Conteúdos

– Independência do Brasil e dos países da América Latina
– Período imperial brasileiro
– Guerras latino-americanas
– Batalhas e processos da Guerra do Paraguai

Objetivos

– Entender o período imperial brasileiro
– Aprender sobre os processos de independência dos países latino-americanos
– Debater a respeito do pacifismo e do homem cortês brasileiro
– Conhecer o período da Guerra do Paraguai e suas batalhas

Previsão para aplicação:
4 a 5 aulas (40 min/aula)

Sugestão para aplicação EaD:

1) Jitsi Meet: é um sistema de código aberto e gratuito, com o objetivo de permitir a criação e implementação de soluções seguras para videoconferências via internet com áudio, discagem, gravação e transmissão simultânea. Possui capacidade para até 200 pessoas, não há necessidade de criar uma conta, você pode acessar através do seu navegador ou fazer o download do aplicativo disponível para Android e iOS. Trabalhando com essa ferramenta, é possível:
– Compartilhar sua área de trabalho, apresentações e arquivos;
– Convidar usuários para a videoconferência por meio de um URL simples e personalizado;
– Editar documentos simultaneamente usando Etherpad (editor de texto on-line de código aberto);
– Trocar mensagens através do bate-papo integrado;
– Visualizar automaticamente o orador ativo ou escolher manualmente o participante que deseja ver na tela;
– Reproduzir um vídeo do YouTube para todos os participantes.

2) Gravação de vídeo aula usando o Power Point: o PPT, já tão utilizado pelos(as) professores(as), também permite a gravação de uma narração para os slides, que tanto auxiliam na explanação dos conteúdos. Se quiser habilitar a função de vídeo enquanto grava, os alunos verão o(a) professor(a) em uma janelinha no canto direito da apresentação. O legal dessa ferramenta é que ela é bem simples e eficaz. Consulte o guia.

3) Envio de podcast aos alunos: talvez esse nome ainda seja novidade para você, mas Podcast nada mais é do que um áudio gravado. Podem ser utilizados para narrar uma história, para correção de atividades, revisar ou aprofundar os conteúdos. Para tanto, sugiro o app Anchor, que pode ser baixado em seu celular, fácil e simples de utilizar.

4) Plataforma Google Classroom: o Classroom permite que você crie uma sala de aula virtual. Esta ação irá gerar um link que será compartilhado com os alunos, para que acessem à sala de aula virtual. Neste ambiente, o(a) professor(a) poderá criar postagens de avisos, textos, slides de PPT, conteúdos, links de vídeos, roteiros de estudos, atividades etc. É uma forma bem simples e eficaz de manter a comunicação com os alunos e postar as aulas gravadas. Uma dica é conferir outros recursos oferecidos pelo Google, como a construção de formulários (google forms) para serem realizadas pelos alunos.

Além dessas ferramentas, sugiro aulas com 30 minutos de duração, uma vez que aulas online acabam rendendo mais do que as presenciais. Além disso, nem toda aula precisa resultar em uma atividade avaliativa, para não sobrecarregar o aluno. As aulas virtuais também podem ser úteis para correção de exercícios e plantões de dúvidas.

1ª Etapa: Os antecedentes – independência do Brasil e independência dos países latino-americanos

Independência do Brasil: início do período imperial

A independência do Brasil foi um processo muito distinto das independências dos outros países da América Latina, já que foi completamente mediada pela elite brasileira e o Brasil tornou-se uma monarquia escravocrata. Ela ocorreu em 1822 e terminou com Pedro I, o Pedro de Alcântara, como Imperador.

A família real portuguesa vivia no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, desde 1808, quando deixou a Europa sob as ameaças de invasão de Napoleão. A Coroa portuguesa foi a primeira que se transferiu para a América. O período conhecido como Joanino, graças ao rei Dom João IV, de Portugal, ficou marcado pelo fim do pacto colonial. O pacto colonial anterior impunha que o Brasil fizesse comércio exclusivamente com Portugal, mas se a corte estava no país, o comércio poderia ser direto com outros países, sendo a Inglaterra o principal parceiro comercial luso-brasileiro nesse momento e regente de Portugal na ausência da Corte. Em 1815, o Brasil oficialmente deixou de ser uma colônia e passou a ser membro do Reino Unido de Portugal e sede administrativa do rei, denominado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Foi ainda durante o período que houve a mudança da capital para o Rio de Janeiro e, consequentemente, o súbito aumento da população do sudeste, com migração interna e imigração de Portugal. A língua mais falada passou a ser o português, ao invés do Tupi e outras línguas indígenas que conviviam lado-a-lado. A Coroa operou obras de modernização da cidade do Rio de Janeiro, bem como criou o Jardim Botânico, a Biblioteca e Imprensa Real, a Academia Real de Belas Artes e a criação de cursos de medicina.
Se o Brasil cresceu economicamente e tinha investimentos e melhorias em infraestrutura, cultura e educação, o mesmo não podia afirmar em relação à Portugal. Com o Brasil elevado ao status de membro do Reino Unido, comerciantes perderam posto privilegiado de comércio com a até então colônia. Além disso, com o rei despachando e governando da América, havia uma distância entre ele e as demandas de seus cidadãos.

Portugal havia ficado sob regência da Inglaterra durante a permanência do rei no Brasil, o que também gerava descontentamento de membros da elite a respeito de sua falta de autonomia. O período que durou de 1815 a 1820, foi extremamente conturbado no país Ibérico e culminou na Revolução Liberal do Porto e na volta de Dom João para Portugal.

