Conteúdos

Este plano de aula de educação física aborda elementos conceituais e transversais a respeito dos esportes técnico-combinatórios, como a sua lógica interna e externa, podendo ser aplicado tanto no ensino remoto como no ensino presencial.

  • Aspectos conceituais a respeito da lógica interna e externa dos esportes técnico-combinatórios

Objetivos

Espera-se que os e as estudantes sejam capazes de relacionar conhecimentos acerca dos esportes técnico-combinatórios, tendo por base conceitos e procedimentos específicos sobre esse tipo de esporte.

Palavras-chave:

Esportes técnico-combinatórios. Esporte Escolar.

Previsão para aplicação:

2 aulas (30 min./aula)

Sugestão de aplicação para o ensino remoto:

As sugestões a seguir estão organizadas em tópicos, com uma breve explicação de cada recurso.

● Jitsi Meet: É um sistema de código aberto e gratuito, com o objetivo de permitir a criação e implementação de soluções seguras para videoconferências via Internet, com áudio, discagem, gravação e transmissão simultânea. Possui capacidade para até 200 pessoas, não há necessidade de criar uma conta, você poderá acessar por meio do seu navegador ou fazer o download do aplicativo usando um celular .
Trabalhando com essa ferramenta, é possível:
– Compartilhar sua área de trabalho, apresentações e arquivos;
– Convidar usuários para uma videoconferência, por meio de um URL simples e personalizado;
– Editar documentos simultaneamente, usando Etherpad (editor de texto on-line de código aberto);
– Trocar mensagens, por meio do bate-papo integrado;
– Visualizar automaticamente o orador ativo ou escolher manualmente o participante que deseja ver na tela; e
– Reproduzir um vídeo do YouTube para todos os participantes.

● Gravação de videoaula usando o Power Point: O PPT, já tão utilizado por nós professores para preparamos nossas aulas, também permite a gravação de uma narração para os slides, que tanto nos auxiliam na explanação dos conteúdos. É possível habilitar a função de vídeo enquanto grava, de forma que os alunos verão o professor em uma janelinha no canto direito da apresentação. Essa ferramenta é bem simples e eficaz (veja o guia).

● Envio de Podcast aos alunos: Podcast nada mais é do que um áudio gravado (como os gravados no WhatsApp, por exemplo). Podem ser utilizados para narrar uma história, para corrigir atividades, revisar ou aprofundar os conteúdos. Para tanto, sugiro o aplicativo Anchor, que pode ser baixado em seu celular, muito simples de utilizar.

● Plataforma Google Classroom: O Classroom permite que você crie uma sala de aula virtual. Esta ação irá gerar um código que será compartilhado com os alunos, para que acessem a sala. Neste ambiente virtual, o/a professor/a poderá criar postagens de avisos, textos, slides do PPT, conteúdos, links de vídeos, roteiros de estudos, atividades etc. É uma forma bem simples e eficaz de manter a comunicação com os alunos e postar as aulas gravadas, usando os recursos anteriormente mencionados. Confira outros recursos oferecidos pela Google, como a construção de formulários (Google Forms) para serem realizados pelos alunos.

Sugerimos aulas com até 30 minutos de duração. Além disso, nem toda aula precisa gerar uma atividade avaliativa, para não sobrecarregar os alunos. As aulas virtuais também podem ser úteis para correção de exercícios e plantões de dúvidas.

Proposta de trabalho:

Serão apresentados conhecimentos básicos a respeito dos esportes técnico-combinatórios, que podem ser dialogados tanto no formato remoto quanto de forma presencial, utilizando principalmente a internet como forma de buscar conhecimentos. Esperamos que este plano colabore com a prática docente.

Para os conteúdos trazidos na etapa 1, sugiro o agendamento de uma aula on-line síncrona com os alunos, por meio da plataforma Jitsi Meet, organizando os conteúdos em slides e compartilhando-os com os alunos com o uso do recurso do compartilhamento de tela do seu computador, disponível na plataforma sugerida. Estimule a participação dos alunos pelo chat da plataforma, em uma aula expositiva dialogada. Caso a aula síncrona não seja possível, sugiro a gravação de um vídeo com a narração dos slides, por meio do Power Point ou até mesmo de um Podcast, que pode ser compartilhado com os alunos na plataforma Google Sala de aula, bem como os slides utilizados por você durante a aula síncrona.

Para a etapa 2, sugiro que os exercícios sejam inseridos em um Google Formulário e disponibilizados aos alunos por meio do Google Sala de Aula. É importante reservar uma aula, após o prazo dado aos alunos para a realização da tarefa, para a correção e discussão das atividades propostas.

1ª Etapa: Compreendendo a lógica interna e externa

A classificação dos esportes , segundo alguns autores (GONZÁLEZ; BRACHT, 2012), nos ajuda a compreender a lógica interna e externa das modalidades, a fim de agrupá-las de forma a facilitar a aprendizagem. A lógica externa se dá pelos elementos exteriores à prática da modalidade em si, e que possuem relação direta com a história e os significados sociais e culturais atribuídos a cada uma delas.

Temos, por exemplo, a representação do futebol na condição de esporte mais praticado no mundo. Trata-se de um fenômeno marcado não só por disputas dentro de campo, mas também por disputas políticas e de forte influência sobre a manutenção ou a problematização de violências e desigualdades sociais. Vide o caso em que o 4º árbitro Sebastian Coltescu foi acusado de racismo contra o treinador adjunto Pierre Webo, do time Istambul, que jogava contra o Paris Saint Germain pela Liga dos Campeões, em que todos os jogadores decidiram não entrar em campo até o posicionamento oficial da UEFA. Este foi apenas um dos diversos casos de violência que ocorreram nos campos e nos bastidores do futebol profissional.

