Conteúdos

Este plano de aula aborda as características estruturais e semânticas do gênero textual canção e a importância de trabalhar com ele em sala de aula, a partir de três propostas de intervenção com estudantes, que trazem canções populares da música brasileira em momentos diferentes da história.

● Teoria dos gêneros textuais;
● Características do gênero canção;
● Discussão sobre os sentidos das músicas; e
● Construção estética e de fruição.

Objetivos

● Conhecer um pouco das características estruturais do gênero textual canção;
● Entender as diferenças entre os tipos de canção;
● Debater sobre os sentidos semânticos de algumas canções populares; e
● Fruir algumas músicas pertencentes a movimentos populares brasileiros.

Ensine também:

Elementos da narrativa: narrador, personagens, espaço e tempo

Gênero Textual: Notícia

Palavras-chave:

Gêneros textuais. Canção popular. Apreciação estética. Canções importantes.

Previsão para aplicação:

4 a 6 aulas (30 min./aula)

Sugestão de aplicação para o ensino remoto:

As sugestões a seguir estão organizadas em tópicos, com uma breve explicação de cada recurso.

● Jitsi Meet: É um sistema de código aberto e gratuito, com o objetivo de permitir a criação e implementação de soluções seguras para videoconferências via Internet, com áudio, discagem, gravação e transmissão simultânea. Possui capacidade para até 200 pessoas, não há necessidade de criar uma conta, você poderá acessar por meio do seu navegador ou fazer o download do aplicativo usando um celular .
Trabalhando com essa ferramenta, é possível:
– Compartilhar sua área de trabalho, apresentações e arquivos;
– Convidar usuários para uma videoconferência, por meio de um URL simples e personalizado;
– Editar documentos simultaneamente, usando Etherpad (editor de texto on-line de código aberto);
– Trocar mensagens, por meio do bate-papo integrado;
– Visualizar automaticamente o orador ativo ou escolher manualmente o participante que deseja ver na tela; e
– Reproduzir um vídeo do YouTube para todos os participantes.

● Gravação de videoaula usando o Power Point: O PPT, já tão utilizado por nós professores para preparamos nossas aulas, também permite a gravação de uma narração para os slides, que tanto nos auxiliam na explanação dos conteúdos. É possível habilitar a função de vídeo enquanto grava, de forma que os alunos verão o professor em uma janelinha no canto direito da apresentação. Essa ferramenta é bem simples e eficaz (veja o guia).

● Envio de Podcast aos alunos: Podcast nada mais é do que um áudio gravado (como os gravados no WhatsApp, por exemplo). Podem ser utilizados para narrar uma história, para corrigir atividades, revisar ou aprofundar os conteúdos. Para tanto, sugiro o aplicativo Anchor, que pode ser baixado em seu celular, muito simples de utilizar.

● Plataforma Google Classroom: O Classroom permite que você crie uma sala de aula virtual. Esta ação irá gerar um código que será compartilhado com os alunos, para que acessem a sala. Neste ambiente virtual, o/a professor/a poderá criar postagens de avisos, textos, slides do PPT, conteúdos, links de vídeos, roteiros de estudos, atividades etc. É uma forma bem simples e eficaz de manter a comunicação com os alunos e postar as aulas gravadas, usando os recursos anteriormente mencionados. Confira outros recursos oferecidos pela Google, como a construção de formulários (Google Forms) para serem realizados pelos alunos.

Sugerimos aulas com até 30 minutos de duração. Além disso, nem toda aula precisa gerar uma atividade avaliativa, para não sobrecarregar os alunos. As aulas virtuais também podem ser úteis para correção de exercícios e plantões de dúvidas.

1ª Etapa: Gêneros textuais e gênero canção

– Novos gêneros e suas características e potenciais:

O gênero textual canção faz parte do escopo dos textos líricos, tal como a ode, o hino e a poesia, entre outros. Os textos foram classificados, por meio da definição de Aristóteles, como épico, ou narrativo; lírico e dramático. Durante a modernidade e o século XX, a teoria de gêneros proposta pelo filósofo foi questionada e aperfeiçoada por Mikahil Bakhtin e por diversos outros teóricos da língua e da linguagem. De acordo com o autor, os gêneros fazem parte do repertório de produção textual escrita e não escrita dos seres humanos, nesse sentido, eles correspondem às necessidades e manifestações de sua época e, como consequência, refletem o uso da língua e dos seus falantes. A classificação apenas pela tipologia, portanto, não basta para compreender todo o aspecto das manifestações linguísticas possíveis.