A Revolução Liberal do Porto já se gestava desde 1817, quando grupos de comerciantes, maçons e oficiais do exército haviam se rebelado em Lisboa, justamente contra a interferência da Inglaterra. O grupo se autoproclamou regente e instalou um pequeno parlamento decisório que foi punido e condenado a morte. Três anos depois, na cidade de Porto, outro grupo formado por membros da Igreja, comerciantes, nobres e oficiais do exército se levantou contra o absolutismo real, contra a regência britânica e formou a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino. Através de um manifesto denominado “Manifesto da Nação Portuguesa aos Soberanos e Povos da Europa”, o grupo reafirmava lealdade ao rei, mas exigia seu retorno ao país, bem como o fim do poder absoluto com a criação de um parlamento e a volta do Brasil à condição de colônia portuguesa. Muito embora Dom João tenha voltado à Portugal e cedido à grande parte das demandas dos rebelados, Dom Pedro I, seu filho, ficou no Brasil como príncipe regente, em uma tentativa de Dom João de manter o país subordinado.

No Brasil, a elite econômica havia se reunido em torno do príncipe regente Pedro I e exigia também uma série de reformas liberais e de independência. Em Portugal, por sua vez, a Corte formada durante a Revolução Liberal exigia menor autonomia do Brasil e o retorno imediato ao status de colônia, bem como a volta de Pedro ao país. Na virada do ano de 1821 a 1822, a Corte enviou uma carta ao Brasil, exigindo, portanto, o retorno de Dom Pedro. O grande medo da elite brasileira naquele momento era que a população se revoltasse contra a volta de Dom Pedro e o retorno ao status de colônia pré 1808. Já havia ocorrido os processos de independência de diversos países latinos através de guerras e revoltas populares, bem como no próprio Brasil ocorreram levantes, como em Pernambuco em 1817. A principal questão no caso das elites era que nos países latinos que haviam feito suas independências da Espanha, todos aboliram a escravidão.

Do lado de Dom Pedro, por sua vez, houve duas questões primordiais: por um lado, ele não era bem quisto na Corte que não queria que ele voltasse ao país propriamente dito, e sim à Europa, onde deveria fazer um tour de estudos. Logo, ele não teria em Portugal o mesmo poder de rei que tinha no Brasil. A outra questão diz respeito ao amplo apoio popular que teve para sua permanência aqui, já que recebeu um abaixo assinado com cerca de 8 mil assinaturas exigindo sua permanência. Dia 09 de janeiro de 1822, Dom Pedro I recebeu esse abaixo assinado e decidiu ficar no país. Esse dia ficou conhecido na história do Brasil como o “Dia do Fico”.

A partir dessa resolução, Brasil e Portugal foram progressivamente se afastando. Em 1822, Dom Pedro promulgou o decreto conhecido como “Cumpra-se”, que determinava que as medidas de Portugal somente teriam validade depois de aprovadas por ele. Formou também uma Assembleia Constituinte e deu início a escrita da primeira Constituição Brasileira, a de 1824. No mesmo ano, em agosto, a Corte de Portugal havia determinado que o Brasil deveria voltar status de colônia, deixando a situação incontornável e sem acordo. No dia 07 de setembro de 1822, Dom Pedro proclamou a independência do Brasil.

A maior questão que diferenciou a independência brasileira das outras na América Latina é que, por ser controlada pela elite, manteve o Brasil independente não só monárquico, mas também, e sobretudo, escravocrata. Apesar de tranquilo, nos dois anos seguintes à proclamação, houve guerra de independência e movimentos não adesistas que preferiam ter se mantido aliados à Portugal.

Após a independência, o Brasil tornou-se oficialmente Império do Brasil e sua forma de governo uma monarquia constitucional. Esse período pode ser dividido em três momentos: o primeiro, sob Pedro I; o segundo, regencial; e o terceiro, com Pedro II a frente do país.

O governo de Pedro I foi marcado por instabilidade política, revoltas e momentos nos quais o imperador cerceou poderes do parlamento. Os principais eventos desse período foram a Confederação do Equador, em 1823; a Noite da Agonia, em 1824 e a Guerra Cisplatina, encerrada oficialmente em 1828. No Brasil, debates como abolição da escravidão, movimento republicano, limitação dos poderes reais e outros eram recorrentes no parlamento e na imprensa, o que gerou a impopularidade de Dom Pedro I e seu retorno a Portugal em 1831.
Sua renúncia deixou o trono na vacância, já que seu filho, Pedro II, tinha apenas 5 anos de idade. O período que durou de 1831 a 1840 ficou conhecido como Período Regencial que, embora curto, contou com quatro regências diferentes.

A Trina Provisória, composta por Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco de Lima e Silva foi conhecida como moderadora e durou somente dois meses do ano de 1831. Ela desfez algumas leis que haviam sido impostas por Pedro I e anistiou ministros que haviam sido condenados por ele por ter ido contra suas determinações ou por outras questões que ele havia considerado criminosas. Além disso ampliou os poderes da Câmara dos Deputados e criou as condições para a transferência de poder para a regência Trina Permanente, que durou até 1835.

A Trina Permanente foi composta por Francisco Lima e Silva, João Bráulio Muniz e José da Costa Carvalho e foi caracterizada por ser repressora e conservadora. Foi durante esse período que o Padre Diogo Antônio Feijó assumiu o ministério da justiça e formou a Guarda Nacional que, muito embora tivesse esse nome, eram grupos controlados pelas elites locais do país, tais como milícias regionais. Foi o início do que convencionou-se chamar de coronelismo, já que o governo cedia o título de coronel ao latifundiário que tivesse sob seu comando uma parte dessa guarda.

Dentro do exército, Feijó tentou ampliar seus poderes e renovou o quadro, formando as condições para a implantação de um golpe para promover a regência Una. Em 1834, o Ato Adicional promoveu a criação de Assembleias Legislativas locais, permitindo o exercício de poder por parte das elites, como uma concessão, conseguindo, por outro lado, maior poder sobre as forças armadas e a regência una, sem poder moderador e centralizada somente em sua figura. Esse período apresentou uma enorme movimentação e efervescência social, com revoltas populares, abolicionistas, separatistas e militares, tais como a Cabanagem, a Balaiada, a Sabinada, a Revolta dos Malês e, por último, a Farroupilha.

