Cada vez mais, a tecnologia permite que os alunos personalizem seus currículos, tornando os cronogramas e ambientes acadêmicos mais flexíveis, especialmente no Ensino Superior. Embora no Brasil esse processo ainda esteja longe de ser uma realidade, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA – famoso por sua natureza experimental – organizou uma força-tarefa composta por professores, alunos e funcionários, a fim de levantar uma série de recomendações e tendências pedagógicas para o futuro da instituição. E, como o que vem de lá vira tendência em Educação rapidinho, vale a pena ficar de olho.
O relatório final apresentou 16 pontos-chave de mudanças para o Instituto nos próximos anos – todas encorajando experimentos pedagógicos ousados. A ideia é que o MIT aplique algumas dessas medidas e que elas se expandam para outras instituições de todo o mundo.
Para isso, o MIT vai criar um Centro de Inovação que atue como um laboratório. Assim, professores e alunos poderão testar na prática as novas pedagogias. A ideia é que os testes comecem em centros experimentais de ensino, ou em cursos de verão e, no futuro, cheguem à rotina dos cursos regulares.
As ideias centrais desses experimentos giram em torno da flexibilização dos currículos, incluindo modelos de aprendizagem híbridos (misturando cursos à distância com aulas presenciais), currículos modulares, e cursos baseados no desenvolvimento de projetos. Além do mais, está previsto o teste de novos métodos de avaliação para os alunos, que fujam dos exames tradicionais.
Para estimular essas trocas na aprendizagem, as mudanças físicas do campus irão acompanhar o processo de integração entre os alunos. A ideia é que se construam mais áreas e espaços comuns em torno do campus para que os estudantes possam fazer encontros informais e reuniões.
Ensino a distância
Outro tema central do relatório, diz respeito à expansão dos cursos online oferecidos pela instituição. Uma pesquisa feita sobre eles revelou que apenas 5% dos alunos chegou a adquirir o certificado final nos cursos online. Segundo a universidade, esses e outros dados demonstram que os estudantes estão mais preocupados em aprender alguns elementos específicos de um curso do que finalizar o que seria tradicionalmente um módulo completo. A partir dessas informações, o MIT sugeriu a criação de diferentes níveis de certificação e flexibilizações, que permitam que o aluno termine os curso em um tempo menor.
Em uma outra pesquisa realizada em 2013, 40% dos estudantes declararam que aproveitariam mais os cursos se eles fossem separados em módulos menores, o que levou a instituição a inserir entre as suas tendências uma “modularização” dos cursos, separando-os, cada vez mais, em blocos menores de interesse.
Outro ponto do relatório apontou para o aumento do uso de games online entre estudantes, aproveitando os conteúdos educacionais e a rede online já estabelecida do MIT. A ideia é que estudantes do mundo todo possam se conectar envolver na busca de soluções para desfios que exijam um envolvimento global de pessoas.
Vale lembrar que a pesquisa é apenas o pontapé inicial de uma tendência pedagógica mais aberta, global e flexível que a universidade pretende seguir. Nos próximos meses, o grupo irá se reunir novamente para definir quais estratégias específicas serão tomadas para colocar as metas em ação.