A partir da teoria Bakhtiana de gêneros textuais, temos que os textos produzidos no dia a dia apresentam características estáveis e constantes entre si, que possibilitam que os classifiquemos dentro da mesma tipologia, tais como ambiente de produção, agente de produção, intencionalidade e recepção, por um lado, e características estruturais, gramaticais, estéticas, semânticas e semióticas, por outro. Nesse sentido, a classificação de novos gêneros, que correspondam às demandas de criações que já estão acontecendo, é uma realidade. Quando a produção é espontânea, são chamados de gêneros primários e quando, por outro lado, ela corresponde a uma classificação prévia e a uma necessidade específica posta de antemão, são chamados de gêneros secundários.

De acordo com Willian Cereja e Thereza Cochar, os gêneros são classificados de acordo com o seu aspecto tipológico, que são as capacidades de linguagem dominantes em cada um dos gêneros literários. Nesse sentido, temos que, para predominância narrativa, temos gêneros como contos maravilhosos, contos de fadas, romance etc. No que diz respeito a textos cuja maior característica é o relatar, temos o diário, o testemunho e a crônica, por exemplo. Para os que a argumentação é prioritária, os textos de opinião, a carta ao leitor e a resenha crítica podem ser citados. No caso do seminário, palestra, resumos e resenhas, a exposição é o principal aspecto tipológico. Por fim, descrever ações é o que mais se destaca em gêneros como receita, manual de instruções e regras de jogo.

O ensino de gramática e da língua portuguesa a partir de gêneros responde às necessidades de contextualizar o uso da língua, já que ela não existe fora do uso social e histórico. Nesse sentido, novos gêneros são incorporados às classificações já existentes, de acordo com o seu uso. É o caso do e-mail, da mensagem de texto via celular, do vídeo do YouTube e seu roteiro e do PodCast, entre outros.

– Especificidades do gênero canção:

A canção corresponde a uma nova classificação de gênero, muito embora não seja nova a sua ocorrência, muito pelo contrário, sendo a poesia acompanhada de melodia algo sempre registrado pela humanidade. A canção, tal como o poema, tem como principais características a subjetividade, a musicalidade e o sentimento, além da melodia que compõe em conjunto com a letra uma coisa só. São aspectos que conseguem, a partir da fruição, apreciação e interpretação da letra, tocar o ouvinte e mover sentimentos e multidões. A canção é, portanto, um gênero híbrido, porque explora a letra e a melodia, além das relações sociais de produção e o seu sentido em seu contexto de divulgação.

Tal como a poesia, a música apresenta um eu lírico que é diferente do compositor e do intérprete da canção. Ao trabalhar com a canção em sala de aula, também é importante perceber que, muitas vezes, não são a mesma pessoa e pode haver muitas versões da mesma música, inclusive em gêneros e momentos históricos diferentes.

Diferentemente da poesia, a canção também apresenta, do ponto de vista musical, um gênero próprio, tendo seus aspectos melódicos, sonoros, semânticos e sociais, como a produção, o produtor, a distribuição e o ouvinte associados a ele. São gêneros como o hip hop, o rock, a mpb, o samba, o sertanejo, o funk e o forró, entre outros. Esses aspectos conferem às canções um universo muito mais amplo do que apenas a letra e as inserem, algumas vezes, em movimentos políticos, de resistência, de ocupação territorial, de massas, de nicho etc. Nesse sentido, ao trabalhar com ele em sala de aula, recomenda-se que a música seja tocada em conjunto com a letra, e não apenas lida. Se houver vídeos oficiais produzidos pelos artistas, também vale a pena o professor ou a professora avaliar a viabilidade da exibição, porque pode completar a proposta. A canção tem um grande potencial de atração para os estudantes, visto que faz parte de seu cotidiano. O professor deve estar aberto tanto a conhecer o repertório de suas classes quanto para trazer novas canções e movimentos artísticos, de forma a ampliar esse repertório.

São características estruturais da canção:

a) Aspectos gramaticais:
– Linguagem majoritariamente conotativa;
– Função poética;
– Presença de figuras de linguagem; e
– Uso da língua coloquial.

b) Aspectos literários:
– Organização em versos e estrofes
– Quase sempre com rimas e refrões;
– Presença de um título (salvo raras exceções); e
– Acompanhamento musical.

c) Aspectos sociais:
– Nome dos autores e/ou produtores;
– Gênero musical a qual pertence;
– Movimento musical a qual pertence, se pertencer; e
– Contexto histórico, geográfico e social de autores e ouvintes.