Sua regência também ficou marcada pela formação dos dois grupos políticos principais do período imperial: os Liberais, formados por clérigos e pelos grandes proprietários do Sul, que pregavam autonomia das províncias e um governo menos centralizado e centralizador; e os Conservadores, formado por magistrados e burocratas de estado e pelos grandes proprietários do Norte e Nordeste. Ambos, apesar do nome, eram escravocratas com raras exceções entre seus quadros.

Feijó não se sustentou ao longo dos quatro anos que deveria ter ficado no poder, segundo o Ato Adicional que previa eleições após esse período. A situação política nacional em convulsão e o descontentamento das elites locais com as revoltas, tornaram insustentável sua manutenção e este saiu em 1837, dando início ao período da Regência Una de Araújo Lima.

Araújo Lima era pernambucano e foi eleito entre os conservadores. Ele reviu várias leis que haviam sido votadas durante a regência de Feijó, entre elas a relativa autonomia dada às províncias com a criação das Assembleias Legislativas e tentou retomar a centralização existente a partir do direito a nomeação de funcionários públicos, de polícia e justiça. Essa situação gerou grande descontentamento entre as fileiras liberais e estes, reunidos em torno do chamado Clube da Maioridade, iniciaram um processo que culminou na antecipação da maioridade de Dom Pedro II e no início adiantado do Segundo Reinado, quando Pedro II tinha apenas 14 anos.

Ao contrário dos seus antecessores, Dom Pedro II foi uma figura popular entre o povo e entre a própria elite do país. Seu reinado durou 49 anos e caiu sob a Proclamação da República, ou Golpe Republicano, em 1889. A Guerra do Paraguai e a abolição da escravidão tiveram especial efeito em sua queda.

Pedro II manteve a autonomia entre as províncias e até fortaleceu a divisão entre elas com o favorecimento do coronelismo, uma forma de administração descentralizada do país que favorecia os grandes latifundiários locais através das eleições para deputados e a organização da ordem pelas milícias próprias. Em 1847, ele também alterou a organização política para Parlamentarista, mantendo a representação de cada uma das províncias e dos partidos daquele momento, o Liberal e o Conservador. Ambos não diferiam muito em seus programas políticos, sendo as principais questões como autonomia provincial e manutenção da escravidão um acordo, ainda que tácito. Ficava a critério do imperador a escolha do Presidente do Conselho, um cargo equivalente ao Primeiro Ministro, através de uma lista tríplice elaborada pelos deputados.

O governo de Pedro II se caracterizou por um avanço da economia impulsionado pela produção cafeeira no sudeste e sul do país e as melhorias de infraestrutura necessárias para a exportação do produto. Por outro lado, foi também em sua gestão que o número de escravizados trazidos de forma totalmente ilegal aumentou vertiginosamente, apesar de votadas as leis Eusébio de Queiroz, a lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários.

A escravidão era pedra de toque para os dois partidos políticos. Apesar de conhecido pela proclamação da Lei Áurea, em 1888 e ter a fama histórica de se colocar contra a escravidão, Pedro II demorou 48 anos para de fato tornar a escravidão de negros e africanos ilegal no Brasil, e o fez pela assinatura de sua filha e não pela sua própria.

O coronelismo, os movimentos abolicionistas, a Guarda Nacional, o exército e a tendência imperialista de Pedro II foram elementos essenciais para a deflagração e durante a Guerra do Paraguai. O conflito também foi essencial para sua queda e para a abolição da escravidão, bem como alterou significativamente a relação de forças e a economia do país. Apesar de vitorioso, o Brasil tornou-se outro país após a guerra e Dom Pedro II pagou um preço pelo exagero da empreitada.

Processos de independência de Argentina, Uruguai e Paraguai

Os processos de independência dos países latino-americanos, sobretudo dos países fronteiriços ao Brasil e da Bacia do Rio da Prata, tiveram processos bastante distintos do brasileiro. A começar porque sofreram mudanças territoriais e tiveram guerras e conflitos internos contra sua metrópole, a Espanha.

O vice-reino do Rio da Prata, com capital em Buenos Aires, foi fundado tardiamente pela Espanha, somente no século XVIII, em 1776. Isso ocorreu graças à distância entre a metrópole e a colônia e porque inicialmente não se sabia da presença de metais preciosos na região. O território era composto pelo o que é atualmente Argentina, Paraguai e Uruguai.

Por ter ficado tanto tempo sem o controle da Espanha, os colonos da região – conhecidos como criollos, que são descendentes de espanhóis nascidos na América – dispunham de certa autonomia administrativa e não aceitavam de forma totalmente pacífica a imposição tardia espanhola sob o território. Além disso, já no início do século XIX, a Espanha era aliada de Napoleão e por isso havia rompido relações com a Inglaterra. Esta, por sua vez, tentou invadir os territórios latinos da Bacia do Prata e enfrentou forte resistência por parte dos colonos sem o auxílio da Espanha para contê-los. A situação aumentou a rebeldia dos colonos, já que não haviam tido auxílio espanhol para resistir, mas o fizeram mesmo assim.

Com o trono espanhol ocupado por Napoleão em 1808 e o Rei Fernando VII preso, o vice-reino escolheu seu governante, Santiago Liniers, sem o consentimento da metrópole. Em 1810, com a apoio velado da Inglaterra, a província de Buenos Aires formou uma Junta de Governo e levantou-se contra a metrópole no evento conhecido como “Revolução de Maio”. Foi a partir desse momento que as províncias de Argentina, Uruguai e Paraguai começaram a desenhar seus territórios mais próximo do que conhecemos hoje.

A Junta de Buenos Aires se declarou leal ao rei, mas queria autonomia para tomar decisões. Ao mesmo tempo, Buenos Aires queria exercer domínio sobre as outras províncias da região, o que gerou revolta dos outros colonos e proprietários de terra. O Paraguai foi o primeiro território a se separar da Argentina e declarar sua independência, em 1811. Seu primeiro líder foi José Gaspar Rodrigues Francia. Em 1816, a atual Argentina tornou-se independente e o país passou a chamar-se Províncias Unidas do Rio da Prata, contando com parte do território do Uruguai e da Bolívia.