Por outro lado, a lógica interna dos esportes “trata-se dos aspectos peculiares de uma modalidade que exigem aos jogadores atuarem de um jeito específico (desde o ponto de vista do movimento realizado) durante sua prática” (GONZÁLEZ; BRACHT, 2012, p. 18). Em outras palavras, a lógica interna de um esporte é a soma de todas as informações que precisamos ter para conseguir praticá-lo. Quando falamos de modalidades que possuem a mesma lógica interna, isso significa que é possível que o que aprendemos em uma modalidade seja aplicável a outra da mesma classificação.

Considerando a lógica interna dos esportes técnico-combinatórios, eles podem ser definidos como:

[…] aqueles em que a comparação do desempenho está centrada na beleza plástica (dimensão estética) e no grau de dificuldade (dimensão acrobática) do movimento, sempre respeitando certos padrões, códigos ou critérios estabelecidos nas regras. Exemplos: todas as modalidades de ginástica: acrobática, aeróbica esportiva, artística, rítmica, de trampolim; bem como as provas da patinação artística, nado sincronizado, saltos ornamentais. Em todas essas modalidades, os árbitros responsáveis dão notas ao desempenho realizado pelos atletas com base em tabelas que estabelecem o grau de dificuldade dos movimentos realizados e a forma como eles devem ser executados. Nos esportes técnico-combinatórios, como já foi dito, o vencedor da prova não é aquele que consegue ir mais longe ou ser mais rápido, o que se compara aqui é quem consegue executar com mais “estilo” movimentos bem difíceis (GONZÁLEZ; BRACHT, 2012, p. 23).

Modalidades que se enquadram nessa classificação também correspondem a esportes que não possuem interações entre adversários, ou seja, os/as atletas competem separadamente e, em um momento posterior, os resultados são comparados para definir o vencedor. É o que ocorre, por exemplo, em campeonatos de surf, skate ou ginásticas. Algumas modalidades técnico-combinatórias possibilitam a disputa em equipes, como é o caso do nado sincronizado, enquanto outras ocorrem de forma individual, como a ginástica, em que os pontos individuais dos/as atletas são somados ao final.

2ª Etapa: Aplicando os conhecimentos

Observe as imagens a seguir:

esportes técnico combinatórios com exceção de um

1)Identifique qual das modalidades não é um esporte técnico-combinatório. Explique o porquê de sua escolha, descrevendo os aspectos relacionados à lógica interna.

Resposta: Salto com vara não é um esporte técnico combinatório, pois sua lógica interna corresponde a de esportes de marca, cuja vitória é definida pelo comprimento de objetivos em relação a marcas de tempo, de distância, de peso, de altura, etc. No caso, no salto com vara considera-se o salto mais alto realizado pelo/a atleta dentro dos critérios da modalidade. Diferente dos esportes-técnicos combinatórios cujos elementos avaliados para a obtenção da vitória são, principalmente, a dimensão estética e a dificuldade dos movimentos resultando em uma série de elementos a serem avaliados pelo júri.

2) Em razão da pandemia de covid-19, as Olimpíadas de Tóquio (Japão), que seriam realizadas no ano de 2020, foram adiadas para 2021, de 23 de julho até 8 de agosto. Foram disputadas 46 modalidades dos diversos tipos de esporte (marca, invasão, campo e taco, combate, rede divisória ou parede de rebote, precisão e técnico-combinatórios). Pesquise quais são essas modalidades e descreva quais delas correspondem a esportes técnico-combinatórios, tendo como parâmetro a lógica interna dos esportes.

Resposta: Ginástica artística, nado artístico, BMX Freestyle, saltos ornamentais, hipismo de adestramento, ginástica rítmica, skate, surfe e ginástica de trampolim.

3) Dentre as modalidades técnico-combinatórias que foram disputadas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021, escolha uma e busque elementos relacionados à lógica externa. Tais elementos devem corresponder a acontecimentos, eventos históricos, significados culturais e sociais atribuídos às modalidades esportivas. Busque acontecimentos ou informações que representem a superação de desigualdades sociais (superação da desigualdade de gênero, da violência no esporte, conquista de direitos trabalhistas etc.). Como as e os atletas são afetadas/os e como as instituições desportivas (federações, confederações e comitês) se posicionam publicamente?

Ex.: A luta e as conquistas dos homens para poder praticar e competir nas modalidades da ginástica rítmica, que historicamente só podiam ser praticadas por mulheres.

Essas conquistas podem representar a superação gradativa dos estereótipos de gênero nos esportes, que afeta negativamente a vida de muitos atletas, principalmente pela discriminação que sofrem e que muitas vezes culminam em situações de violência. As instituições, nesse caso, foram responsáveis por gerar mais obstáculos, com a falta de apoio a campeonatos ou às equipes que, por tempos, não puderam se profissionalizar. Por outro lado, algumas das instituições favorecem o desenvolvimento da modalidade masculina de ginástica rítmica, ao promover campeonatos, por exemplo.

Plano de aula elaborado pela professora Milena de Bem Zavanella Freitas.
Adaptação para o ensino remoto elaborada pela Prof.ª Dr.ª Nathalie Lousan.

Materiais Relacionados

DARIDO, S. C.; SOUZA JÚNIOR, O. M. Para ensinar educação física: possibilidades de intervenção na escola. 7ª ed. Campinas: Papirus, 2014.
GONZÁLEZ, F. J.; BRACHT, V. Metodologia do ensino dos esportes coletivos. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2012.

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