2ª Etapa: Conhecendo canções populares - fruição

Proposta 1: Fruição e análise da canção “A ordem natural das coisas” de Emicida, 2019.

– Leia e ouça a canção abaixo:

A ordem natural das coisas
Emicida e MC Tha

A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
De madruga é que as aranha tece no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu

E o Sol só vem depois
O Sol só vem depois
É o astro rei, ok, mas vem depois
O Sol só vem depois

Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
Na calma das mães, que quer o rebento cem por cento
E diz: Leva o documento, Sam
Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
A brasa dorme fria e só quem dança é a fumaça
Orvalho é o pranto dessas planta no sereno
A Lua já tá no Japão, como esse mundo é pequeno
Farelos de um sonho bobinho que a luz contorna
Dar um tapa no quartinho, esse ano sai a reforma
O som das criança indo pra escola convence
O feijão germina no algodão, a vida sempre vence
As nuvens curiosas, como são
Se vestem de cabelo crespo, ancião
Caminham lento, lá pra cima, o firmamento
Pois no fundo ela se finge de neblina
Pra ver o amor dos dois mundos

A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
De madruga é que as aranha tece no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu

E o Sol só vem depois
O Sol só vem depois
É o astro rei, ok, mas vem depois
O Sol só vem depois

A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
De madruga é que as aranha desce no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu

E o Sol só vem depois
O Sol só vem depois
É o astro rei, ok, mas vem depois
O Sol só vem depois

Disponível no YouTube
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

a) Aspectos sociais:

– Nome dos autores e/ou produtores

Emicida é um compositor e cantor paulistano. Nascido na Zona Norte da cidade, Leandro Roque de Oliveira começou sua carreira em batalhas de rua e lançou seu primeiro álbum em 2009. Nos últimos dez anos, conquistou reconhecimento na carreira e também tornou-se produtor. É um dos mais importantes e influentes rappers brasileiros da atualidade.

– Gênero musical ao qual pertence

A música selecionada é do gênero musical hip hop, que em São Paulo tem como grande característica ser produzida e consumida majoritariamente pela população negra, que se reúne desde a década de 1980 no centro da cidade, na rua 24 de maio. O local ficou conhecido como palco de batalhas de rimas e de cultura RAP e de resistência e é de fácil acesso de todas as regiões de São Paulo. Até o momento atual, reúne locais como a Galeria Presidente, onde há salões de cabeleireiro, roupas, spray e skate, bem como a Galeria Olido, conhecida pelas batalhas de rima e reuniões musicais.

– Movimento musical ao qual pertence, se pertencer

O hip hop não pertence exatamente a um movimento, mas a um gênero musical composto por muitas fases e estilos. Há cantores e grupos que fazem letras voltadas para as questões sociais, outros para comportamento e estética e outros, ainda, com letras a melodias mais dançantes e melodiosas. Atualmente, o rap está em foco no meio musical, com ampliação de repertório e temática, além do aumento de cantores e grupos. Independentemente disso, o hip hop é um música de resistência e cultura negras e periféricas.

b) Aspectos gramaticais:

– Linguagem predominantemente conotativa – A linguagem usada pelo autor da letra é figurada, na maior parte do texto. O uso das figuras de linguagem, como as metáforas, deixa isso mais explícito.

Ex. Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
Na calma das mães, quer o rebento cem por cento
E diz: “leva o documento, Sam”
Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã”

No trecho em questão, o eu lírico fala que a manhã de São Paulo tem seus Vietnãs, o que não significa literalmente que seja o Vietnã, mas uma comparação com a Guerra do Vietnã (1969-1975). O uso dessa expressão significa figurativamente que São Paulo pode de manhã pode ter o mesmo aspecto de uma guerra, ao menos para a mãe que teme pelo filho.

– Função poética – A produção valoriza profundamente a letra da canção, construída de forma muito bem elaborada e, inclusive, com referências a outras obras literárias. A função poética transmite uma mensagem de forma sensível e esteticamente bem construída.

Ex. A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o sol nasce
De madruga que as aranha desce no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu

Nesse trecho, além das rimas e da estrutura em versos, Emicida ainda faz referência ao deus grego do sonho e do sono. Portanto, utiliza de imagens e referências para passar a mensagem de que várias coisas estão acontecendo concomitantemente à saída de Dona Maria para o trabalho.