Apesar de independentes da Espanha, a região passou por guerras internas e externas que perduraram até pelo menos a metade do século. Na região da atual Argentina, colonos que lutavam pela independência completa e aqueles que lutavam pela autonomia com fidelidade à Espanha se enfrentaram até pelo menos 1860, mesmo após a independência.

Em 1821, por exemplo, Portugal anexou ao Brasil parte do território uruguaio sob a denominação de Província Cisplatina. A atual região do Uruguai e seus colonos se incorporaram à luta anticolonial em 1814, junto ao grupo de Buenos Aires, porém também pela autonomia territorial da região. Além de lutar contra sua metrópole e contra o domínio de Buenos Aires, José Artigas, líder da revolta, também precisou enfrentar as tropas portuguesas de Dom Pedro I. Havia duas principais razões para isso: a primeira, o discurso republicano e abolicionista de Artigas; e a segunda, o domínio do Rio da Prata, saída marítima das províncias do Rio Grande do Sul e área com vasta exploração de minérios e pedras preciosas.

Região de disputa desde pelo menos meados do século XVII, a região da Cisplatina era também conhecida como Colônia do Sacramento. As invasões portuguesas na região levaram cinco anos para se consolidar, mas em 1821 havia cessado. Em 1825, Juan Antonio Lavalleja liderou uma rebelião que deu início à Guerra Cisplatina, contra o governo de Dom Pedro I. Ela durou cerca de três anos e teve como consequência a separação da região do Brasil, mas também da Argentina e a formação de um país independente: a República Oriental do Uruguai.

Assim como a Argentina, o Uruguai caiu em uma intensa guerra civil e disputa de poder que duraria até pelo menos o ano de 1851. Os partidos formados nesse momento, os conservadores, também chamados de blancos e os liberais, colorados, são até hoje os principais partidos uruguaios.

O Paraguai, por sua vez, rompeu com o vice-reino do Rio da Prata logo no início dos motins, em 1811, tendo à frente José Gaspar Rodriguez Francia. Após sua morte, em 1840, sobe ao poder Carlos Antonio Lopez, que empreendeu uma política modernizadora na região, realizando processos de industrialização e a construção de ferrovias. O Paraguai não se tornou, no entanto, uma república. Esse conceito inclusive se desenvolve ao longo do século XIX, mas não é exatamente igual a ideia que se tem hoje de república e muito menos de democracia e, da mesma forma que Francia havia ficado no poder por 25 anos, Carlos Lopez faleceu na presidência do Paraguai e passou para seu filho, Francisco Solano Lopez, em 1862. Foram Lopez e Pedro II os responsáveis, cada um a seu modo, pelo maior conflito da América, ficando atrás apenas da Guerra de Secessão nos EUA, foi o conflito com maior número de mortes até a Primeira Guerra Mundial.

Brasil Imperial: intervenção no Uruguai e Tríplice Aliança

A situação política da Bacia do Rio da Prata e do Sul do Brasil, bem como da América Latina, era bastante instável durante o século XIX, período no qual houve busca pela independência e autonomia. Como vimos, o vice-reinado do Rio da Prata se dividiu em três países e seguiu com guerras civis. No Brasil, apesar da independência ter sido mediada pelas elites, na tentativa de envolver pouquíssima parte da população, os anos seguintes também não foram de marasmo, mas de levantes contra a independência ou a favor de maior liberdade e autonomia para as províncias.

Apesar de toda essa crise interna que se seguiu, o Brasil tinha, na segunda metade do século XIX, ganas imperialistas. Com o governo de Pedro II, houve certa estabilidade e, ao mesmo tempo, um desejo de ocupa mais o espaço geopolítico da região. O governo brasileiro, no entanto, não era o único que tinha esse desejo expansionista. Solano Lopez, no Paraguai, partilhava de ideia parecida, mas mais do que vontade de expandir-se, o governo de Lopez precisava também se proteger de assédios brasileiros e da expansão de um país como o Brasil.

É importante enfatizar que há alguns projetos políticos que estão colocados nesse momento para o Brasil. Apesar de fazer um discurso ilustrado e alinhado com os liberais e iluministas, Dom Pedro II continuava sendo um nobre e podia usufruir do poder moderador, se necessário. Nesse sentido, o governo brasileiro não tinha nada de republicano ou progressista, apesar de sua figura ter ficado para a história muitas vezes dessa maneira.

Além disso, Pedro II também acumulou a fama de libertador de escravos e de pró-abolição. No entanto, não foi bem assim que as coisas ocorreram em seu governo e a intervenção na política externa de países que haviam realizado processos de independência abolicionistas também demonstra o contrário de sua fama.
O estopim para o início da Guerra do Paraguai foi a intervenção política externa brasileira na transição de poder no Uruguai. Foi, no entanto, Solano Lopez que iniciou o conflito, sob o pretenso argumento de proteção à autonomia dos outros territórios e contra a expansão imperialista brasileira.

Como já dito, o poder no Uruguai era disputado por Colorados e Blancos. O governo brasileiro apoiava o partido Colorado, composto por comerciantes que faziam transações com criadores de gado do sul do Brasil. O Partido Blanco era dos criadores de gado uruguaios e fazia lobby contra os brasileiros, apoiados por Buenos Aires. Na transição do poder, a vitória foi para os Blancos. Em 1864, Pedro II invadiu Montevideu e Buenos Aires, e substituiu seus líderes por governantes impostos e favoráveis ao Brasil. É nesse contexto que Lopez, no Paraguai, reage e rompe relações com o Brasil, dando início ao processo que culminou na Guerra do Paraguai.

Para apresentação desse conteúdo aos alunos, sugiro a gravação de dois ou três Podcasts (com a plataforma sugerida anteriormente). As gravações poderão ser disponibilizadas aos alunos através do Google Classroom. Também pode ser interessante solicitar que cada aluno escreva o que mais marcou em cada Podcast ouvido, gerando um possível debate em uma aula virtual ao vivo, através da plataforma Jitsi Meet.

