observa a preparação de um assassinato que acaba descobrindo ser o assassinato do próprio leitor, aquele que lia o romance. Esse tipo de narrativa faz interrogações bastante parecidas às da física quântica, em que existem duas ou mais realidades simultâneas, que não é possível determinar uma verdade única, e que o leitor precisa investigar simultaneamente para entender o conto. É como se existissem dois pontos de vista ao mesmo tempo em cada momento da narração. Além disso, o observador não está isento daquilo observa – uma crença da literatura da ciência clássicas – mas altera o resultado de sua observação e ainda é afetado por ela.

 

O professor de literatura, integrando-se ao trabalho com o curta-metragem, pode fazer um exercício de leitura de um ou mais contos de Júlio Cortázar – “A continuação dos parques” é bem divertido e curto, permitindo trabalhar uma série de aspectos interessantes, como por exemplo os “clichês” de uma novela romântica, de traição – focando-se no lugar ocupado pelo “leitor” ou “observador da narrativa”. O exercício posterior a ser feito é a redação pelos alunos de uma narrativa breve em que o leitor é a figura mais importante. Eles devem imaginar uma história que em algum momento o leitor passe a fazer parte, interferindo em sua resolução e sendo afetado por ela.

 

5ª Etapa: Arte – “As meninas” e o espectador

A obra de Velázquez mostrada e analisada no curta-metragem chama a atenção principalmente pelo fato de que, na profusão de olhares e recursos da cena pintada, o artista consegue incluir o observador da obra na projeção da mesma. Ocupamos o lugar que estaria refletido no espelho ao fundo da tela, e para onde alguns dos personagens estariam olhando. Este efeito incrível é gerado pela maestria pictórica de Velázquez.

 

O professor de arte pode aprofundar com os alunos a análise dessa obra (que pode ser visualizada em alta definição no site do Museu do Prado), e propor um exercício prático: criar uma obra visual em que o observador também faça parte, tal como na obra de Velázquez. Os alunos, no entanto, poderão ser livres para usar os materiais que quiserem, como espelhos, papel alumínio, plásticos, etc. A partir do curta-metragem e das outras discussões derivadas, refletir sobre o lugar do observador na arte e buscar engrenagens para incluí-lo em sua busca visual. 

 

Materiais Relacionados

• Uma versão em crônica do curta escrito por Jorge Furtado.

• Conheça mais sobre a Casa de Cinema de Porto Alegre.

• E sobre o diretor Jorge Furtado.
 
• Saiba mais sobre a mecânica quântica.
 
• Artigo sobre uma experiência de estudo de física quântica no ensino médio regular
 
• Saiba mais sobre as aplicações da física quântica no dia a dia
 
• Como ver “As Meninas” em alta resolução
 
• Saiba mais sobre “As Meninas”
 
• Artigo sobre noções de física quântica em contos de Júlio Cortázar
 
• Saiba mais sobre modos de narração
 
Sinopse
 
Um Jovem Cientista, refletindo sobre as teorias contemporâneas da ciência – A mecânica quântica e a Relatividade – acredita ter encontrado uma grande explicação para a ciência a partir do quadro "As meninas" de Velázquez. O Curta de Jorge Furtado, como já é marca do diretor, aposta na montagem rápida, ao mesmo tempo didática e criativa, conseguindo instigar uma série de questões em seus apenas 3’20 de duração.
 
Ficha Técnica: Direção: Jorge Furtado  Roteiro: Jorge Furtado  Classificação etária: Livre  Duração: 3’20  Ano: 2010  Elenco: Felipe de Paula e Renata de Lélis  Nacionalidade: Brasil  Fotografia: Juliano Lopes  Produção de arte: William Valduga  Música: Alex Sernambi  Animação: Estúdio Makako  Figurino: Cacá Velasco  Produção: Nora Goulart e Bel Merel
 
 

Arquivos anexados

  1. Velázquez e a Teoria Quântica da Gravidade

Tags relacionadas

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.