– Presença de figuras de linguagem – As principais figuras de linguagem presentes no texto são a personificação e a metáfora, mas também existem antíteses, anáforas e aliterações.

Exs:
Amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu
Metáfora: “mundo de Morfeu” – usado para dizer que os amantes estão indo dormir.

São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
Metáfora: Vietnã usado para dizer que São Paulo de manhã pode parecer uma guerra.

Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
Personificação: Nesse caso, a vela afaga, algo que um objeto inanimado não faz.
Aliteração: Repetição do “v”, que dá a sensação de sopro.

A brasa dorme fria
Antítese: Duas sensações opostas na mesma oração. Brasa dá a sensação de calor, mas em seguida a palavra fria se opõe a esse sentido.

e só quem dança é a fumaça
Personificação: Característica de ações humanas “dançar” para a fumaça.

Orvalho é o pranto dessa planta no sereno
Metáfora: As gotas de orvalho em cima das plantas estão sendo comparadas a lágrimas.

Nuvens curiosas, como são
Personificação: Curiosidade como uma característica atribuída às nuvens, que não são humanos.

Se vestem de cabelo crespo. Ancião
Metáfora: O formato das nuvens é comparado ao cabelo de pessoas negras idosas, ancestrais, de forma deferente.

E o sol só vem depois
O sol só vem depois
É o astro rei, ok, mas vem depois
O sol só vem depois
Anáfora: Repetição de palavras para dar sentido de ênfase, no caso as palavras “vem depois”.

A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o sol nasce
De madruga que as aranha desce no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu
Aliteração: repetição da consoante “s”, que dá sentido de movimento ritmado.

– Uso da língua coloquial: Em diversos momentos do texto, o eu lírico usa expressões da oralidade e gírias. Por ser paulistano, há uma forte marcação da variante regional na sua fala como, por exemplo, não realizar a concordância nominal entre artigo, substantivo e verbo.

Ex. De madruga que as aranha desce no breu

No exemplo em questão, madruga é uma gíria para madrugada e pode-se observar que o artigo “as” não concorda com o substantivo “aranhas” e o verbo “desce”.

c) Aspectos literários:

– Organização em versos e estrofes, com rimas e refrões:

A canção de Emicida tem 41 versos e 7 estrofes, sendo 3 refrões de um tipo e 3 de outro e uma estrofe inédita. Além disso, tem rimas em todas as suas partes.

1º Refrão (3X)
A merendeira desce, o ônibus sai
Dona Maria já se foi, só depois é que o sol nasce
De madruga que as aranha desce no breu
E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu

Rimas: Dois casos de rimas internas, sendo o trio desce/nasce/desce e a dupla amantes/ofegantes. Um par de rimas finais, breu/Morfeu.

2º Refrão (3X)
E o sol só vem depois
O sol só vem depois
É o astro rei, ok, mas vem depois
O sol só vem depois

Rimas: Além da anáfora já citada com as palavras “vem depois”, que também confere rima, há outro par de rima interna, sendo rei/ok (okei).

Estrofe (1X)
Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
Na calma das mães, que quer o rebento cem por cento
E diz: Leva o documento, Sam
Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
A brasa dorme fria e só quem dança é a fumaça
Orvalho é o pranto dessas planta no sereno
A Lua já tá no Japão, como esse mundo é pequeno
Farelos de um sonho bobinho que a luz contorna
Dar um tapa no quartinho, esse ano sai a reforma
O som das criança indo pra escola convence
O feijão germina no algodão, a vida sempre vence
As nuvens curiosas, como são
Se vestem de cabelo crespo, ancião
Caminham lento, lá pra cima, o firmamento
Pois no fundo ela se finge de neblina
Pra ver o amor dos dois mundos

Rimas: São 8 pares de rimas internas: mães/cães, rebento/ cem por cento, apaga/afaga, bobinho/quartinho, feijão/algodão, lento/firmamento, cima/neblina e fundo/mundo. Ainda apresenta 6 rimas finais Sam/manhã/Vietnã, passa/fumaça, sereno/pequeno, contorna/reforma, convence/vence, são/ancião.