2ª Etapa: A Guerra do Paraguai (1864 – 1870): batalhas e processos

A Guerra que durou muito tempo

No Brasil, o maior conflito bélico antes da Primeira Guerra Mundial e o segundo maior em número de mortos da América – atrás apenas da Guerra de Secessão – ficou conhecido como Guerra do Paraguai. No Paraguai, na Argentina no Uruguai é mais comum encontrar na historiografia como Guerra Tríplice, porque houve uma aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Apesar de a Tríplice sair como vitoriosa do conflito, não houve verdadeiramente uma vitória, mas múltiplas derrotas e todos os envolvidos saíram em frangalhos.

Até os anos de 1990, a historiografia tinha duas explicações para a Guerra do Paraguai: a primeira colocava a Inglaterra como uma das principais responsáveis pelo conflito, partindo da ideia de que o Uruguai era um país autônomo e potencialmente um período para os britânicos na região, já que era uma potência. A outra explicação colocava unilateralmente Solano Lopez como o único responsável, transformando-o em um tirano louco com ganas imperialistas. Essas explicações careciam de dados precisos e de fontes, sendo muito mais ideológicas do que de fato correspondentes à realidade dos quatro países e da bacia platina no momento em questão.

Em primeiro lugar, hoje é bastante aceito que o Paraguai não era uma potência financeira. O Paraguai encontrava-se isolado dos outros países da região, em partes por autoproteção imposta pelos três governantes do país, e porque Buenos Aires não reconhecia o seu estado de independência do vice-reinado. Em relação à interferência da Inglaterra, hoje comprova-se que não houve – ao menos não do lado brasileiro – já que a Inglaterra não estava com boas relações diplomáticas com o império, que queria que acabasse a escravidão e o Brasil insistia em continuar, e também porque ela havia sido responsável pelo auxílio na modernização do exército paraguaio (mais um exemplo de que o Paraguai não era uma potência independente). Uma questão importante de reflexão aberta é o fato de Solano Lopez ser ditador, assim como seu pai. Isso impôs perseguições aos seus opositores, que eventualmente fugiram para os países vizinhos, como Brasil, Uruguai e Argentina. Nesse sentindo, também havia essa pressão posta na época para o início da Guerra.

A maior explicação para a ocorrência do conflito foram disputas internas entre os quatro países, não só pela hegemonia, mas também da livre dominação da navegação do Rio da Prata, que facilitava o acesso ao mar à Leste, além do deslocamento pelo interior do continente e a exploração de metais preciosos. Além disso, a disputa de domínio entre Paraguai e Brasil era muito baseada na questão de que eram os dois únicos países cujos governantes não eram escolhidos em lugar algum. Isso conferia, por um lado, força para disputar a hegemonia e, por outro, desejo de realizar essa disputa. Se o Brasil estava aliado aos colorados, o Paraguai estava aliado aos blancos, que lhe garantiam a saída para o mar, o que gerava um claro conflito de interesse.

A disputa entre colorados e blancos e suas reverberações, geraram um ultimato de Solano Lopez ao governo brasileiro, que ignorou sumariamente, invadindo o Uruguai e interferindo diretamente na eleição do país ao colocar Venâncio Flores, de forma impositiva e externa como presidente do país. O início da Guerra se deu, portanto, quando o Paraguai invadiu o Mato Grosso em dezembro de 1864. Nesse sentido, muito embora o primeiro passo da beligerância do conflito ter partido de Lopez, houve uma escalada de tensão anterior e intervenção múltipla nas eleições uruguaias.

A guerra teve início dia 26 de dezembro de 1864, quando o Paraguai aprisionou a embarcação brasileira Marquês de Olinda, que estava navegando no Rio Paraguai em direção a Cuiabá, cuja única forma de chegar era justamente via fluvial. Lopez deteve o navio e invadiu o Mato Grosso, onde permaneceu até pelo menos o ano de 1868 e destruiu com rapidez os soldados brasileiros da Guarda Nacional presentes em menor número. Do Mato Grosso, seguiu para o atual estado do Rio Grande do Sul de onde pensava em invadir o Uruguai em auxílio aos blancos e contra os colorados. Era, no entanto, necessário para isso passar pelo território argentino Corrientes, algo que o então presidente argentino Bartolomé Miltre não permitiu, já que era aliado dos colorados também. Lopez declarou então guerra à Argentina e invadiu seu território. No dia 1º de maio de 1865, Argentina, Brasil e os colorados uruguaios constituíram a Tríplice Aliança contra paraguaios e blancos uruguaios.

Apesar de ter realizado a primeira ofensiva, as tropas paraguaias logo caíram na defensiva, já que foram derrotados e expulsos do território de Corrientes por parte da população. Assim seguiu até o final da guerra, sem, no entanto, se render aos outros países, uma vez que um dos acordos feitos pela Tríplice Aliança foi somente parar a guerra com Solano morto, o que prolongou muito o conflito. Solano, por outro lado, também não se rendeu para facilitar o fim da guerra, estava em um espaço privilegiado, visto que para o Brasil era difícil de chegar e se manter no sul do país.

É importante colocar a Guerra do Paraguai no contexto da conquista e formação de estado nação do Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil. Solano Lopez era líder de um país pequeno territorialmente, sem saída para o mar e com cerca de 800 mil habitantes. O Brasil tinha 8 milhões, por sua vez. Lopez, no entanto, não achou que teria que enfrentar os três países juntos. Para ele, Buenos Aires não deixar que passasse foi um duro golpe e um grande erro de cálculo.

Apesar de uma população com cerca de um décimo da brasileira, o exército era inquestionavelmente maior, 64 mil homens para cerca de 13 do exército brasileiro. A frota de navios era menor, o que levou a grande derrota paraguaia na guerra cerca de seis meses depois, em 11 de junho de 1865. Os paraguaios organizaram um ataque muito mal sucedido no Rio Riachuelo, um dos afluentes do Paraná. A ideia paraguaia era a de atacar os barcos brasileiros, não para destruí-los, mas para tomá-los para si. Nesse sentido, iriam esperar até de manhã quando começassem a esquentar as caldeiras dos barcos, que eram a vapor, e aí então tomá-los antes de ficarem prontos para reagir. O barco paraguaio teve um problema e atrasou para começar a ação e isso fez com que ao atacar a frota brasileira, esta estivesse em plenas condições de reagir.

A partir desse ataque mal sucedido, o exército brasileiro entrou pelo território paraguaio, onde ocorreram as batalhas decisivas, mas que se prolongaram por mais três anos. Em 1866, a Batalha do Tuiuti terminou com mais de 6000 mortos paraguaios e quase 1000 dos aliados. Em 1867, na Batalha da Laguna, foi o exército brasileiro que sofreu baixas e a Argentina e o Uruguai se retiraram do conflito. A Batalha de Humaitá, em 1868, também demarcou um momento decisivo no qual as tropas brasileiras tomaram o forte de Humaitá e destruíram a principal fortaleza dos paraguaios. Não houve nem rendição de Lopez e em 1869, após as tropas brasileiras chegaram a Assunção, capital do país, foi a vez de Pedro II não aceitar a negociar com Lopez e prolongar a guerra por mais tempo do que era necessário.

O general Solano Lopez morreu em 01 de março de 1870, na região de Cerro Corá, pondo fim à guerra da forma como queria o imperador brasileiro. Não antes, no entanto, de a guerra ter durado 6 anos, resultar na morte de mais de 600 mil paraguaios e na perda de mais de 140 mil quilômetros quadrados de território para Argentina e Brasil. A guerra deixou também mais de 50 mil brasileiros mortos e uma dívida enorme com a Inglaterra que ajudou na modernização do exército brasileiro.

“Voluntários da Pátria” e o exército de escravizados

Até 1864, o “exército” brasileiro era formado basicamente da Guarda Nacional que, como dito anteriormente, era financiado pelos oligarcas locais, chamados de coronéis, graças à venda das patentes por parte do Império. Isso ocorreu, em primeiro lugar por falta de dinheiro de manutenção do exército por parte da monarquia e, em segundo lugar, por um receio da própria de ocorrer um levante contra a coroa se houvesse um exército forte.

Apesar de ser regida e organizada pelas elites locais, cabia à Guarda Nacional intervir e lutar em defesa do território nacional, caso convocada. Os membros da Guarda eram compostos pelos homens, em serviço obrigatório, com idade acima dos 18 anos e com renda superior a 200 mil reis, logo era composto pela elite.

Não era necessário, no entanto, que quem cumprisse fosse a pessoa específica, ela poderia indicar uma pessoa para compor e servir à Guarda em seu lugar. Além disso, a partir de 1860, todos os filhos de estrangeiros acima de 18 anos eram obrigados e servir à Guarda também. Essa lei visava justamente a proteção da fronteira sul, na qual a maioria da população era descendente de estrangeiros.

A Guarda Nacional não era então obrigação do império que contribuía com muito pouco para seu funcionamento. Isso significava que careciam de armamentos, treinamento adequado, roupas e uniformidade em todos os lugares.

Quando a guerra começou essas condições não se alteraram e, ao contrário, pioraram muito de imediato, já que a região em questão era pantanosa e perigosa. Soldados morriam presos ou de doença, além dos conflitos naturais da guerra. Em setembro de 1864, o governo aprovou uma lei que permitiu que quem indicasse uma pessoa para a Guarda Nacional estaria ela mesma dispensada de servir. O que houve então foi que nenhum membro da elite ou seus filhos passaram a servir o exército a partir desse momento. Inscreveram escravizados em seu lugar, bem como homens pobres livres que ocupavam espaço sem emprego nas cidades e no campo. Estes, além da guerra em si, se sujeitaram a castigos corporais e violência física, já que se partia da ideia de que era necessário discipliná-los.

Em 1865, o governo brasileiro criou a campanha e a lei de Corpo de Voluntários da Pátria, na qual retirava as condições de renda e indicação para o ingresso no exército e oferecia uma série de compensações aos homens de 18 a 50 anos que se voluntariassem a combater na guerra. Entre as vantagens estavam soldo e empregos públicos e habitação no retorno. Muitos ex-escravizados ou até escravizados inscritos pelos proprietários, homens livres e desempregados se voluntariaram no exército nesse período. Com o prolongamento da guerra, no entanto, outros métodos de coerção foram usados tanto pelo governo quanto pelos oligarcas.

Um dos grandes resultados que a Guerra do Paraguai trouxe foi o fortalecimento do exército que saiu organizado, maior e com grande efetivo de homens treinados e capacitados que passaram a realizar diversas revoltas nos anos que se seguiram, levando inclusive à República.

O Paraguai, por sua vez, entrou na Guerra com uma quantidade muito superior de membros do exército que o Brasil. Uma quantidade inclusive bastante desproporcional em relação a sua população. Solano Lopez havia se antecipado a batalha e fortalecido o exército. Ocorre que, como o Paraguai já se postou na defensiva desde o primeiro ataque frustrado, o seu exército, embora mais numeroso, sofreu muitas baixas desde o início da Guerra.

Nesta etapa, o(a) professor(a) poderá preparar uma aula expositiva recheada de imagens e gravuras da Guerra, trechos de vídeos e sons relacionados. Esta aula pode ser gravada previamente usando o recurso de gravação do Power Point, e disponibilizada aos alunos via Google Classroom, ou ao vivo, para uma maior interação com os alunos, através do recurso Jitsi Meet. Um filme que pode ser utilizado para esse momento (tanto para o recortes de cenas, com para recomendação aos alunos) é “Guerra do Paraguay, 2016”.

3ª Etapa: Exercício de Reflexão - o Brasil é um país pacífico?