– Presença de um título: “A ordem natural das coisas”
A palavra “natural” no título, remete à ideia de que as pessoas seguem um ciclo no qual o sol determina o horário de acordar junto com o dia, momento em que ocorrem o trabalho e as relações sociais. A letra, no entanto, expressa uma contradição, já que a “merendeira” sai de casa para o trabalho antes mesmo de o sol nascer, o que denota que a crítica expressa na canção é relativa à ordem social das coisas, na qual as mulheres periféricas precisam sair de casa antes dos outros, para alimentar as crianças e adolescentes nas escolas, ao menos nas grandes cidades.
Apesar de a ordem social ocorrer diferentemente do esperado pela ordem natural, ela é naturalizada pelas pessoas. A melodia da música corrobora para gerar uma sensação de naturalidade, enquanto a crítica ocorre, já que ela é calma e melodiosa, além de ter uma poesia repleta de figuras de linguagem, como já foi visto.

Proposta 2: Fruição e análise da canção “Senhor Cidadão” de Tom Zé, 1972

Senhor Cidadão
Tom Zé

Atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubrimendimultipliorganiperiodiplastipublirapareciprorustisagasimplitenaveloveravivaunivora
Cidade

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Me diga por quê
Me diga por quê
Você anda tão triste?
Tão triste
Não pode ter nenhum amigo
Senhor cidadão
Na briga eterna do teu mundo
Senhor cidadão
Tem que ferir ou ser ferido
Senhor cidadão
O cidadão, que vida amarga
Que vida amarga

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantos quilos de medo
Com quantos quilos de medo
Se faz uma tradição?

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantas mortes no peito
Com quantas mortes no peito
Se faz a seriedade?

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Eu e você
Eu e você
Temos coisas até parecidas
Parecidas
Por exemplo, nossos dentes
Senhor cidadão
Da mesma cor, do mesmo barro
Senhor cidadão
Enquanto os meus guardam sorrisos
Senhor cidadão
Os teus não sabem senão morder
Que vida amarga

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantos quilos de medo
Com quantos quilos de medo
Se faz uma tradição?

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Se a tesoura do cabelo
Se a tesoura do cabelo
Também corta a crueldade

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Me diga por quê
Me diga por quê
Me diga por quê
Me diga por quê

Disponível em: YouTube
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

a) Aspectos sociais:

– Nome dos autores e/ou produtores

Tom Zé é o nome artístico de Antônio José Santana Martins, músico baiano que, durante as décadas de 1960 e 1970, fez parte do movimento Tropicália, junto com Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros artistas.

– Movimento musical ao qual pertence, se pertencer

O movimento Tropicália foi um movimento cultural, musical, artístico e comportamental brasileiro iniciado na década de 1960. Uma de suas principais características estéticas era a de abarcar uma vasta gama de gêneros musicais e de experimentações, misturando ritmos, sons e trazendo um aspecto inovador e questionador para o ambiente musical. Além disso, incorporou a guitarra elétrica e outros instrumentos que não eram costumeiramente usados no Brasil.

Outro aspecto da Tropicália foi o seu viés contestador e revoltoso contra a Ditadura Militar no Brasil, iniciada em 1964, o que resultou no exílio de parte de seus membros.

– Contexto histórico, geográfico e social de autores e ouvintes

Durante o período de 1964 a 1985, o Brasil esteve sob o regime da Ditadura Civil-Militar que, além de impedir as eleições diretas, perseguiu, prendeu e torturou opositores, imprensa, políticos, sindicatos e trabalhadores rurais e artistas, entre outros. As artes eram censuradas e as músicas sofriam cortes em suas letras originais, para impedir críticas ao regime, bem como letras que eram consideradas ofensivas ou imorais. Nesse sentido, diversos compositores usavam palavras e temas subentendidos para criticar, muitas vezes obtendo êxito.

b) Aspectos gramaticais:

– Linguagem majoritariamente conotativa – A linguagem usada pelo autor da letra é figurada na maior parte do texto. O uso das figuras de linguagem, como as metáforas, deixa isso mais explícito.

Ex. Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantos quilos de medo
Com quantos quilos de medo
Se faz uma tradição?

No trecho em questão, o autor usa uma metáfora, já que medo não pode ser medido em quilos, portanto, ao dizer que “quilos de medo” fazem uma tradição, ele está sendo figurativo e não literal.

– Função poética – É expressa na poesia a partir das figuras de linguagem, dos refrões, dos versos, estrofes e rimas.

– Presença de figuras de linguagem – A principal figura de linguagem usada na canção é a anáfora, mas também existem metáforas e sinestesia.