É senso comum avaliar o Brasil e o brasileiro como um povo pacífico e que não realiza guerras. Diante disso, é interessante fazer uma proposta de um debate ao vivo on-line (sugerimos a plataforma Jitsi Meet) ou uma produção escrita sobre o assunto, que pode ser enviada ao (à) professor (a) via Gooogle Classroom. A sugestão é assistir ao episódio 2 da série “Guerras do Brasil.doc” da Netflix (que pode ocorrer de forma coletiva com o uso da plataforma Jitsi Meet e com o recurso de compartilhamento de tela do computador do(a) professor(a)), após as aulas sobre o assunto.

Sempre lembrar que:
1) Apresentar os autores presentes no documentário e contextualizar o canal e o recorte;
2) Lembrar que expressa um aspecto ou posição do conflito;
3) Interessante que os alunos pesquisem outras visões e formas que foram escritas.

4ª Etapa: Exercícios de vestibular - período imperial e Guerra do Paraguai

Para melhor fixação dos conteúdos desenvolvidos nas aulas, sugiro que o(a) professor(a) aplique as questões abaixo, relacionadas ao tema desenvolvido. As questões podem ser construídas através do Google Forms e enviadas aos alunos na aba “Atividades” da plataforma Google Classroom, como tarefa de casa. Lembrando que, se cadastradas previamente as respostas no formulário, o google forms oferece a correção das atividades e o desempenho dos alunos através de gráficos. As questões deverão ser corrigidas de forma coletiva em uma aula virtual ao vivo (Jitsi Meet), com o objetivo de verificar a aprendizagem dos alunos e encerrar a sequência didática.

1) (VUNESP) “A Guerra chegara ao fim. As cidades, as vilas, as aldeias estavam despovoadas. Sobrevivera um quarto da população – cerca de duzentas mil pessoas – noventa por cento do sexo feminino. Dos vinte mil homens ainda com vida, setenta e cinco por cento eram velhos acima de sessenta anos ou garotos menores de dez anos. Os próprios aliados ficaram abismados com a enormidade da catástrofe, a maior sucedida num país americano” – Mânlio Gancogni e Ivan Boris.

O texto refere-se ao conflito externo em que se envolveu o Império Brasileiro, conhecido como a Guerra:
a) da Cisplatina
b) do Chaco
c) de Canudos
d) do Paraguai
e) dos Farrapos

Resposta: D

2 – (Enem-2010) – Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa república que já se viu na América Latina, a do Paraguai.

CHIAVENATTO, J. J. Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado)

O imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, mantém o status quo na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre”. Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria tem alguma repercussão.

DORATIOTO, F. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Cia das Letras, 2002 (adaptado).

Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que ambas estão refletindo sobre
a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais motivos dessa Guerra
b) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra
c) o resultado das intervenções britânicas nos cenários de batalha
d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre os motivos dessa Guerra
e) o nível de crueldade das ações do exército brasileiro e argentino durante o conflito

Resposta: D

3 – (UNEAL) – O final da Guerra do Paraguai acarretou para o Brasil alguns efeitos internos; dentre eles, é incorreto afirmar:
a) crise financeira acarretada pelos empréstimos e dívidas
b) formação do Exército Nacional Brasileiro como corpo disciplinado e profissional
c) liberdade aos escravos que participaram da guerra
d) redução considerável da dívida externa com a Inglaterra, afinal o Brasil saiu vitorioso da guerra
e) estímulo ao abolicionismo e ao republicanismo pelo contato com regimes políticos diversos

Resposta: D

4) (VUNESP) “Guerra do Paraguai” ou “Guerra da Tríplice Aliança”? Não só os nomes variam. Até hoje essa guerra, que causou um forte impacto nas relações entre as partes diretamente envolvidas – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai –, é ensinada de modo diferente aos jovens desses países.
Rosendo Fraga, Nossa História, novembro de 2004.
Para o Brasil, entre as decorrências desse conflito, pode- se apontar:
a) um grande endividamento externo com a Inglaterra e o fortalecimento do Exército.
b) a conquista de amplos territórios e a decadência da produção agro-exportadora.
c) o enfraquecimento do Exército e um aumento substancial da produção industrial.
d) uma forte crise diplomática com a Inglaterra e a extinção do tráfico negreiro.
e) o recrudescimento da escravidão e a conciliação entre conservadores e liberais.

Resposta: A

05. (PUC-SP) O conflito entre Brasil e Paraguai resultou em transformações políticas e sociais no Brasil, tais como:
a) o aumento do prestígio da Guarda Nacional até então desconsiderada pelos políticos civis.
b) a libertação de escravos, tendo em vista sua participação na guerra como combatentes.
c) o afastamento dos militares dos assuntos de natureza interna, pela gravidade das questões de segurança nacional.
d) o fortalecimento do poder pessoal do imperador, pela vitória conseguida na guerra.
e) a crise nacional de mão-de-obra para o café, em virtude das baixas sofridas durante a guerra.

Resposta: B

6) (UFRS) Leia as afirmativas a seguir, referentes à Guerra do Paraguai (1864-1870).
I – A forte retração demográfica verificada no Paraguai durante o confronto bélico ocorreu devido às mortes em combate, às epidemias e à fome.
II – Um dos elementos deflagradores dessa Guerra foi a intervenção brasileira no Uruguai, que culminou com a deposição do presidente Atanásio Aguirre.
III – O conflito envolvendo o Paraguai versus a Tríplice Aliança foi decorrência exclusiva dos interesses econômicos do imperialismo britânico na América do Sul.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.

Resposta: D

7) (UFRRJ) Leia o texto a seguir sobre a Guerra do Paraguai. Enquanto o café seguia sua marcha no Oeste Paulista e as propostas de abolição gradual da escravatura davam os primeiros passos, um acontecimento internacional iria marcar profundamente a história do segundo Império. Esse acontecimento foi a Guerra do Paraguai, travada por mais de cinco anos, entre 11 de novembro de 1864, quando ocorreu o primeiro ato das hostilidades, e 1 de março de 1870. Ela é conhecida, na América espanhola, como Guerra da Tríplice Aliança.

BORIS, F. “História do Brasil”. São Paulo: Edusp, 1995. p. 208.

A declaração de guerra do Paraguai ao Brasil deu início ao mais longo conflito em território americano. Pode-se afirmar que a Guerra do Paraguai
a) resultou do acirramento da competição na região do Prata, especialmente pelo controle da produção de charque.
b) foi incentivada pelo apoio da Inglaterra ao Paraguai, na tentativa de fortalecimento do controle econômico sobre a região do Prata.
c) teve como consequência a demonstração de poder político da Inglaterra, especialmente após a Questão Christie.
d) levou à formação da Tríplice Aliança, unindo Brasil, Argentina e Uruguai, contra o Paraguai de Francisco Solano López.
e) ocasionou uma nova composição de forças, envolvendo Brasil, Argentina e Bolívia, após o aprisionamento do navio brasileiro “Marquês de Olinda”, pelo Uruguai.

Resposta: D

8) (UFGD) De acordo com recentes estudos produzidos no âmbito da historiografia brasileira, como o livro Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai, do historiador Francisco Doratioto (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), entre as causas ou motivações da guerra entre o Paraguai e a Tríplice Aliança podemos citar:
a) a ameaça que Solano López representava aos interesses ingleses na região platina e o acelerado desenvolvimento industrial do Paraguai.
b) o processo de consolidação dos estados nacionais no Prata, as questões de geopolítica regional e os interesses econômicos dos países envolvidos no conflito.
c) o desenvolvimento industrial argentino e sua necessidade de ampliação de mercados na região platina, em especial no antigo Mato Grosso.
d) a situação de extrema fraqueza militar do Paraguai, que estimulou seus vizinhos a atacá-lo.
e) o caráter democrático do regime de Solano López, que constituía uma ameaça aos governos ditatoriais que imperavam nos países vizinhos.

Resposta: B

Questão 1 (VUNESP)
Fonte: Brasil Escola.

Questão 2 (ENEM 2010)
Fonte: Globo Educação.

Questão 3: (UNEAL)
Fonte: Beduka.

Questão 4: (UNESP)
Fonte: Objetivo Resolução Comentada.

Questão 5 (PUC-SP)
Fonte: Exercício Web.

Questão 6 (UFRS), Questão 7 (UFRRJ) e Questão 8 (UFGD)
Fonte: Suporte Geográfico.

Dicas:

1) Canal “Buenas Ideias”, do historiador Eduardo Bueno, tem um vídeo sobre a Guerra do Paraguai.

2) Leituras sobre os “Libertadores da América”:

– VILELA, Túlio. América Independente – Simon Bolívar foi personagem principal. Site Uol Educação.

– VILELA, Túlio. América Independente – Os projetos de Bolívar e San Martin. Site Uol Educação.

3) A tese de Maria Teresa Garritano Dourado, sobre as doenças, a fome e as penalidades as quais os soldados estavam sujeitos na Guerra:

– DOURADO, Maria Teresa Garritano. A história esquecida da Guerra do Paraguai: fome, doenças e penalidades. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas: departamento de História. São Paulo, 2010.

4) Sobre fotografia e iconografia na Guerra do Paraguai:

– TORAL, André Amaral de. Entre retratos e cadáveres: a fotografia na Guerra do Paraguai. In: Revista Brasileira de História. Vol. 19, nº 38. São Paulo, 1999. pp. 283-310.

5) Sobre indígenas na Guerra do Paraguai:

– SILVA, Edson. Memórias Xukuru e Fulni-ô da Guerra do Paraguai. In: Ciências Humanas em Revista. Vol. 03, nº 02. São Luís, 2005. pp. 51-58.

6) Sobre o exército de crianças de Solano Lopez:

– CARVALHO, Herbert. No final eram apenas crianças. In: Revista Problemas Brasileiros, nº 425. SESC – SP, 2005.

Materiais Relacionados

1) Sobre a independência do Brasil:

– BEZERRA, Juliana. Revolução Liberal do Porto. Site Toda Matéria.

– COSTA, Emília Viotti da. Da Senzala à Colônia. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

– NEVES, Daniel. Independência do Brasil. Site Brasil Escola. Disponível em:

Dia do Fico. Site Só História.

2) Sobre o período imperial no Brasil:

– BEZERRA, Juliana. Segundo Reinado. Site Toda Matéria.

– COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

– CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II. Coleção Perfis Brasileiros. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

– QUEIROZ, Túlio. Brasil Império. Site Mundo Educação.

– NEVES, Daniel. Brasil Império. Site Brasil Escola.

– PINTO, Tales dos Santos. Regência Una de Diogo Feijó (1835 – 1837). Site Mundo Educação.

– SOUSA, Reiner. As regências trinas. Site Brasil Escola.

– SOUSA, Reiner. Regência Una de Araújo Lima. Site Brasil Escola.

3) Sobre a política Imperial brasileira na região Platina:

Guerra da Cisplatina. Site Brasil Escola.

– FRANCISCO, Wagner de Cerqueira e. Paraguai. Site Brasil Escola.

– NAZARO, Newton. Cisplatina – Uruguai já foi província brasileira. Site Uol Educação. Disponível em:

– SOUSA, Rainer. O Império Brasileiro na Região Platina. Site Mundo Educação.

– TURCI, Érica. Independência da Argentina – Espanha enfrentou luta por autonomia e influência inglesa. Site Uol Educação.

4) Sobre a Guerra do Paraguai:

– KOHLER, Guilherme. Guerra do Paraguai: o maior conflito sul-americano. Site Politize.

– NEVES, Daniel. Guerra do Paraguai. Site Brasil Escola.

5) Exército na Guerra:

– FERRER, Francisca Carla Santos. A (re) organização do exército brasileiro na Guerra do Paraguai. In: Revista Biblos, número 17, ano 3. Rio Grande, 2005. pp. 121-130.

– MORAES, Denise. Comprando soldados: uma estratégia de recrutamento para a Guerra do Paraguai. Site Café História.

– PINTO, Tales. Guerra do Paraguai e Exército Brasileiro. Site Brasil Escola.

Arquivos anexados

  1. Plano de aula – Guerra do Paraguai

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