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Me diga por quê
Me diga por quê
Você anda tão triste?
Tão triste
Não pode ter nenhum amigo
Senhor cidadão
Na briga eterna do teu mundo
Senhor cidadão
Tem que ferir ou ser ferido
Senhor cidadão
O cidadão, que vida amarga
Que vida amarga

Anáfora: A estrofe é praticamente toda uma anáfora. Para enfatizar um coro, a maior parte das palavras ou expressões são repetidas. Sobretudo o termo “Senhor Cidadão”.

Sinestesia: A palavra amarga para se referir à vida coloca um sentido – paladar – na expressão, tornando-a sinestésica.

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Eu e você
Eu e você
Temos coisas até parecidas
Parecidas
Por exemplo, nossos dentes
Senhor cidadão
Da mesma cor, do mesmo barro
Senhor cidadão
Enquanto os meus guardam sorrisos
Senhor cidadão
Os teus não sabem senão morder
Que vida amarga

Anáfora: Tal como a estrofe anterior, o termo cidadão e os outros destacados se repetem para enfatizar o tom de uma conversa e um coro se repetindo.

Metáfora: A dupla “Nossos dentes/da mesma cor/do mesmo barro” representa uma metáfora, relacionada à igualdade entre o eu lírico e o cidadão a quem se refere, alegando que ambos foram feitos pelo mesmo ingrediente e fazendo uma referência à Gênesis, na Bíblia.

– Uso da língua coloquial – A linguagem é marcada por traços de oralidade, como os termos eu quero saber e temos coisas até parecidas.

c) Aspectos literários:

– Organização em versos e estrofes, rimas e refrões – A canção apresenta 7 estrofes, não tendo refrão, apesar das repetições de palavras e termos já explorados na anáfora. A canção também não tem rimas diretas e nem internas. O uso da anáfora cumpre o papel de conferir a musicalidade necessária que a rima faria, já que as palavras iguais também têm essa função.

– Presença de um título – “Senhor Cidadão”

O título da canção de Tom Zé tem relação direta com o conteúdo da letra. Nela, o eu lírico conversa com um cidadão brasileiro, no contexto da Ditadura Militar. Cidadão é aquele que tem o direito de exercer a cidadania, algo que não era reservado a todos os brasileiros, já que por cidadania pode-se compreender o direito ao voto, à manifestação política, à greve, à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. O eu lírico pergunta ao cidadão porque ele não tem esses direitos, já que são iguais, vindos do mesmo barro e da mesma origem.

O uso da palavra Senhor antes de cidadão, remete aos cargos de alta patente militares, já que a hierarquia exige esse uso. Outras palavras que remetem a isso são medo e tradição, morte e seriedade, bem como a tesoura no cabelo, lembrando cortes militares. Além disso, as palavras e os termos repetidos são, na música, cantados por um coro que demonstra que há um coletivo contra um indivíduo. Ou seja, uma maioria alijada do direito à cidade e à cidadania contra um único Senhor.

3ª Etapa: Atividades propostas

– Projeto: Que canção é essa?

Primeira Parte: Escolhendo canções que fazem parte de algum movimento ou algum gênero

a) O/A professor/a pode fazer uma seleção prévia de canções que façam parte de algum gênero, para apresentar para os estudantes. Abaixo algumas sugestões com brevíssimas introduções ao gênero que podem ser usadas em sala:

Samba: Nascido no Rio de Janeiro, se popularizou em todo o Brasil a partir dos anos 1930. É um gênero vivo e produzido até hoje por diversos artistas importantes. É feito e fala sobretudo da população negra e periférica.

Canto das Três Raças – Clara Nunes, 1979
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Tristeza do Sambista – Geraldo Filme, 1980
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Identidade – Jorge Aragão, 1999
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Aquarela Brasileira – Martinho da Vila (Originalmente, 1964)
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Hip hop: Originalmente produzido nos Estados Unidos, o rap começa no Brasil em São Paulo, nos anos 1980, reunindo jovens de todas as regiões da cidade para batalhas de rimas no centro da cidade.

Negro Drama – Racionais MC’s, 2002
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Um bom lugar – Sabotage, 2000
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Não existe amor em SP – Criollo
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Passarinhos – Emicida, 2018
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Rock Brasileiro – Gênero musical que iniciou na década de 1950, mas que ganhou muita projeção nos anos 1970 e 1980, no contexto de ditadura e redemocratização.

Índios – Legião Urbana, 1986
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

A novidade – Paralamas do Sucesso (Gilberto Gil)
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Aluga-se – Raul Seixas
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Ideologia – Cazuza
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

b) O/A professor/a pode fazer uma seleção prévia de canções que façam parte de algum movimento musical/artístico para apresentar para os estudantes. Abaixo algumas sugestões que podem ser usadas em sala:

Bossa nova – Movimento musical surgido no Rio de Janeiro nos anos 1950, derivado do samba. Apesar das críticas, a bossa nova teve sucesso internacional.

Chega de Saudade – João Gilberto, 1959
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Águas de Março – Tom Jobim e Elis Regina, 1972
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Wave – Tom Jobim e Vinícius de Moraes, 1967
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Mangue beat – Movimento musical que nasceu na década de 1990, em Pernambuco. Misturando rock, pop, forró e frevo, denunciava a fome, a exploração e a situação de marginalidade das pessoas que dependiam do mangue como meio de subsistência.

Da Lama ao Caos – Chico Science e Nação Zumbi, 1992
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Mundo Livre S/A – Livre Iniciativa, 1994
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Seu Zé Limeira Sambasse Maracatu – Mestre Ambrósio, 1998
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Tropicália – Movimento musical que se iniciou na década de 1960, em resposta à Ditadura Militar e alinhado ao movimento de contracultura europeu. Reuniu uma série de artistas de variados gêneros.

Baby – Gal Costa, 1976
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Panis Et Circenses – Os Mutantes, 1968
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Senhor Cidadão – Tom Zé, 1970
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

Alegria, alegria – Caetano Veloso, 1967
Letra
Música
Acessos em: 22 de outubro de 2021.

**Todas as músicas, gêneros e movimentos são apenas sugestões parciais.

c) A partir da escolha ou do gênero ou do movimento, algumas sequências didáticas são possíveis:

1) Em grupos, a sala pode preparar a apresentação da análise da canção, em forma de seminário ou vídeo. Independentemente da escolha feita pelo/a professor/a, por gênero ou movimento, a sala pode ser preparada conforme o tema, em um evento no qual os estudantes apresentem as canções e suas análises.

Por exemplo, caso escolha o samba, a sala pode contar com roupas e adereços típicos, além de uma exposição de fotos e/ou vídeos, para que os alunos se ambientem e se envolvam na atividade. É importante, no caso de músicas populares, que o/a professor/a atente para não reproduzir estereótipos às vezes preconceituosos. A decoração e a ambientação do evento podem fazer parte da pesquisa coletiva dos estudantes.
Essa atividade pode ser facilmente adaptada para o ensino remoto ou híbrido, com apresentações feitas em vídeo.

2) O/A professor/a pode fazer as análises em conjunto com os estudantes, realizando uma pesquisa mais ampla e abordando temas mais complexos, usando até mesmo vídeos e filmes. Por exemplo, se optar por abordar o rap, o professor pode exibir o filme “Pixo”, de 2010, e debater questões relacionadas à arte urbana.
Filme “Pixo”
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

– Algumas observações sobre o trabalho com análise de canção:

Na análise apresentada neste projeto, optamos por realizar uma apresentação que abordasse três vias: a gramatical, a literária e a social. O/A professor/a, ao fazer esse projeto, pode escolher qual delas enfatizar, sempre lembrando, claro, o contexto social de produção da canção, já que isso cumpre um papel importante, como vimos.
Ao abordar os aspectos gramaticais e literários, o/a professor/a, pode colocar o foco em apenas um deles. Por exemplo, pode escolher canções com mais metáforas, para trabalhar essa figura de linguagem, ou escolher as canções com assonâncias, para que os estudantes conheçam esse aspecto de acordo com o que está sendo trabalhado. Também é possível que a canção tenha várias dessas figuras, e o/a professor/a escolha apenas uma delas para estudar.

4ª Etapa: Canções no vestibular

As letras de música estão presentes em vestibulares já há bastante tempo. É importante enfatizar que, como vimos aqui, as letras não são exatamente a canção, por isso para aumentar a compreensão delas no vestibular é fundamental o aumento do repertório dos estudantes.
Veja abaixo alguns exemplos de canções em questões de vestibular, com gabarito.

1) (ENEM 2013)
Até quando?
Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto:
a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.
c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
e) originalidade, pela concisão da linguagem.

Resposta: B
Fonte: Globo – Educação
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

2) (ENEM 2014)
Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo para xaxar
Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar
Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raqué
Diz que eu tou aqui com alegria
BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em: Luiz Gonzaga. Acesso em: 5 maio 2013 (fragmento).

A letra da canção de Antônio de Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma característica do falar popular regional é:
a) “Isso é um desaforo”.
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”.
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”.
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”.
e) “Vem cá morena linda, vestida de chita”
Resposta: C

Fonte: Só Exercícios
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

3) (ENEM 2013)

Aqui é o país do futebol Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol
(…)
No fundo desse país
Ao longo das avenidas
Nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
Nesses noventa minutos
De emoção e alegria
Esqueço a casa e o trabalho
A vida fica lá fora
Dinheiro fica lá fora
A cama fica lá fora
A mesa fica lá fora
Salário fica lá fora
A fome fica lá fora
A comida fica lá fora
A vida fica lá fora
E tudo fica lá fora
SIMONAL, W. Aqui é o país do futebol. Disponivel em- worn vagalume com br. “Acesso em: 27 ou 2011 (fragmento)

Na letra da canção Aqui é o país do futebol, de Wilson Simonal, o futebol, como elemento da cultura corporal de movimento e expressão da tradição nacional, é apresentado de forma crítica e emancipada devido ao fato de
a) reforçar a relação entre o esporte futebol e o samba.
b) ser apresentado como uma atividade de lazer.
c) ser identificado com a alegria da população brasileira.
d) promover a reflexão sobre a alienação provocada pelo futebol.
e) ser associado ao desenvolvimento do pais.

Resposta: D

Fonte: Só Exercícios
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

4) (ENEM 2018)
Fim de semana no parque
Olha o meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque
Eufóricos brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
[…]
Olha só aquele clube, que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
[…]
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso
RACIONAIS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 (fragmento)
A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que
1. retrata a ausência de opções de lazer para a população de baixa renda, por falta de espaço adequado.
2. ressalta a irrelevância das opções de lazer para diferentes classes sociais, que o acessam à sua maneira.
3. expressa o desinteresse das classes sociais menos favorecidas economicamente pelas atividades de lazer.
4. implica condições desiguais de acesso ao lazer, pela falta de infraestrutura e investimentos em equipamentos.
5. aponta para o predomínio do lazer contemplativo, nas classes favorecidas economicamente; e do prático, nas menos favorecidas.

Resposta: D

Fonte: Descomplica
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

5ª Etapa: Outras referências

– Sobre Teoria dos gêneros em sala de aula:

CEREJA, Willian. VIANNA, Carolina Dias. Gramática: Texto, Reflexão e Uso. São Paulo: Editora Atual.

– Sobre o gênero textual canção:

MANZONI, Ahiranic Sales. ROSA, Daniela Botti da. Gênero Canção: Múltiplos Olhares.
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

GUARINGUE, Cibele Bastos. O gênero letra de canção e suas contribuições na Língua Portuguesa. Anais do 5º Congresso Internacional Marista de Educação, 2016.
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

SANDES, Cleize Araújo. ANDRADE, Thaís Oliveira. Música: um gênero facilitador para o ensino de Língua Portuguesa.
Disponível em: Educação Pública
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

– Sobre funções e figuras de linguagem:

VILARINHO, Sabrina. Função Poética da Linguagem. Site Brasil Escola.
Disponível em: Brasil Escola
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

VIANA, Guilherme. Figuras de Linguagem. Site Uol Mundo Educação.
Disponível em: Mundo Educação
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

Sobre gêneros e movimentos musicais:

DANTAS, Tiago. Bossa Nova. Site Brasil Escola.
Disponível em: Brasil Escola.
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

BARROS, Jussara de. Samba-Enredo. Brasil Escola.
Disponível em: Brasil Escola.
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

Plano de aula elaborado pela professora Mayra Mattar Moraes.
Adaptação para o ensino remoto elaborada pela prof.ª Dr.ª Nathalie Lousan.
Coordenação Pedagógica: prof.ª Dr.ª Aline Monge

Materiais Relacionados

Blog do Cereja – Editora Saraiva – “O que são os gêneros?”
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

CASTRO, Sara. Gêneros Textuais – Site Mundo Educação
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

COCHAR, Thereza. CEREJA, William. Texto e Interação. Novas Propostas de Interação Textual a partir de Gêneros e Projetos. Editora Atual
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

Gênero Lírico – Canal Brasil Escola
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

● FALCÃO, Fernanda Scopel. O Poema e a canção: Uma aproximação intergêneros. Anais do IV Congresso de Estudos Literários Multiteorias: Correntes Críticas, Culturalismo, Transdisciplinaridade, nᵒ4
Acesso em: 22 de outubro de 2021.

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